Foto: Agência Brasil
Manaus – Em período de eleições, é comum as pessoas dispensarem a escolha dos candidatos e votarem em branco ou nulo. Durante essa época, também surgem boatos sobre a votação, como é o caso de que o voto em branco é direcionado para candidatos que estão na disputa. Para desvendar as dúvidas sobre a votação, o Portal AM1 conversou com o cientista político Helso Ribeiro, que explicou como realmente funciona o voto em branco e nulo.
Durante as eleições, as notícias falsas acabam se espalhando, mas é importante que a sociedade esteja bem informada para evitar equívocos na hora de votar. Segundo ele, o voto em branco, voto nulo e não ir votar são a mesma coisa.
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“São votos considerados inválidos. As pessoas é como se não tivessem ido votar, então, não servem para nada na eleição”, disse. Conforme explicação dele, o voto em branco demonstra o interesse do eleitor para escolher os candidatos, diferente do voto nulo, que é apontado como a discordância das eleições.

“Doutrinariamente, o voto em branco significa ‘eu não estou nem aí, não quero saber’. O voto nulo significa ‘eu discordo desse sistema eleitoral, discordo da forma como estão sendo direcionadas as eleições’. Na prática, o voto nulo, branco e não ir votar é a mesma coisa”, afirmou.
Voto em branco vai para algum candidato?
Conforme o cientista político, o rumor de que se o eleitor optar por votar em branco, o voto é direcionado para algum candidato na disputa, não é verdadeiro. Ribeiro destacou que, tanto o voto em branco quanto nulo, são invalidados.
“Em épocas eleitorais, as notícias falsas acabam se proliferando. Se a pessoa votar nulo, não conta para ninguém. É bom lembrar que a urna eletrônica tem uma tecla que permite a pessoa a votar em branco. Já o voto nulo, ela tem que digitar um número que não existe e confirmar”, disse.
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O cientista político ainda ressaltou que o voto nulo ou em branco não pode anular uma eleição, e tampouco ser direcionado para qualquer que seja o candidato.
“Um outro boato muito comum é que se todo mundo anulasse o voto, teria outra eleição. Primeiro que isso é impossível, mas vamos supor que numa cidade e num estado que tenha 100 mil eleitores; caso 99 mil anulassem o voto, uma pessoa tivesse dado o voto, esse único voto elegeria o candidato”, explicou.
Votos invalidados
Nas eleições de 2018 em que estiveram na disputa o presidente Jair Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT), o percentual de votos nulos, no segundo turno, foi o maior registrado desde 1989. O número de votos em branco somou 2,4 milhões. No Amazonas, por exemplo, foram mais de 116 mil pessoas que anularam o voto, o que representa 6,2% da média nacional.
Com isso, foram mais de 42 milhões de brasileiros que se negaram a escolher entre Bolsonaro e Haddad, em 2018. Em comparação com o resultado das eleições, Bolsonaro recebeu quase 58 milhões de votos quando se elegeu presidente. No entanto, caso os brasileiros que votaram em branco ou nulo optassem por um dos candidatos, o rumo da história poderia ser outro.





