Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Segurança bilionária, comando obscuro: mesmo com gastos recordes, gestão Wilson Lima não conteve avanço do crime

Mesmo com cifras bilionárias, a segurança pública do Amazonas continua fragilizada. O Estado permanece entre os que registram maiores taxas de mortes violentas do país.

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Manaus (AM) – Os números de pagamentos do Governo do Amazonas em 2025 expõem uma realidade incômoda: apesar de mais de R$ 2,4 bilhões investidos diretamente na área de segurança pública, o Estado não conseguiu conter a expansão das facções criminosas, o fortalecimento do tráfico de drogas nem a escalada das mortes violentas.

Sob o governo Wilson Lima, a Polícia Militar (PM) recebeu R$ 1,29 bilhão, a Polícia Civil (PC) consumiu R$ 853,6 milhões, e a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), comandada formalmente por Vinícius Almeida, gastou R$ 253,3 milhões no ano. Esses três órgãos estão entre os mais caros da máquina estadual. Ainda assim, a violência segue fora de controle.

Facções avançam, mortes violentas crescem e tráfico domina territórios

Mesmo com cifras bilionárias, a segurança pública do Amazonas continua fragilizada. O Estado permanece entre os que registram maiores taxas de mortes violentas do país, enquanto facções criminosas ampliam seu domínio territorial tanto em Manaus quanto no interior, segundo dados públicos.

Há bairros inteiros sob influência direta de grupos armados, toques de recolher impostos por criminosos e uma disputa permanente por rotas estratégicas do tráfico. O investimento pesado não se converteu em inteligência policial, presença efetiva nas ruas ou redução de homicídios.

“Paredão”: propaganda cara, resultado frustrante

O sistema de monitoramento “Paredão”, propagandeado como solução tecnológica para reduzir crimes, consumiu valores milionários. Na prática, porém, não freou assassinatos, não impediu chacinas e não desestruturou a atuação das facções.

O sistema é fruto de um contrato de R$ 22.462.950,00 firmado entre a PRODAM e o Consórcio Iron Pro para garantir um pacote tecnológico de vigilância e reconhecimento facial.

O “Paredão” prevê módulos que vão desde Polícia Judiciária e Polícia Técnico-Científica até infraestrutura de inteligência artificial capaz de acionar até 650 dispositivos de reconhecimento facial. Mas, enquanto o gasto é milionário, as informações oferecidas pelo governo são mínimas: não há divulgação do mapa de instalação das câmeras; não há estudo de impacto; não há estimativa de redução de criminalidade; não há indicadores públicos que acompanhem a operação; não há transparência sobre quais bases de dados alimentarão o reconhecimento facial.

O contraste entre o discurso e os números é evidente: a criminalidade se sofisticou; o aparato estatal, não.

Efetivo insuficiente e protestos

Outro ponto que expõe a fragilidade da política de segurança é o déficit de pessoal. Em 2024 e 2025, aprovados nos concursos da PM-AM e da PC-AM realizaram diversos protestos exigindo nomeações. Muitos cumpriram todas as etapas, inclusive exames e cursos de formação, mas seguem sem qualquer previsão oficial.

Enquanto o governo alega limitações orçamentárias para justificar a demora, os números mostram o oposto:
há recursos, mas falta prioridade e vontade política.

Delegacias operam com efetivo mínimo e apenas em horário comercial, batalhões cobrem áreas muito superiores ao recomendado, e a população continua vulnerável.

Poder paralelo dentro do próprio governo

Embora a SSP-AM tenha um secretário nomeado, nos bastidores quem dá as cartas é um ex-secretário de segurança que nunca deixou de exercer influência direta sobre as decisões estratégicas da pasta.

A força desse personagem nos bastidores se reforça pelo papel desempenhado por seu filho — hoje considerado o “braço direito” de Wilson Lima tanto dentro do governo quanto no partido União Brasil, onde atua como membro do Diretório Estadual, mesmo sem ocupar cargo oficial no Executivo.

O arranjo cria um ambiente nebuloso no qual decisões sensíveis da segurança pública passam por figuras sem função pública formal, mas com enorme poder político. A mistura de influência partidária, articulação paralela e interesses internos ajuda a explicar por que a segurança pública do Amazonas opera de forma desorganizada, reativa e subordinada a jogos de poder — e não a critérios técnicos.

A soma dos fatos é devastadora para a gestão Wilson Lima: bilhões gastos, facções em expansão, sistema caro e ineficaz, violência crescente, protestos de aprovados ignorados, e um comando oculto interferindo na política de segurança.

No fim, o que os números deixam claro é que a segurança pública do Amazonas é uma das áreas mais caras do governo — e uma das que menos entrega resultados.

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