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Sem Vila Olímpica, atletas amazonenses improvisam e sonham com Paris 2024

Apesar de perderem Tóquio, atletas profissionais não deixaram a pandemia sufocar metas para o Troféu Brasil nem para as olimpíadas de Paris 2024
• Publicado em 15 de abril de 2021 – 08:00
Foto: Márcio Silva

MANAUS, AM – Faltando menos de 3 meses para as olímpiadas de Tóquio, atletas amazonenses improvisam trajetos e fazem manobras para não deixarem a pandemia do coronavírus sufocar o sonho de conquistar vagas para Paris 2024. Em Manaus, a linha de largada para quem está na corrida pelo Troféu Brasil inicia nas ruas da capital, já que a Vila Olímpica continua inoperante.

Do mesmo modo, esportistas amazonenses lamentam não conseguirem vaga para o mundial, mas não deixam de sonhar com o Troféu Brasil, por enquanto, ainda previsto para acontecer no mês de agosto de 2021.

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O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou em janeiro que não existe “plano B” e que as olímpiadas de Tóquio serão realizadas de julho a agosto de 2021, independente de como os atletas estão se preparando para os jogos nessa pandemia. Pedro Nunes poderá representar o Brasil e o Amazonas no lançamento de dardo. Ele foi o único amazonense a entrar na lista larga, para obter índice para os jogos, pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Em contrapartida, decretos emergenciais ainda não permitiram o retorno de atividades na Vila Olímpica. O medalhista olímpico Sandro Viana passou por situações parecidas em outros momentos e tem acompanhado atletas do estado. Ele revela as dificuldades que esportistas têm passado.

“O atletismo é um esporte livre, praticado em ar livre. A pandemia afetou o esporte e os atletas de diversas maneiras possíveis. O esporte não está sendo praticado em nenhuma modalidade. Isso prejudica diretamente os atletas, treinadores, grupos de corrida e a própria federação amazonense de atletismo”, declara.

Sonhos e Improvisos

Quem sente essas dificuldades na pele são as gêmeas Evelyn e Ellen Cunha. Elas são atletas nas modalidades de fundo e meio fundo. As gêmeas estão no esporte há mais de 3 anos, e já conquistaram diversas medalhas para o Amazonas. Elas nunca ficaram sem correr até chegada da pandemia.

Moradoras da zona Leste da capital, Evelyn e a irmã buscam despistar o desânimo e se arriscam correndo nas ruas da capital amazonense.

“Toda essa situação tem desanimado muito a gente. Não temos conseguido treinar adequadamente. Por exemplo, na Vila Olímpica tem toda a metragem então o que conseguimos improvisar é a longa distância aqui pelas ruas. É perigoso, alguns dias atrás quase fomos atropeladas nesses treinos. Por conta da pandemia, o atleta está sem fazer os treinos, sem competições e, principalmente, sem ânimo. As olimpíadas de Tóquio estão muito em cima, mas podemos vencer o Troféu Brasil”, declara Evelyn.

Foto: Márcio Silva

Correndo atrás do prejuízo

Dificuldades como essa também são obstáculo para o homem mais rápido do Amazonas. Jefferson Lopes (22) se prepara para o Troféu Brasil e não deixou a pandemia frear a corrida pelo ouro na competição dos 400 metros, especialidade do corredor.

Jefferson também é morador da zona Leste da capital e improvisa treinos em regiões periféricas da cidade. Do mesmo modo, o atleta também sente falta do espaço destinado aos treinos profissionais. No entanto, ele não deixa de sonhar com o Troféu Brasil, nem com as Olímpiadas em Paris 2024.

Foto: Márcio Silva

“Eu estou adaptando meu treino em casa mesmo. Faço alguns tiros perto de casa no campo, já que a Vila Olímpica de Manaus está fechada para os atletas. Até agora não há nenhuma previsão de abertura. Isso prejudica muito o atletismo. Treino aqui no Campo do Soldado, minha meta esse ano é tentar medalhar nas regiões Norte e Nordeste, no troféu Brasil e, quem sabe, na Olimpíada de Paris 2024”, diz o atleta.

Jogos Olímpicos 2024

Os jogos olímpicos de 2024 serão sediados em Paris, no calendário oficial do COI. As datas preveem jogos a partir do 21 de julho. Para acesso às vagas, atletas de todos os estados brasileiros precisam integrar um índice de atividades e títulos em competições nacionais.

Além disso, Sandro Viana explica que, por enquanto, sem calendário da CBAT e sem treinos profissionais adequados, o sonho pode parecer distante. Entretanto, ele diz que é possível alcançar as vagas.

Foto: Márcio Silva

Sandro Viana, ícone do atletismo

Nesse sentido Sandro entende. Ele iniciou a carreira em 2001, em Manaus. Mesmo aos 24 anos (idade avançada para começar), ele treinou ao lado de crianças e conseguiu evoluir. Quatro anos depois, o atleta saiu de Manaus para São Paulo para poder treinar. No mesmo ano, ele conquistou a medalha de bronze em Izmir, na Turquia. Esses foram os primeiros passos para a corrida que teria como linha de chegada a medalha de bronze herdada nos jogos olímpicos de Pequim.

“Vamos considerar que esse processo seja uma escada, ninguém consegue subir uma escada a partir do oitavo degrau. Numa escada é preciso subir o primeiro degrau, o segundo degrau e assim por diante. O mais importante para o esporte amazonense é que seja reestabelecido os degraus básicos. É impossível levar um atleta para os jogos olímpicos hoje sem essas condições, mas é possível garantir condições básicas a eles e essa deve ser a preocupação”, declara.

Sandro anunciou sua aposentadoria em 2019, mas nunca deixou o esporte.

Olímpiadas de Tóquio

Ainda assim, apesar das dificuldades e da falta de espaço, o atletismo no Amazonas tem sobrevivido e se adaptado. Para ter acesso a vaga para os jogos de Tóquio, Pedro precisa bater a marca de 85m, em 2020  marca era 74m. Sem lugar para os lançamentos, os treinos sofreram adaptações, ele é preparado pela treinadora Margareth Haiden.

“Estamos tentando manter uma rotina de treino com predominância na preparação física. Pedro não tem onde fazer os lançamentos, a pista da Vila Olímpica não pode ser usada para isso”, diz a treinadora.

Os índices podem ser obtidos em qualquer competição oficializada pela Confederação Brasileira. O atleta também busca o Troféu Brasil e se prepara para Pan Americano, sub23.

“As expectativas estão boas, tenho conseguido voltar aos treinos bem, de forma que eu não venha a machucar. Se tudo dê certo, na outra semana sai a lista de atletas que vão para o sulamerica que será em Buenos Aires”, diz o atleta.

Pedro Nunes treinando em casa

A FEDAEAM e FAAR

Contudo, as federações realizam as competições regionais e nacionais, como por exemplo, a série C, o Barezão e o Brasileirão. Do mesmo modo, elencos inteiros de futebol entram em campo, mas a Vila Olímpica segue fechada para treinos inclusive ao ar livre.

O Portal Amazonas1 entrou em contato com a Federação Desportiva de Atletismo do Estado do Amazonas (FEDAEAM) e a Fundação Amazonas de Alto Rendimento (FAAR) para saber como tem sido a ajuda aos atletas nesta pandemia.

Por meio de nota, a Federação Amazonense explica que segue as medidas determinada pela CBAT e pela FAAR, sobre treinos e eventos esportivos. O estado ordenou o fechamento da Vila Olímpica baseado no número de casos registrados por coronavírus.

Confira nota

 

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