Manaus, 5 de novembro de 2026
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Cenário

Secretário de Saúde rebate Marcelo Ramos e cobra provas de acusações sobre fornecedores

Ex-deputado afirmou que titular da pasta estaria pressionando organizações sociais para substituir prestadores de serviços; Luís Alberto Saraiva negou favorecimento e também foi questionado sobre pagamentos de R$ 577 milhões pelo governo estadual.

Secretário Luís Alberto Saraiva rebateu acusações de Marcelo Ramos e pediu provas sobre suposto favorecimento de fornecedores. (Foto: PT/ SES-AM)

Manaus (AM) – Uma troca de acusações envolvendo a gestão da saúde pública do Amazonas colocou o secretário estadual de Saúde, Luís Alberto Saraiva Santos, e o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) em confronto público. Após ser acusado de supostamente interferir na substituição de fornecedores para beneficiar empresas ligadas a ele, o secretário reagiu nesta quarta-feira (4) e desafiou o ex-parlamentar a apresentar provas.

As declarações de Marcelo foram feitas durante entrevista ao Programa do Povo, da TV Norte, diretamente de Brasília. Na ocasião, o ex-deputado questionou a administração dos recursos da saúde e afirmou que o secretário estaria pressionando organizações sociais (OSS) a trocar empresas prestadoras de serviços por fornecedores supostamente ligados a ele.

“O secretário de Saúde está obrigando as OSS a trocar de fornecedores para colocar fornecedores identificados a ele, ligados a ele”, declarou Ramos.

Secretário nega favorecimento e cobra identificação de empresas

Após a acusação, Luís Alberto Saraiva publicou um vídeo nas redes sociais para contestar as declarações. O secretário classificou a denúncia como irresponsável e pediu que Marcelo Ramos identificasse quais fornecedores teriam sido substituídos por determinação dele.

“Eu quero que o senhor diga qual foi o fornecedor que foi trocado por mim em facilitação para qualquer interesse privado ou particular. O senhor não tem como provar ou me vincular a nenhum tipo de afirmação como essa”, rebateu.

Saraiva afirmou ainda que alterações nos contratos e na relação com fornecedores podem ocorrer quando as empresas deixam de cumprir as obrigações relacionadas à prestação dos serviços de saúde.

“Os fornecedores, sejam lá quem sejam, eles vão ser sempre modulados ou trocados se não estiverem entregando para a população do Estado do Amazonas o que deva ser entregue, que é uma saúde adequada”, declarou.

O secretário também direcionou um recado ao ex-deputado: “Preste atenção muito bem no que o senhor tem falado”.

Durante a entrevista, Marcelo Ramos não identificou nominalmente as empresas que, segundo ele, teriam sido favorecidas, nem apresentou documentos que comprovassem a suposta interferência.

Marcelo questiona pagamentos de R$ 577 milhões

Além das acusações contra o secretário, o ex-deputado questionou a destinação de recursos públicos após a liberação de um empréstimo de aproximadamente R$ 1,4 bilhão junto ao Banco do Brasil.

Segundo Ramos, o Governo do Amazonas teria realizado pagamentos de R$ 577 milhões em apenas seis dias, com parte expressiva dos valores destinada a uma empresa de geoprocessamento.

“Com o empréstimo liberado, nós esperávamos que esses recursos fossem utilizados pra pagar as prioridades do governo do Estado. Mas eles conseguiram, em seis dias, pagar 577 milhões de reais, a maior parte disso, pra uma empresa de geoprocessamento”, afirmou.

O ex-parlamentar também alegou que fornecedores de serviços essenciais enfrentavam atrasos nos pagamentos. Entre os segmentos citados estavam profissionais médicos, empresas responsáveis pela merenda escolar e prestadores de serviços de manutenção de viaturas.

As informações sobre os valores, os beneficiários e a destinação dos pagamentos foram apresentadas por Marcelo durante a entrevista, sem documentação pública apresentada naquele momento para confirmar as irregularidades apontadas.

Ex-deputado responsabiliza Wilson Lima e Roberto Cidade

Marcelo Ramos também direcionou críticas ao ex-governador Wilson Lima (União Brasil) e ao atual governador Roberto Cidade (União Brasil). Na avaliação do ex-deputado, Cidade, quando presidia a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deveria ter exercido maior fiscalização sobre a execução do orçamento estadual durante a gestão anterior.

“O Estado está quebrado porque o Roberto Cidade, que era presidente da Assembleia, não cumpriu a sua função de fiscalizar a execução do orçamento público”, declarou.

O ex-parlamentar pediu ainda que órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, apurem os pagamentos e as denúncias envolvendo a administração estadual.

Até o momento, as acusações de favorecimento de fornecedores e de irregularidades nos pagamentos permanecem como declarações de Marcelo Ramos, sem comprovação documental apresentada na entrevista. O secretário de Saúde negou qualquer atuação para beneficiar interesses particulares e cobrou a apresentação de provas.

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