Manaus, 6 de julho de 2026
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Cidades

Segurança só para os empresários, dizem usuários sobre mudanças no transporte público da capital

Mudança vale também para 14 linhas que funcionarão exclusivamente com pagamento digital.

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(Foto: Dhyeizo Lemos/Semcom)

Manaus (AM) – Moradores de Manaus reagiram com críticas ao anúncio do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) de que, a partir do dia 23 de junho, passageiros não poderão mais pagar em dinheiro nos acessos aos terminais e estações de ônibus da capital. A mudança gerou reclamações nas redes sociais e preocupações sobre acessibilidade e exclusão digital.

O Sinetram anunciou a medida nesta quarta-feira (18). Além dos terminais e estações, 14 linhas de ônibus também operarão exclusivamente com pagamento digital. São elas:

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O prefeito de Manaus, David Almeida, já havia abordado o tema durante a entrega de 12 novos ônibus da empresa São Pedro, no Terminal 7, localizado no bairro Tarumã, zona Oeste da cidade. Durante coletiva de imprensa, David Almeida afirmou que a retirada do uso de dinheiro nos coletivos atende a recomendações do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e da Justiça.

“O Ministério Público do Estado está orientando a retirada da circulação de dinheiro de dentro dos ônibus. A Justiça já sinalizou sobre essa questão. O próprio Ministério do Trabalho também. Nós estamos buscando aqui um diálogo para que a gente não precise desempregar cerca de 1,5 mil cobradores. Isso é um problema. Então, estamos ajustando com as empresas para aproveitá-los dentro do sistema, como motoristas”, explicou Almeida.

Conforme o Sinetram, o objetivo da medida é reforçar a segurança no transporte público. O pagamento das passagens poderá ser feito com cartão PassaFácil, cartões bancários por aproximação (crédito e débito) nos terminais, e QR Code por meio do aplicativo “Cadê Meu Ônibus? Recarga”. A integração temporal continua disponível, permitindo o uso de duas linhas com uma única tarifa no intervalo de duas horas, desde que no mesmo sentido.

Mesmo com os argumentos de segurança, a medida enfrentou forte resistência entre os usuários do transporte coletivo. Na postagem feita pelo Sinetram nas redes sociais, internautas classificaram a decisão como “retrocesso”, “preconceituosa” e uma “barreira à acessibilidade”.

“Embarca Fácil é o nome, mas a realidade é outra. Quem não tem cartão, celular ou acesso à internet vai ficar no ponto. Isso não é melhoria, é exclusão. Transporte não é favor, é direito. Não dá pra aceitar que o básico seja negado em nome da tecnologia. Amo a tecnologia e ela se manifestar assim, de maneira excludente, me enoja. O Procon já viu isso?”, questionou um deles.

O Portal AM1 ouviu duas passageiras para entender o impacto da decisão. Para a engenheira florestal Fernanda Bentes, de 24 anos, a inovação tecnológica do sistema não pode ignorar a realidade de quem não tem acesso a recursos digitais.

“Por um lado, representa a progressão tecnológica do transporte público da cidade de Manaus, onde está se adaptando às novas formas de pagamentos online. Mas, em contrapartida, limita a possibilidade de acessibilidade de pessoas menos privilegiadas que não dispõem de celular ou internet para efetuar os pagamentos online (caso a pessoa não tenha cartão passa fácil)”, explicou Fernanda Bentes.

(Foto: Acervo Pessoal/Fernanda Bentes)

A preocupação também foi levantada por Rebeca Peixoto, usuária do transporte coletivo, que teme o impacto da mudança sobre a população idosa.

“Não acho válida. Ainda tem várias pessoas que utilizam o transporte público pagando em dinheiro, principalmente aquelas que não têm o costume de usar e, quando precisam, pagam em dinheiro, especialmente pessoas mais velhas”, disse Rebeca.

As duas entrevistadas afirmaram que, embora experiências semelhantes tenham sido implementadas em outras capitais, a realidade de Manaus precisa ser considerada.

“A maioria dos assaltos que a gente vê nos ônibus é feita por assaltantes que querem levar os celulares dos passageiros e outros bens. Podem até pegar o dinheiro com o cobrador, mas o foco geralmente são os celulares”, defendeu Rebeca.

(Foto: Acervo Pessoal/Rebeca Peixoto)

Fernanda Bentes entende que essa mudança não agiliza o processo. Pelo contrário, ela acredita que prejudica o fluxo na catraca devido à dependência de internet para uso do QR Code.

“Não acredito que vá agilizar, principalmente por conta do acesso à internet na hora de passar o QR code. Ponto positivo: modernização do sistema. Ponto negativo: falta de acessibilidade”, respondeu Fernanda.

Na visão de Rebeca Peixoto, a mudança não traz benefícios concretos além da suposta agilidade. “Mas de que adianta agilizar o embarque se a demanda continua a mesma e o número de frotas também?”, indagou Rebeca.

“O usuário só vai ter que correr mais para se apertar feito lata de sardinha, andar no calor e ainda correr risco de assalto. Não vejo pontos positivos nessa medida”, disse Rebeca.

 

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