Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Três pessoas são indiciadas por crime de racismo contra vereadora Carla Leite em Maués

Os ataques ocorreram logo após um discurso da parlamentar na tribuna da Câmara Municipal, no fim de abril.

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(Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Maués)

Maués (AM) – A Polícia Civil do Amazonas indiciou três pessoas pelo crime de racismo contra a vereadora Carla Leite (PSD), em Maués, no interior do estado. Os ataques ocorreram logo após um discurso da parlamentar na tribuna da Câmara Municipal, no fim de abril.

Na ocasião, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou uma notícia de fato para apurar possíveis crimes de racismo e injúria racial contra a vereadora. A investigação iniciou-se após um perfil de notícias nas redes sociais publicar conteúdo ofensivo comparando Carla Leite a um “chimpanzé”, o que configura ofensa de cunho racista.

O caso ganhou repercussão na mídia local e foi denunciado pelo deputado estadual Rozenha (PMB) e pelo vereador Paulo Rodrigo (Republicanos), com apoio de outros parlamentares do município.

Indiciados responderão por racismo

A polícia identificou dois homens, de 37 e 52 anos, e uma mulher, de 49, como os autores das ofensas. Eles foram formalmente indiciados por racismo.

Segundo o delegado Roab Rocha, da 48ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Maués, a própria vereadora registrou o boletim de ocorrência relatando o caso. Após a denúncia, os autores excluíram a página com as publicações ofensivas, diante da repercussão negativa.

Os três indiciados responderão pelo crime de racismo e permanecem à disposição da Justiça.

Câmara e MP se posicionam

Em nota oficial, a presidente da Câmara Municipal de Maués, Renata Raitz, manifestou apoio à vereadora e repudiou os ataques.

“Racismo é crime, e atitudes como essas não serão toleradas em nossa sociedade. Nos solidarizamos com a vereadora Carla Leite e reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos humanos, da igualdade e do respeito à dignidade de todas as pessoas”, diz o texto.

As denúncias também apontam que as ofensas continuaram. Um servidor público da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) teria reforçado os ataques em nova publicação nas redes sociais, ampliando a disseminação do conteúdo discriminatório em sites e grupos locais.

Diante da gravidade, o promotor de Justiça Caio Lúcio Fenelon Assis Barros enviou ofício à Delegacia de Maués solicitando informações sobre a existência de inquérito policial. A unidade tem 20 dias para responder e, se houver investigação em andamento, deve encaminhar as diligências já realizadas.

Vereadora agradece apoio público

Nas redes sociais, a vereadora Carla Leite comentou o indiciamento e agradeceu o apoio do deputado estadual Rozenha, que acionou o Ministério Público para dar maior visibilidade ao caso. A parlamentar também reconheceu a atuação do secretário de Segurança Pública, coronel Vinicius Almeida.

“Gostaria de agradecer alguém muito especial nessa história. Há várias pessoas, mas foi o meu amigo, deputado Rozenha. Recebi também muito amor, empatia e sororidade por parte da população mauesense e de todo o estado do Amazonas. Gostaria de agradecer ao secretário de Segurança Pública, Vinícius; à Câmara Municipal, na pessoa do meu amigo Paulo Rodrigo; à deputada Alessandra; e ao promotor de justiça, Caio Barros, que foi super ágil em colocar o Ministério Público no radar desse crime”, afirmou Carla Leite.

 

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