(Foto: RS/Fotos Públicas)
Manaus (AM) – Enquanto a esquerda classificam a ação dos Estados Unidos como um ataque à soberania nacional da Venezuela, lideranças da direita veem a captura do presidente Nicolás Maduro como um passo rumo à liberdade do povo venezuelano. O episódio ocorreu no último sábado (3), quando forças norte-americanas realizaram uma operação que resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e críticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem frisam que mantém proximidade política com Maduro, parlamentares do Amazonas celebraram a ação dos EUA. Entre eles está o deputado federal Alberto Neto (PL-AM), que defendeu a operação e pediu reflexão antes de críticas baseadas no discurso de soberania.
“Antes de adotar a crítica à captura de Maduro ou repetir o discurso de soberania nacional, é preciso refletir sobre quem foi Maduro e o que ele fez com o próprio povo”, afirmou o parlamentar em publicação nas redes sociais.
Segundo ele, a realidade da crise venezuelana foi sentida de perto no Amazonas com a chegada de milhares de imigrantes. “Vi famílias apavoradas chegando a Manaus em busca não de conforto, mas de sobrevivência. Era miséria, fome e repressão”, disse.
Alberto Neto classificou Maduro como um ditador e afirmou que o ex-presidente venezuelano governava enquanto a população passava fome. “Enquanto o povo vivia na miséria, ele se exibia em luxo. O que os Estados Unidos fizeram foi resgatar a liberdade de um povo aprisionado”, declarou.
No mesmo sentido, o vereador Carpê afirmou que a rejeição a Maduro entre os próprios venezuelanos se explica pela crise humanitária que levou milhões a deixar o país.
“Mais de 8 milhões de pessoas fugiram da Venezuela. Crianças passando fome, salário mínimo equivalente a poucos dólares, opositores presos, desaparecidos ou mortos. Ninguém abandona sua casa se não for pelo desespero”, disse.
Outros nomes da direita no Amazonas também se manifestaram em apoio à queda de Maduro, como o coronel Menezes, a deputada estadual Débora Menezes e o parlamentar Perigles, que destacaram o discurso de liberdade, democracia e reconstrução do país.
Esquerda reage e fala em soberania
Do outro lado, lideranças da esquerda criticaram duramente a ação norte-americana. A secretária nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Anne Moura, afirmou que a Venezuela deve ter sua soberania respeitada.
“Nenhum país pode impor seu caminho pela força. A América Latina precisa ser território de diálogo, paz e autodeterminação dos povos. Minha solidariedade ao povo venezuelano”, escreveu em postagem nas redes sociais.
O ex-deputado federal Marcelo Ramos também condenou a operação e afirmou que aqueles que comemoram a ação dos EUA são os mesmos que, segundo ele, apoiaram tentativas de ruptura democrática no Brasil. A declaração faz referência às investigações da Polícia Federal (PF) e aos processos em análise no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe de Estado atribuída a aliados do ex-presidente Bolsonaro.
Para Ramos, a captura de Maduro e a intervenção norte-americana revelam uma postura autoritária.
“Eu não sou defensor do governo Maduro. A discussão não é se o governo dele é bom ou ruim, mas se o presidente dos Estados Unidos pode sequestrar o presidente de outro país e anunciar que vai administrar essa nação”, afirmou.
O ex-parlamentar classificou como grave a justificativa apresentada por autoridades dos EUA, que citaram interesses econômicos, especialmente ligados ao petróleo venezuelano.
Reação de Lula
O presidente Lula classificou a ação como uma “afronta gravíssima à soberania” e afirmou que o ataque “ultrapassa uma linha inaceitável”. Em nota oficial e manifestações nas redes sociais publicadas em 3 de janeiro de 2026, ele declarou:
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.”
Flávio Bolsonaro, senador e figura central da oposição, teve uma reação diametralmente oposta à do governo federal. Ele comemorou a operação, classificando-a como uma “libertação” e aproveitou o momento para atacar diretamente o presidente Lula.
Operação militar e controle do petróleo
Além da captura de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, que serão julgados nos Estados Unidos por suposto envolvimento com o tráfico internacional de drogas, o governo norte-americano anunciou que pretende administrar a Venezuela temporariamente, até que seja realizada uma transição considerada “segura e adequada”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou ainda que empresas americanas passarão a controlar o setor de petróleo venezuelano, país que detém as maiores reservas comprovadas de óleo e gás do mundo.
A operação militar foi deflagrada ainda na noite de sexta-feira (2) e contou com um efetivo de 150 aeronaves, que partiram de 20 bases militares no continente. As forças especiais chegaram ao complexo onde Maduro estava alojado às 2h01, no horário local.
De acordo com o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Daniel Caine, as equipes teriam sido recebidas com disparos ao chegar à área-alvo, respondendo “em legítima defesa, de forma esmagadora”. Segundo o relato oficial, Maduro e sua esposa se entregaram sem resistência.
LEIA MAIS:







