O pedido aguarda a leitura do presidente do Senado, Eunício Oliveira . (Foto: Amazonas1/Divulgação)
Em meio a greves e à implantação de medidas pelo Governo para tentar conter as manifestações contra a alta nos valores dos combustíveis, a senadora Vanessa Grazziotin apresentou na noite da terça-feira, 29, um requerimento que solicita a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a política de preços adotadas pela Petrobras. O documento recebeu as assinaturas do senador Omar Aziz (PSD), líder da bancada do Amazonas, e do senador Eduardo Braga (MDB), além de outros 27 senadores, garantindo a legalidade para iniciar o processo de investigação, no Senado.
Agora, o pedido de CPI só aguarda a leitura do presidente Eunício Oliveira para começar a tramitar na Casa Legislativa. Após a leitura será determinado que os senadores, que são líderes indiquem os membros para que aconteça a instalação da Comissão e início dos trabalhos.

Vanessa Grazziotin e Omar Aziz encabeçam lista de assinaturas para a abertura da CPI da Petrobras (Senado)
De acordo com o requerimento, a CPI será composta por sete membros titulares e cinco suplentes e terá o prazo de trinta dias para investigar a nova política de preços adotada pela empresa a partir de outubro de 2016. O período investigado corresponderá do mês de junho de 2016 até o momento. A comissão irá investigar também a ‘política de desinvestimento e seus reflexos na composição dos preços dos combustíveis’.
Para a senadora Vanessa, a política em curso não atende ao interesse nacional. No texto documento ela afirma que “a empresa está desintegrada com o plano de neócios, com saída do transporte de gás, dos biocombustíveis, da petroquímica, dos fertilizantes, da energia elétrica, etc. Além de estar se concentrando na produção de petróleo, e deixando de ser empresa de energia”.
O requerimento diz, ainda, que as riquezas naturais devem servir para atender as necessidades da população brasileira e não aos anseios alheios. A adoção de modelo de negócios baseado em premissas falsas, tem o objetivo de maximizar o valor para o acionista no curto prazo, comprometendo o futuro da empresa em prejuízo do Brasil.
Por fim, o texto afirma que a paralisação dos caminhoneiros trouxe à tona a falência dessa política que tem onerado o consumidor brasileiro em detrimento do favorecimento da importação de derivados e a exportação do petróleo cru, deixando as unidades de refino da companhia operando abaixo da capacidade instalada de produção, sem atender a demanda nacional em preço real.
Fora da realidade
Em discurso no Senador Federal, Omar enfatizou que o presidente da companhia, Pedro Parente ‘adotou uma política de preço confortável à ele, confortável aos grandes investidores e não à sociedade. O parlamentar afirmou que Parente poderia ter tirado a Petrobrás da insolvência com doses homeopáticas e não perpetuando um verdadeiro sacrifício à população.
“A população é quem necessita desse combustível, ele poderia ter feito isso aos poucos, não dando duzentos e vinte e nove reajustes em menos de um ano para a gasolina, duzentos e vinte e quatro reajustes para o diesel, não sei quantos reajustes para o gás, mas sei que aumentou em 88% o preço do gás de cozinha que serve as pessoas no Brasil”, destacou o político.
Para Omar, Parente não teve sensibilidade, uma vez que pensou apenas no lucro e não na população brasileira que é a ‘grande proprietária da Petrobras’.
“Temos que ver essa questão urgente, não é só o diesel, mas o aumento da gasolina, o gás de cozinha. Precisamos discutir isso hoje e não esperar mais greves, a política de preço praticada pela Petrobras hoje não é compatível com a renda do povo brasileiro, já que nenhum trabalhador tem seu salário dolarizado, as pessoas ganham em real. Isso não é uma política de preço saudável”, disse o senador.





