(Foto: Paulo Pinto /Agência Brasil)
Manaus (AM) – Os dados do Atlas da Violência 2026 revelam um crescimento contínuo dos registros de violência contra a população LGBTQIA+ no Brasil. O levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que as notificações de agressões contra homossexuais, bissexuais, transexuais e travestis aumentaram em 2024, reforçando a preocupação de especialistas com a proteção desses grupos.
De acordo com o estudo, as notificações de violência contra homossexuais e bissexuais cresceram 5,5% entre 2023 e 2024, alcançando 10.250 registros. Os casos envolvendo pessoas transexuais e travestis também apresentaram alta de 2,5%, totalizando 5.575 notificações no mesmo período.
Entre os homossexuais, os registros passaram de 7.043 para 7.378 ocorrências, aumento de 4,8%. Já entre pessoas bissexuais, o crescimento foi ainda maior, de 7,4%, saltando de 2.675 para 2.872 casos.
No grupo de pessoas trans e travestis, as mulheres trans concentraram a maior parte das notificações, com 3.594 registros em 2024, mais que o dobro do número registrado entre homens trans, que somaram 1.299 casos. As travestis contabilizaram 682 notificações, representando aumento de 4,1% em relação ao ano anterior.
Os dados históricos também evidenciam a dimensão do problema. Entre 2014 e 2024, as notificações de violência contra homossexuais e bissexuais cresceram 212,7%. O avanço foi especialmente expressivo entre pessoas bissexuais, com aumento de 781% no período, enquanto entre homossexuais a alta foi de 149,9%.
Ao longo da década analisada, o sistema de saúde registrou 59.790 casos de violência contra homossexuais e bissexuais e 35.779 ocorrências envolvendo pessoas trans e travestis.
O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, afirmou que a violência contra grupos minoritários tem aumentado em diversos contextos. Segundo ele, a situação exige maior atenção do poder público e da sociedade.
O estudo destaca ainda uma deficiência estrutural na coleta de informações sobre crimes motivados por preconceito contra pessoas LGBTQIA+. Para os pesquisadores, o Estado brasileiro ainda falha em registrar de forma sistemática a motivação dessas ocorrências, gerando uma “invisibilidade institucional” que dificulta a elaboração de políticas públicas eficazes.
Outro aspecto apontado pelo levantamento é o recorte racial das vítimas. Pessoas negras representam 67% das travestis vítimas de violência e 61% das mulheres trans notificadas nos sistemas de saúde. Entre os homens trans, pessoas negras também são maioria, correspondendo a 55% dos registros.
Especialistas avaliam que a combinação entre discriminação de gênero, orientação sexual e desigualdades raciais contribui para ampliar a vulnerabilidade desses grupos, tornando fundamental o fortalecimento das políticas de proteção e monitoramento da violência no país.
(*) Com informações da Agência Brasil
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