Manaus, 23 de agosto de 2026
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Cenário

Após 7 anos, Wilson agora promete mudar saúde no interior do AM

Ex-governador e candidato ao Senado diz que melhores serviços estão na capital, mas problemas na saúde são relatados em Manaus e no interior.

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(Foto: Divulgação/Assessoria)

Manaus (AM) – Depois de mais de sete anos à frente do Governo do Amazonas, o ex-governador e atual candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil) afirmou que a saúde oferecida no interior ainda precisa avançar. A declaração ocorre justamente no momento em que ele tenta apresentar sua experiência no Executivo estadual como parte do discurso de campanha.

Durante uma agenda política, Wilson afirmou que existe uma grande diferença entre os serviços disponíveis na capital e nos municípios do interior.

“Eu tenho um carinho muito grande por quem mora no interior, porque sei que há uma distorção muito grande em quem está na capital e no que está no interior. Tudo de bom só tem na capital, é atendimento médico, é escola, a gente tem que trazer também para o interior e eu trabalhei muito para que isso acontecesse, mas a gente precisa avançar ainda mais”, declarou.

A fala levanta uma questão inevitável: se a diferença entre Manaus e o interior continua sendo reconhecida pelo próprio ex-governador, o que foi feito durante os mais de sete anos em que Wilson Lima esteve à frente do Estado?

Entre 2019 e abril de 2026, Wilson comandou o Executivo estadual e teve tempo para implementar políticas de descentralização da saúde e estruturar os serviços oferecidos nos municípios. Mesmo assim, ao deixar o cargo para disputar o Senado, o problema continua aparecendo como uma das pautas da campanha.

Problemas no interior continuam

Um dos exemplos mais recentes está em Tabatinga, no Alto Solimões. O Hospital Regional do município entrou na mira de obras de reforma e ampliação apenas na reta final da gestão de Wilson Lima, com previsão de aumento da capacidade da unidade e ampliação dos serviços oferecidos à população. A obra, no entanto, também passou a ser alvo de críticas e denúncias relacionadas a atrasos.

Durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Wilker Barreto afirmou que o hospital já enfrentava problemas antes da reforma e que a intervenção teria agravado a situação, deixando parte do prédio destruída e os serviços sem conclusão.

Agora, já fora do governo, Wilson voltou a tratar da situação do atendimento no município e afirmou que é necessário resolver problemas relacionados à estrutura de urgência e emergência. Ele informou, na sexta-feira (21), que a primeira etapa da obra será concluída em setembro.

O episódio reforça uma questão que acompanha a rede estadual há anos: a dificuldade de oferecer no interior serviços que obriguem pacientes a viajar para Manaus ou para outros Estados em busca de tratamentos especializados.

E a saúde da capital?

O próprio Wilson também afirmou que “tudo de bom” estaria concentrado em Manaus. A realidade relatada por profissionais da saúde e usuários, no entanto, mostra que os problemas não estão restritos ao interior.

Um exemplo recente foi denunciado pela engenheira civil Vilciane Araújo, que publicou vídeos nas redes sociais relatando a situação do pai, diagnosticado com estenose aórtica e que precisa realizar um procedimento TAVI.

Segundo Vilciane, o paciente está inserido no sistema de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), mas ainda não havia sido transferido para outro Estado para realizar o procedimento. De acordo com o relato, a cirurgia não é realizada no Amazonas e o custo na rede privada chegaria a aproximadamente R$ 200 mil.

“Nas redes sociais é postado como se tudo tivesse mil maravilhas, como se estivesse tudo bem”, afirmou. A engenheira também questionou a demora para que o tratamento fosse autorizado.

“Nem o meu pai é transferido para outro Estado para fazer essa cirurgia, nem o governo transfere ele, paga essa cirurgia no particular”, declarou.

Segundo Vilciane, a demora é especialmente preocupante diante da condição clínica do pai. “Meu pai precisa dessa cirurgia para continuar vivendo. A vida dele está em risco”, afirmou.

Atrasos também atingem profissionais da saúde

Além dos relatos de pacientes, atrasos em pagamentos a profissionais e prestadores de serviços da saúde também têm sido motivo de reclamações na rede estadual.

O problema atravessou a mudança de governo. A gestão de Roberto Cidade, que assumiu o comando do Amazonas em abril de 2026, herdou contratos, estruturas e compromissos firmados durante a administração Wilson Lima. Eventuais problemas ocorridos atualmente, porém, passam a ser de responsabilidade da atual gestão.

A situação mostra que os desafios apontados por Wilson Lima não desapareceram com sua saída do cargo. Ao contrário, problemas relacionados ao atendimento, à estrutura hospitalar e aos pagamentos continuam aparecendo no cotidiano da rede pública.

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