Pré-candidato à prefeitura de Manaus, Marcelo Ramos (Foto: Reprodução/YouTube)
Manaus (AM) – O pré-candidato à Prefeitura de Manaus, Marcelo Ramos (PT), em entrevista ao Fecomércio, na última segunda-feira (1), respondeu, entre outros questionamentos, sobre os seus planos para o transporte público da cidade, caso seja eleito.
O petista informou que, se eleito, cogita reimplantar na cidade o sistema de faixa exclusiva para ônibus, a chamada Faixa Azul, que, segundo ele, é um dos modelos mais eficientes do mundo.
“As pessoas têm medo de dizer isso, mas todos os lugares do mundo que melhoraram o sistema de transporte coletivo fizeram corredor exclusivo de ônibus. Claro, corredor bem-planejado, com vias alargadas, para não colapsar o trânsito dos veículos de passeio individual”, disse.
Conforme Marcelo Ramos, não é justo que veículos menores e particulares tenham a mesma prioridade no trânsito de um “veículo que leva 70 pessoas e que para a cada 500 metros para pegar mais”.
Para o pré-candidato, melhorar o sistema de transporte coletivo de Manaus tem a ver com o aumento da velocidade média da frota, corredores exclusivos de ônibus e sinalização inteligente.
No entanto, o ex-deputado federal esclareceu que, para que essas medidas sejam aplicadas, o município precisaria de recursos federais.
“O município não tem capacidade com recursos próprios para fazer as obras estruturantes para que o corredor exclusivo de ônibus não colapse o transporte individual, mas uma parceria com o governo federal vai induzir os recursos necessários para a gente fazer as obras de infraestrutura”, destacou Ramos.
Faixa Azul
Vale ressaltar que a Faixa Azul, instalada em 2016 nas avenidas Constantino Nery, Max Teixeira, Umberto Calderaro e Torquato Tapajós, está desativada atualmente. A via exclusiva foi suspensa pela Prefeitura de Manaus na pandemia de Covid-19 e liberada para todos os veículos.
No ano passado, a administração municipal chegou a informar uma data para o retorno da regra de faixa exclusiva no trânsito da cidade, mas depois, o anúncio foi suspenso.
A prefeitura também chegou a apresentar uma nova configuração para o modelo de corredor exclusivo, mas até o momento, sem definição. Sobre o não uso de faixas já implantadas em alguns pontos da cidade, o político critica.
“Você tem áreas onde o corredor exclusivo está consolidado. Você anda na Torquato [Tapajós], você anda na Noel Nutels, são poucos os carros que andam no corredor de ônibus, pouquíssimos. Agora, o que não dá é para fazer corredor de ônibus e deixar um monte de ônibus do lado direito, isso também tá errado, tem que obrigar a colocar a porta do lado esquerdo dos ônibus e ir transferindo os ônibus para o outro lado”, comentou.
A segunda questão fundamental para aprimorar o transporte coletivo em Manaus, segundo o petista, envolve o planejamento a respeito do deslocamento da população.
“Pode parecer que não tem relação com transporte, mas a relação é direta e imediata, que é o planejamento da cidade. Se eu induzir que lá na Colonia Antônio Aleixo tenha um banco, uma loteria ou uma agência dos Correios, eu já vou diminuir um monte de gente que pega ônibus para pagar uma conta de água, se não souber usar a internet e a gente pensa que isso é fora do nosso mundo, mas não é. Então, você induzir serviços para os bairros e induzir moradia para o Centro, tem relação direta com o transporte coletivo, porque diminui a necessidade de deslocamento dentro da cidade”, enfatizou Marcelo.
Complexidade
O político, que já foi gestor do transporte coletivo de Manaus, entretanto, completa que a questão é complexa e os seus adversários, os outros pré-candidatos que devem concorrer pela prefeitura nas eleições municipais deste ano, usam o tema para prometer “soluções mágicas”. Ele cita também a “lentidão” como o maior contratempo a ser solucionado e sugere um plano para o aumento da velocidade média da frota do sistema de transporte coletivo da capital.
“O transporte coletivo é um tema muito tentador à apresentação de soluções fáceis e mágicas para problemas complexos. Não existe solução fácil para o transporte coletivo, solução de transporte coletivo em Manaus passa necessariamente por duas coisas: primeiro pelo aumento da velocidade média da frota, o grande problema do transporte coletivo em Manaus, hoje, é que o ônibus anda muito devagar, na época do expresso a velocidade media da frota chegou a 37 km/h, hoje ela é 12 km/h. O ônibus que anda devagar, ele é um ônibus que demora muito, então o desconforto da espera é muito grande. Se ele demora muito, passa lotado. O desconforto de andar em ônibus lotado é muito grande e você precisa de mais veículos para uma mesma linha, o que significa que a operação é muito mais cara. Então, ônibus lento, é ônibus desconfortável, demorado e caro, aumentar a velocidade média da frota é o grande desafio.”
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