Secretário Luís Alberto Saraiva rebateu acusações de Marcelo Ramos e pediu provas sobre suposto favorecimento de fornecedores. (Foto: PT/ SES-AM)
As declarações de Marcelo foram feitas durante entrevista ao Programa do Povo, da TV Norte, diretamente de Brasília. Na ocasião, o ex-deputado questionou a administração dos recursos da saúde e afirmou que o secretário estaria pressionando organizações sociais (OSS) a trocar empresas prestadoras de serviços por fornecedores supostamente ligados a ele.
“O secretário de Saúde está obrigando as OSS a trocar de fornecedores para colocar fornecedores identificados a ele, ligados a ele”, declarou Ramos.
Secretário nega favorecimento e cobra identificação de empresas
Após a acusação, Luís Alberto Saraiva publicou um vídeo nas redes sociais para contestar as declarações. O secretário classificou a denúncia como irresponsável e pediu que Marcelo Ramos identificasse quais fornecedores teriam sido substituídos por determinação dele.
“Eu quero que o senhor diga qual foi o fornecedor que foi trocado por mim em facilitação para qualquer interesse privado ou particular. O senhor não tem como provar ou me vincular a nenhum tipo de afirmação como essa”, rebateu.
Saraiva afirmou ainda que alterações nos contratos e na relação com fornecedores podem ocorrer quando as empresas deixam de cumprir as obrigações relacionadas à prestação dos serviços de saúde.
“Os fornecedores, sejam lá quem sejam, eles vão ser sempre modulados ou trocados se não estiverem entregando para a população do Estado do Amazonas o que deva ser entregue, que é uma saúde adequada”, declarou.
O secretário também direcionou um recado ao ex-deputado: “Preste atenção muito bem no que o senhor tem falado”.
Durante a entrevista, Marcelo Ramos não identificou nominalmente as empresas que, segundo ele, teriam sido favorecidas, nem apresentou documentos que comprovassem a suposta interferência.
Marcelo questiona pagamentos de R$ 577 milhões
Além das acusações contra o secretário, o ex-deputado questionou a destinação de recursos públicos após a liberação de um empréstimo de aproximadamente R$ 1,4 bilhão junto ao Banco do Brasil.
Segundo Ramos, o Governo do Amazonas teria realizado pagamentos de R$ 577 milhões em apenas seis dias, com parte expressiva dos valores destinada a uma empresa de geoprocessamento.
“Com o empréstimo liberado, nós esperávamos que esses recursos fossem utilizados pra pagar as prioridades do governo do Estado. Mas eles conseguiram, em seis dias, pagar 577 milhões de reais, a maior parte disso, pra uma empresa de geoprocessamento”, afirmou.
O ex-parlamentar também alegou que fornecedores de serviços essenciais enfrentavam atrasos nos pagamentos. Entre os segmentos citados estavam profissionais médicos, empresas responsáveis pela merenda escolar e prestadores de serviços de manutenção de viaturas.
As informações sobre os valores, os beneficiários e a destinação dos pagamentos foram apresentadas por Marcelo durante a entrevista, sem documentação pública apresentada naquele momento para confirmar as irregularidades apontadas.
Ex-deputado responsabiliza Wilson Lima e Roberto Cidade
Marcelo Ramos também direcionou críticas ao ex-governador Wilson Lima (União Brasil) e ao atual governador Roberto Cidade (União Brasil). Na avaliação do ex-deputado, Cidade, quando presidia a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deveria ter exercido maior fiscalização sobre a execução do orçamento estadual durante a gestão anterior.
“O Estado está quebrado porque o Roberto Cidade, que era presidente da Assembleia, não cumpriu a sua função de fiscalizar a execução do orçamento público”, declarou.
O ex-parlamentar pediu ainda que órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, apurem os pagamentos e as denúncias envolvendo a administração estadual.
Até o momento, as acusações de favorecimento de fornecedores e de irregularidades nos pagamentos permanecem como declarações de Marcelo Ramos, sem comprovação documental apresentada na entrevista. O secretário de Saúde negou qualquer atuação para beneficiar interesses particulares e cobrou a apresentação de provas.
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