Manaus, 5 de novembro de 2026
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Cenário

TCE-AM cobra prefeita de Anamã por falta de esclarecimentos sobre R$ 4,6 milhões destinados à água

Kátia Dantas terá cinco dias para explicar a aplicação dos recursos de convênio estadual. Tribunal aponta ausência de documentos e falta de informações no Portal da Transparência.

Prefeitura de Anamã deverá prestar esclarecimentos ao TCE-AM sobre recursos destinados à melhoria do abastecimento de água. (Foto: Divulgação/IA/Montagem Portal AM1)

Anamã (AM) – O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) estabeleceu prazo de cinco dias para que a prefeita de Anamã, Kátia Maria Dantas Ribeiro, apresente esclarecimentos sobre a aplicação de R$ 4,6 milhões destinados à ampliação e melhoria do sistema de abastecimento de água do município.

A cobrança envolve recursos repassados por meio do Termo de Convênio nº 010/2024, firmado com a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), do Governo do Amazonas. A representação que originou o processo foi apresentada pela empresa RDA Comunicação e Consultoria Ltda., por meio de seu representante, Kleiton Renzo Rezk de Oliveira.

O questionamento envolve a falta de informações sobre a execução do convênio, incluindo documentos que comprovem a aplicação dos valores e o andamento das obras previstas.

Convênio recebeu mais de R$ 4,6 milhões

Conforme os dados apresentados na representação, o convênio recebeu duas parcelas. A primeira, no valor de R$ 1,5 milhão, foi transferida em julho de 2024. A prestação de contas dessa etapa foi aprovada pela UGPE com ressalvas.

A segunda parcela, de R$ 3.128.209,97, foi repassada em 30 de julho de 2025. Somados, os recursos chegam a R$ 4.628.209,97.

O acordo teve a vigência prorrogada por meio de termo aditivo até dezembro de 2026. Entretanto, questionamentos apresentados ao órgão de controle apontam que aproximadamente R$ 3,1 milhões permaneceriam nos cofres municipais sem comprovação da conclusão das obras e da correspondente execução física e financeira.

Prefeitura não apresentou documentos solicitados

Segundo as informações que fundamentam a representação, a Prefeitura de Anamã já havia sido cobrada, em agosto de 2026, a apresentar documentos como extratos bancários, diário de obras e comprovantes de pagamentos relacionados ao convênio.

Os questionamentos também apontaram que o Portal da Transparência do município não disponibilizava informações suficientes sobre o acordo, dificultando o acompanhamento da aplicação dos recursos pela população e pelos órgãos de fiscalização.

Diante da ausência de respostas e da documentação solicitada, o TCE-AM determinou que a prefeita apresente esclarecimentos no prazo estabelecido.

Decisão foi publicada no Diário Oficial

A decisão monocrática foi assinada pelo conselheiro-relator Mário Manoel Coelho de Mello e disponibilizada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-AM na terça-feira (3).

Além do prazo de cinco dias para apresentar justificativas, a determinação estabelece prazo de dez dias para que seja encaminhada à Corte de Contas a comprovação do cumprimento das medidas exigidas.

A cobrança do Tribunal busca esclarecer onde os recursos foram aplicados, qual o estágio das obras e se os valores repassados estão devidamente documentados.

Até a apresentação das justificativas e a análise dos documentos, os questionamentos permanecem em aberto. A representação e a determinação do TCE-AM não significam, por si só, que houve desvio de dinheiro público ou condenação da prefeita.

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