Foto: Marcos Corrêa/PR
Brasília, DF – Candidato à Presidência e ex-ministro do governo federal, Sergio Moro afirmou que preferiu ser alvo dos ataques do presidente Jair Bolsonaro, além de críticas dos apoiadores, do que ser “cúmplice”. Moro deixou o cargo de ministro da Justiça após alegar interferência do chefe da República na Polícia Federal, em abril de 2020.
Em entrevista à Rádio Tupi, ele comentou da promessa que Bolsonaro fez sobre a atuação de Moro no governo federal, em que teria carta-branca para combater a corrupção. Na época, Moro era ovacionado pela direita pelas investigações da Lava Jato, que ocasionou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção.
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“Você vai percebendo que aquela promessa que ele [Bolsonaro] tinha feito para você, de que eu ia ter carta-branca para combater a corrupção e fazer meu trabalho, que ele não ia proteger ninguém, era mentira. Mas fui ficando [no ministério] porque acreditei que era possível fazer alguma coisa ainda. Até que chegou em um limite, que ele tomou aquela decisão de interferir na PF, aí eu falei: ‘agora não posso ficar mais’. Agora é escolher ser alvo de ataques do grupo dele ou ser cúmplice dele. Eu prefiro ser alvo”, destacou.
Em desabafo, Moro afirmou que percebeu que Bolsonaro não apoiava as pautas quando esteve à frente do Ministério da Justiça, e classificou a atitude do presidente como uma “sabotagem” ao seu trabalho. Além disso, o ex-ministro ressaltou o orgulho em que sente por não ter defendido Bolsonaro ou qualquer membro do governo federal em investigações.
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“O presidente até disse lá que ele não gostava de mim porque eu não protegi a família dele da investigação da PF, do Coaf, da Receita Federal. Isso é um absurdo. Eu tenho orgulho de não ter protegido ele porque eu sempre tive um compromisso com a lei e a lei não pode proteger ninguém, ainda mais político lá em Brasília fazendo coisa errada. Então, assim, a minha proposta é falar com a verdade. Se a verdade desagradar o Bolsonaro ou o Lula, paciência, mas a verdade é essa”, disse.
Moro ainda afirmou que jamais iria proteger o presidente Jair Bolsonaro em investigações, e disse que esse é o motivo pelo qual Bolsonaro o ataca. “Ele fala que ele ficou desapontado comigo porque eu não agi para proteger os filhos dele da investigação da Receita e do Coaf. Como é que eu vou fazer isso? Olhar na cara dos brasileiros e estar protegendo o presidente da República de investigação, protegendo quem fez coisa errada. Eu jamais ia fazer isso”, completou.
(*) Com informações do Uol
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