Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

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Trump propõe Conselho da Paz como alternativa à ONU e convida Brasil

Iniciativa associada ao plano dos EUA para Gaza é vista como ameaça ao multilateralismo e à soberania de países.

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(Foto: Depositphotos Joasouza e Palinchak)

Manaus (AM) – A criação do chamado Conselho da Paz, proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem provocado reações divergentes na comunidade internacional, ao ser apresentada como uma alternativa às atuais estruturas da ONU e como peça central do plano americano para Gaza.

A iniciativa levantou críticas diplomáticas e receios sobre violação de soberania, ao mesmo tempo em que dividiu governos convidados a integrar o novo órgão.

Nesse contexto, o governo brasileiro foi convidado a participar do Conselho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a carta na sexta-feira (16), mas ainda não respondeu, segundo fontes do Palácio do Planalto. O Itamaraty confirmou a impressa a existência do convite, mantendo em sigilo os detalhes do projeto.

Além do Brasil, países como Turquia, Canadá, Egito e Argentina também foram convidados, assim como mais de uma dezena de líderes mundiais. A proposta, segundo o jornal israelense Haaretz, define o Conselho como um organismo internacional “mais ágil e eficaz” para a consolidação da paz, defendendo o abandono de instituições que “falharam repetidas vezes”, em crítica indireta à ONU. O documento não menciona Gaza nominalmente.

Diplomatas de países emergentes avaliam que a iniciativa pode legitimar anexações, ocupações e violações de soberania alinhadas aos interesses dos EUA. Há ainda o temor de que o Conselho concorra com a ONU como principal fórum decisório global e enfraqueça blocos como o Brics.

O convite ao Brasil ocorre apesar da resistência do governo de Israel, que não concorda com a lista de países chamada por Trump e considera Lula persona non grata em Tel Aviv.

Na carta enviada aos líderes, Trump afirmou que o Conselho será “o mais impressionante e influente já reunido” e que atuará sob sua presidência para construir uma “paz duradoura”. A Casa Branca informou que o órgão terá papel central na implementação dos 20 pontos do plano americano para Gaza.

Foi anunciado ainda um Conselho Executivo fundador, com nomes como o secretário de Estado Marco Rubio, Jared Kushner, Steve Witkoff e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. A participação de Blair gerou críticas devido ao seu papel na invasão do Iraque em 2003.

Enquanto o governo brasileiro mantém cautela, o presidente argentino Javier Milei celebrou publicamente o convite e afirmou que a Argentina será membro fundador do novo Conselho.

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