Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Decreto de Bolsonaro favorece o avanço do desmate na Amazônia

Governo do Amazonas não se manifesta. Bancada federal em Brasília também não

Em 18 anos, Amazônia perdeu área maior que estado de São Paulo, aponta IBGE

(Foto: reprodução)

Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e publicado no Diário Oficial da União (DOU) na última terça-feira, 5, pode contribuir para o avanço do desmatamento na Amazônia. O documento de número 10.085/2019 revoga o decreto anterior, nº 6.961/2009, que criava o zoneamento ecológico da cana-de-açúcar e impedia a plantação da cultura em áreas sensíveis, como a Amazônia e o Pantanal.

Se isso for adiante, a exploração do solo amazônico para a plantação de cana-de-açúcar – atualmente focada no Nordeste brasileiro – pode virar uma realidade e novas áreas poderão ser desmatadas, como alerta o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, autor do decreto anterior assinado à época pelo então presidente Lula.

Conforme dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a Amazônia registrou em setembro deste ano 80% de desmatamento na região em relação a igual mês de 2018. Foram desmatados 802 Km² no mês de setembro deste ano contra 444 Km², em setembro de 2018. Os Estados do Amazonas, Pará e Rondônia lideram o ranking dos mais desmatados.

O decreto foi assinado ainda pelos ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e Economia, Paulo Guedes.

Resposta genérica

O Amazonas1 procurou o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, para repercutir essa decisão e, por meio de nota, ele respondeu que a secretaria está acompanhando o processo e, considera importante a diversificação econômica para a região, mas com respeito total à legislação ambiental. “Caberá ao Sistema Estadual de Meio Ambiente, liderado pela SEMA, bem como aos órgãos ambientais federais, acompanhar as atividades para que essas normas sejam cumpridas”, limitou-se a informar.

A reportagem questionou Taveira se o governo vai reagir a esse decreto e, de forma genérica, ele respondeu que o papel da pasta na atual gestão é promover o desenvolvimento econômico e social, conciliando com a conservação ambiental do Amazonas.

“Atualmente existe uma legislação ambiental mais atualizada, via código florestal, em relação à época do decreto. O papel do Sistema Estadual de Meio Ambiente, liderado pela SEMA, é garantir a aplicação da legislação ambiental para que a atividade produtiva gere o menor impacto ambiental possível”, respondeu.

A reportagem também procurou a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) para saber o posicionamento do governo, mas até a publicação desta matéria não obteve retorno.

Os senadores Eduardo Braga (MDB), Omar Aziz (PSD) e Plínio Valério (PSDB) também foram procurados pelo Amazonas1 para comentar esse decreto, mas não responderam ao contato da reportagem. Plínio Valério disse que iria se informar mais sobre o decreto, mas não retornou o contato.