(Foto: Banco Master/Divulgação e Rosinei Coutinho/STF)
Manaus (AM) – O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para decidir se abre uma investigação sobre as supostas relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. O julgamento ocorre em meio a uma crise interna na Corte e terá como base um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens atribuídas a Vorcaro.
O STF divulgou nesta segunda-feira (14) o rito da sessão, marcada para começar às 10h. Um ponto permanece em aberto: a Corte não confirmou se o próprio Moraes poderá participar do julgamento que discute a possibilidade de investigá-lo.
Após a abertura dos trabalhos pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, o processo será chamado para julgamento. Na sequência, o ministro André Mendonça, relator do caso Master, fará a leitura do relatório. A Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a palavra antes do início da votação dos ministros.
Mensagens colocaram Moraes no centro do caso
O julgamento foi provocado por informações encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Segundo relatório da PF, foram identificadas 52 mensagens que os investigadores afirmam ter sido enviadas pelo ex-banqueiro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025.
De acordo com a investigação, as mensagens indicariam uma relação de proximidade entre os dois. Em uma delas, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes informações relacionadas a um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, segundo a PF, o ex-banqueiro buscaria informações sobre a operação que resultou em sua prisão.
As respostas do interlocutor atribuído a Moraes não foram recuperadas pelos investigadores. Por isso, o material não permite, por si só, reconstruir integralmente o conteúdo das supostas conversas. Não há condenação ou conclusão judicial de que Moraes tenha cometido irregularidade; o que o STF decidirá nesta terça é justamente se existem elementos para a abertura de uma investigação.
PGR questiona relatório
A Procuradoria-Geral da República também levantou questionamentos sobre a forma como o material foi produzido e pediu ao Supremo a anulação do relatório da PF. Segundo a PGR, André Mendonça não poderia ter permitido o avanço de apurações envolvendo um ministro da própria Corte sem comunicação prévia ao plenário.
Paralelamente, a PGR defendeu que todos os ministros tenham acesso integral aos dados extraídos do celular de Vorcaro antes de formar posição sobre o caso. O órgão argumentou que diferenças no acesso às informações poderiam comprometer a igualdade de condições entre os integrantes do tribunal.
Mendonça, por outro lado, afirmou que o material necessário para o julgamento já foi disponibilizado e sustentou que liberar a íntegra dos dados do aparelho poderia colocar outras investigações em risco.
Crise dentro do Supremo
O caso ultrapassou a investigação sobre o Banco Master e abriu uma disputa direta dentro do STF. Após a divulgação do relatório envolvendo Moraes, o ministro apresentou a Fachin um documento que apontaria supostas irregularidades na condução das investigações por Mendonça e pediu a abertura de apuração contra o colega.
Esse segundo caso não será analisado nesta terça-feira. Fachin decidiu separar os procedimentos e marcou para 23 de setembro a análise envolvendo a atuação de Mendonça.
Além da dúvida sobre a participação de Moraes, também não está confirmada a presença de Dias Toffoli na votação. O ministro já havia se declarado impedido de participar de julgamentos relacionados ao caso Master.
A sessão desta terça será transmitida ao vivo pela TV Justiça e pela internet. Mais do que definir a abertura ou não de uma investigação, o julgamento coloca o próprio Supremo diante da tarefa de decidir como tratar suspeitas levantadas contra um de seus integrantes em meio a uma das mais graves crises internas recentes da Corte.
(*) Com informações da Agência Brasil
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