Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Brasil

Setor privado é convocado pela COP30 para colaborar com ações climáticas

A carta destaca o avanço promovido pelo setor para aceleração da transição verde, ressaltando que é necessário avançar de forma exponencial.

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(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Brasil – A presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), liderada pelo embaixador André Correa do Lago, divulgou nesta sexta-feira (28) mais uma carta à comunidade internacional. O comunicado convida o setor privado a integrar a agenda de ação proposta anteriormente pela liderança brasileira.

“Para uma COP ser de implementação ela precisa de ação e, para isso, é essencial ter os atores além dos Estados. Os Estados, obviamente, são essenciais porque são os únicos que negociam, também são importantíssimos porque governam, mas a gente quer acentuar a presença dos entes subnacionais, das universidades, da sociedade civil, das pessoas, dos indivíduos e, neste caso, do empresariado”, destacou Correa do Lago em entrevista.

A carta destaca o avanço promovido pelo setor para aceleração da transição verde, mas ressalta que agora é necessário avançar de forma exponencial. “O impacto do nosso trabalho nos próximos 30 anos dependerá da nossa capacidade de criar as condições regulatórias, econômicas e sociais nacionais para que os objetivos do Acordo de Paris funcionem para as pessoas e para as empresas”, reforça.

Rio de Janeiro (RJ), 15/08/2025 - O presidente da COP 30, embaixador André Aranha Corrêa do Lago, fala durante treinamento para novas lideranças climáticas promovido pelo Climate Reality Project, organização sem fins lucrativos de ação climática, no hotel o Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, divulga carta à comunidade internacional – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

De acordo com Corrêa do Lago, a COP30 pode ser o local que definirá as novas regras para o mercado mundial, com soluções capazes de abrir novas frentes de negócios transformadores.

Transição energética

A carta destaca que essa mudança é inevitável e cita o exemplo da transição energética que movimentou mais de US$ 2 bilhões em investimentos globais no último ano e gerou 35 milhões de empregos em 2023, segundo relatório das Nações Unidas.

A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, lembrou que isso é reflexo do trabalho de muitas empresas pioneiras que já atuam nessa transformação.

“Mas esse chamado é para que as empresas atuem ainda mais, não só as pioneiras e os visionários, mas todos, para dar escala e acelerar o processo da maneira que a gente precisa no combate à mudança do clima”, disse.

Para o embaixador, o setor, ao perceber as oportunidades econômicas, é capaz de ir além do que governos gostariam ou recomendariam à iniciativa privada. “Estamos criando uma nova dinâmica do setor privado, com uma autonomia que não é relacionada à negociação e sim aos ganhos que ele pode fazer ao utilizar essa nova maneira de atuar”.

Na carta, a presidência brasileira da COP30 sugere que o setor se oriente por meio do primeiro Balanço Global (GST, na sigla em inglês), instrumento de avaliação do Acordo de Paris, apresentado na COP28. Também é informado que iniciativas sugeridas anteriormente pelo setor privado estão sendo mapeadas e otimizadas para facilitar o monitoramento das ações em andamento.

Nova ferramenta

A nova ferramenta funcionará a partir da atuação de um Grupo de Ativação, que reunirá iniciativas pioneiras, escaláveis e reais, em uma plataforma chamada de Celeiro de Soluções. Cada iniciativa será acompanhada de um Plano de Aceleração de Soluções, com sugestões de ajustes de políticas, parcerias e financiamento necessário.

Segundo André Corrêa do Lago, o mecanismo é uma provocação ao secretariado da Convenção Climática de que é necessário o acompanhamento para que a ação avance além das negociações, mas para incentivar e não de constranger.

“A questão do monitoramento é central, porque quando a gente foi fazer o levantamento de tudo que já tinha sido apresentado nas agendas de ação anteriores, a gente se deu conta de que tinha quase 490 iniciativas. Ninguém lembra nem de 30, então tem ações que a gente já podia fazer”, acrescentou o embaixador.

Na carta, a presidência da COP30 sugere que a colaboração público-privada é capaz de fazer frente à urgência que a crise climática exige e ainda criar oportunidades vantajosas para todos. “A transição para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima é agora um dos maiores motores de inovação e crescimento da história. Da energia limpa e agricultura regenerativa às cadeias de abastecimento circulares e soluções baseadas na natureza, as fronteiras dos negócios sustentáveis expandem-se exponencialmente — e o mesmo acontece com as oportunidades”, destacou.

O comunicado é concluído, reforçando o convite ao setor privado, CEOs, investidores, inovadores e empresários a irem à Belém colaborar e compartilhar soluções. A presidência da COP30 reconhece o desafio logístico do local escolhido, mas reforça: “A Amazônia é um símbolo da urgência planetária e o lar de pessoas cujas vidas incorporam tanto a linha de frente da crise climática quanto o coração de suas soluções. Vir a Belém é uma chance de trabalhar com afinco, ouvir, aprender e participar do espírito colaborativo do Mutirão Global”.

(*) Com informações da Agência Brasil

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