(Foto: Janailton Falcão/AmazonasTur)
Manaus (AM) — O município de São Gabriel da Cachoeira, distante 859 km de Manaus, possui seis candidaturas ao cargo de prefeito. Destas, cinco são de candidatos indígenas, e uma de um candidato branco.
Entre os candidatos à Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira está o Dr. Israel Tuyuka, indígena filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Tuyuka é um nome já conhecido na política amazonense, uma vez que ele se filiou ao PSol para concorrer ao cargo de governador do Amazonas nas Eleições de 2022. Ele recebeu 21.229 votos no estado.
Além disso, Israel Tuyuka concorreu, em 2004, como vice-prefeito ao lado de Pedro Garcia (PT), em São Gabriel da Cachoeira, sua cidade natal, contudo, a candidatura não obteve sucesso.

Candidaturas indígenas à Prefeitura ( Reprodução/DivulgaCand)
O outro candidato, Hernane ‘Cachorrão’ (PSB), assim como Israel Tuyuka, tem forte ligação com a política local. Indígena da etnia Tukano, Hernane Abreu concorreu às eleições municipais de 2004, 2008, 2016 e 2020 como vereador, sendo eleito em 2004 e 2020. Agora, Hernane ‘Cachorrão’ aspira ocupar o cargo de chefe do executivo municipal de São Gabriel da Cachoeira.

(Reprodução/DivulgaCand)
Após três tentativas frustradas de se eleger vereador, Pedro Paulo Radialista (Avante) lança candidatura à Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira. O indígena da etnia Baré aposta em uma chapa ‘puro-sangue’. No entanto, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na plataforma DivulgaCand, apontam que a escolha de seu vice ainda não está definida. Na plataforma, aparecem dois nomes postulantes ao cargo: Guiomar Falcão (Avante) e Antônio José Araújo (Avante).

(Reprodução/DivulgaCand)
Estreia
Estreantes na política, Egmar Curubinha (PT), da etnia Tariana, e Marivelton Baré (Rede), da etnia Baré, concorrem pela primeira vez ao cargo de chefe do executivo municipal nas Eleições Municipais de São Gabriel da Cachoeira.
- (Foto: Reprodução/DivulgaCand)
- (Foto: Reprodução/DivulgaCand)
O único candidato não indígena é Cláudio Pontes (Podemos), mas escolheu o Professor Fortunato Baniwa (Podemos), indígena da etnia Baniwa, para compor chapa como vice-prefeito à Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira.
O Professor Fortunato Baniwa já concorreu ao cargo de vereador em 2020 e ficou na suplência.

Cláudio Pontes tentou o cargo nas últimas duas eleições municipais, sem êxito.
Capital dos povos indígenas
Dos três municípios brasileiros com o maior número de indígenas, São Gabriel da Cachoeira, localizado na fronteira com a Colômbia e Venezuela, no extremo noroeste do Brasil, concentra grande parte dos indígenas do país, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No município, também conhecido como “Cabeça do Cachorro”, por seu território ter forma semelhante à da cabeça desse animal, nove a cada dez habitantes são indígenas, o maior percentual de indígenas no total da população, com 93,17%.
Em 2002, o município fez história ao promulgar a Lei Municipal n.º 145/2002, reconhecendo, pela primeira vez no Brasil, três idiomas além do português: nheengatu, tucano e baníua.
Em 2022, São Gabriel da Cachoeira foi nomeada a capital estadual dos povos indígenas do Amazonas, graças à aprovação do Projeto de Lei n.º 423/2021, de autoria do ex-deputado estadual Tony Medeiros (Avante). Medeiros justificou o PL destacando que o município abriga 23 etnias indígenas.
“A cidade destaca-se por abrigar 23 etnias indígenas – 90% da população é composta por índios e descendentes. Distribuídos em povoados, são os responsáveis por produzir um rico artesanato admirado no Brasil e no exterior. As peças são encontradas na sede da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN) onde estão, ainda, publicações relativas aos povos e fotos históricas”, defendeu no texto do projeto.
Em contraste, a situação em Manaus é bem diferente. Embora a capital amazonense tenha a maior população indígena do Amazonas, não há candidaturas indígenas ao cargo de prefeito. Para o cargo de vereador, apenas 11 indígenas estão concorrendo.

Perfil
O cientista político e antropólogo Raimundo Nonato explicou, em entrevista ao Portal AM1, no início de agosto, que essa situação se deve, em grande parte, ao perfil do eleitorado.
“Tem 2 milhões de eleitores em Manaus e 71 mil indígenas. Em São Gabriel, por exemplo, você tem 45 mil eleitores e 76% indígenas. Essa é a questão”, pontou o antropólogo Raimundo Nonato.
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