Manaus, 30 de outubro de 2026
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Manaus, 30 de outubro de 2026

Economia

Seca pode elevar preços de produtos em até 10% no comércio de Manaus em novembro

Estiagem dificulta o transporte de mercadorias pelos rios e aumenta os custos logísticos; setor não prevê desabastecimento na capital.

Porto Fluvial em Tempos de Seca (Foto: Gerada por IA/ Montagem Portal AM1)

Manaus (AM) – Os efeitos da estiagem no Amazonas podem chegar ao bolso dos consumidores a partir de novembro. O comércio de Manaus trabalha com a possibilidade de aumento entre 8% e 10% nos preços de produtos, em razão da elevação dos custos de transporte provocada pela redução do nível dos rios.

A estimativa foi apresentada pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag, em entrevista à BandNews Difusora. Apesar da previsão de reajustes, o setor não identifica, neste momento, risco de desabastecimento na capital.

A preocupação está relacionada às dificuldades enfrentadas pelas embarcações que transportam mercadorias para o Amazonas. Com os rios mais rasos, os navios precisam adaptar as operações, reduzir a quantidade de cargas transportadas e, em alguns casos, utilizar estruturas alternativas para garantir a chegada dos produtos.

Custos de transporte pressionam o comércio

A redução da profundidade dos rios também preocupa a Associação Comercial do Amazonas (ACA). O presidente da entidade, Bruno Loureiro, acompanha os impactos da vazante sobre a logística e os custos das empresas.

Um dos pontos de atenção é a chamada “taxa da seca”, sobretaxa que pode ser aplicada pelas empresas de navegação para compensar despesas extraordinárias provocadas pelas restrições à circulação de embarcações.

Um levantamento da consultoria A&M Infra, elaborado a pedido da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), aponta que a redução do calado dos rios pode elevar em até 147% o custo unitário do transporte de contêineres em determinadas condições operacionais.

O aumento ocorre porque, com menos profundidade, as embarcações podem transportar volumes menores de mercadorias. Dessa forma, os custos da viagem acabam distribuídos entre uma quantidade reduzida de produtos.

Porto Fluvial Amazônico na Maré Baixa (Foto: IA/Montagem Portal AM1)

Antaq estabelece regras para cobrança

A cobrança da chamada Low Water Surcharge (LWS), conhecida como taxa da seca, está sujeita à fiscalização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Em setembro de 2026, a agência estabeleceu critérios para a aplicação da sobretaxa, exigindo que as empresas comuniquem previamente a intenção de cobrança, com antecedência mínima de 30 dias, além de apresentar justificativas técnicas e econômicas para os valores propostos.

Para o ciclo de 2026, a referência hidrológica estabelecida pela agência considera a cota igual ou inferior a 17,7 metros no Porto de Manaus.

A condição, entretanto, não autoriza automaticamente a cobrança. As empresas precisam comprovar os custos adicionais relacionados à estiagem e demonstrar os impactos efetivos nas operações de transporte.

A seca no Amazonas teve influência do El Niño. Marina do David, na zona oeste de Manaus, em 2023 (Foto: Rafa Neddermeyer/ABr)

Seca de 2023 preocupa setor

O cenário também reacende a preocupação com os efeitos da estiagem histórica de 2023. Naquele ano, o Rio Negro chegou à marca de 12,70 metros, dificultando a navegação e provocando impactos no abastecimento e na atividade industrial do Amazonas.

Estudo do Banco Central sobre os efeitos daquela estiagem apontou que as restrições à navegação chegaram a interromper temporariamente o fluxo de navios de grande porte até Manaus, comprometendo a chegada de mercadorias e insumos utilizados pelas indústrias instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).

(Foto: Divulgação)

Expectativa é de estabilização em dezembro

Apesar da possibilidade de reajustes em novembro, a expectativa do setor comercial é de que os preços comecem a se estabilizar no início de dezembro, caso haja melhora nas condições de navegação e redução dos custos logísticos.

Até lá, empresários e consumidores devem acompanhar os efeitos da vazante sobre o transporte de mercadorias e os preços praticados no comércio da capital amazonense.

seca pode elevar precos de produtos em ate 10 no comercio de manaus em novembro (Foto: Divulgação)

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