Manaus, AM – Em um ano repleto de escândalos, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), resolveu esconder as polêmicas na gestão e amaciou o ego em uma retrospectiva compartilhada nas redes sociais nessa segunda-feira (27).
No vídeo publicado, o prefeito também mostra a cheia histórica que atingiu a capital amazonense, mas não mostra o escândalo dos fura-filas da vacina, nem o pedido de prisão contra ele. A retrospectiva de David Almeida ignora escândalos como o dos apartamentos do Residencial Manauara, os quais foram manchetes nacionais.
O prefeito manauara também esqueceu de citar a falta de transparência em licitações.
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Fura-fila
Logo no primeiro mês em que assumiu a Prefeitura de Manaus, David Almeida estampou noticiários nacionais após a cidade iniciar a vacinação contra a covid-19. Isso porque funcionários da prefeitura foram denunciados por estarem furando a fila para receber o imunizante.
Naquele momento, o grupo prioritário eram profissionais da saúde, mas tiveram pessoas recém-nomeadas pela Prefeitura de Manaus que receberam a dose. A secretária municipal de Saúde, Shadia Fraxe, o secretário de Limpeza Urbana (Semulsp) de Manaus, Sabá Reis e a secretária da Mulher, Assistência Social e Cidadania, Jane Mara Silva de Moraes Oliveira, também receberam a dose da vacina fora do grupo prioritário.

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Por conta das denúncias, o Ministério Público do Amazonas chegou a pedir a prisão preventiva e afastamento do cargo para Fraxe e David Almeida, no entanto, por ainda estar em processo de investigações, ninguém foi preso. Para David, as acusações de fura-fila não passaram de fake news e nenhum dos secretários foi investigado.

Enchente em Manaus
Sobre a cheia histórica, Almeida afirmou que a enchente desafiou a gestão, mas a melhor resposta para os problemas foi o ‘’trabalho’’. Os métodos da Prefeitura de Manaus para ajudar os moradores atingidos pela cheia não foram eficientes e inovadores. Pagamento de auxílio para as famílias, que já será cancelado em janeiro, entrega de cestas básicas, que virou motivo de denúncia, doação de colchão, que também virou motivo de denúncia e construção de palafitas foram a maneira que David Almeida encontrou para ajudar os moradores.
Com uma cheia histórica atingindo Manaus, o prefeito usou o momento da retrospectiva para se promover. No vídeo, ele afirmou que a Prefeitura de Manaus ‘‘transformou o caos em oportunidades’’. Entre as oportunidades, ele citou o Centro da cidade como ponto turístico na enchente, mesmo a água sendo contaminada e um risco para a saúde da população.
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Vale lembrar que, mesmo com o nível das águas do Rio Negro subindo em dezembro de 2021, a Prefeitura de Manaus ainda não possui plano de ação para a cheia de 2022, que pode ser mais severa. Apenas manteve o estado de calamidade pública, o que lhe dá o direito de contratar mais “amigos” sem licitação.
Apartamentos para conhecidos
Denúncia noticiada no Jornal Nacional, a entrega dos apartamentos do Residencial Manauara, da Prefeitura de Manaus, teve na lista de contemplados diversos nomes ligados ao prefeito David Almeida.
Além dos funcionários do gabinete do prefeito e das funcionárias de secretarias da gestão David Alemeida, a reportagem denunciou que empresários com patrimônio de pelo menos R$ 100 mil também foram contemplados com os apartamentos; parentes da filha do prefeito também entraram na lista.
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Entre os contemplados com os apartamentos estavam Mariley Santos da Costa, assessora no gabinte do prefeito, que ganha R$ 4.800, Surreila Fernandes Rodrigues, que trabalha na subsecretaria de Assuntos Administrativos e recebe R$ 3.200, e a filha dela, Dayane Sabrina Rodrigues, que fatura na Prefeitura R$ 2.800, trabalhando na Subsecretaria de Assuntos Legislativos.
Após a repercussão, David Almeida disse que mandou exonerar os contemplados e ainda afirmou que mandou abrir uma investigação interna. Mas não citou como os privilegiados com salários e patrimônio abastados conseguiram passar na frente das pessoas de baixa renda.
Ruas esburacadas
Com a retrospectiva voltada para mostrar o prefeito e as ações feitas somente em uma situação durante todo o ano, moradores de diversas zonas da cidade sofreram, e ainda sofrem, com a falta de infraestrutura.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), com o bordão ‘’o trabalho não para’’, deixou a desejar no primeiro ano de gestão. A pasta gerenciada pelo vice-prefeito Marcos Rotta deixou alguns locais esquecidos e deu prioridade para vias principais, assim como toda a administração da Prefeitura de Manaus.
Ao decorrer do ano, foram diversas denúncias de ruas esburacadas que não foram contempladas com as ações da Seminf. O orçamento de R$ 5 bilhões da Prefeitura de Manaus não foi o suficiente para dar conta dos bairros da cidade, o que acabou prejudicando moradores, mas enaltecendo áreas nobres de Manaus.

Em algumas denúncias encaminhadas pelo Portal Amazonas 1 ao órgão municipal, a Seminf informava que a rua entraria na agenda para receber as ações. Porém, posteriormente, a equipe de reportagem voltava ao local e constatava que nada tinha sido feito.
No entanto, o prefeito David Almeida destacou, no primeiro ano de gestão, que o foco é transformar a cidade em um grande cartão-postal, dando prioridade para as áreas nobres, como a Ponta Negra. Enfeites, cores, iluminações, entre outras coisas exageradas que foram pagas com dinheiro público, que podem se repetir em 2022 na gestão de Almeida.
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