Menos de 24 horas depois de atacar a Petrobras em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente da República, Jair Bolsonaro, elogiou a empresa na declaração oficial após reunião fechada com o presidente da Guiana, Irfaan Ali, em Georgetown. “Na questão de óleo e gás temos uma gigante brasileira, chamada Petrobras, que cada vez se torna uma realidade para cooperar com a Guiana”, afirmou o chefe do Executivo.
De acordo com Bolsonaro, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, debateu as possíveis cooperações “com muita profundidade”. “Guiana tem grande futuro pela frente, em especial por seu potencial de petróleo e gás”.
Leia mais: Bolsonaro afirma que Petrobras precisa acabar com ‘gula enorme’ por lucro
Na quinta-feira, Bolsonaro acusou a Petrobras de ter um lucro “criminoso” e inadmissível, que seria um “estupro” dos brasileiros afetados pela alta dos combustíveis. No mesmo momento, a companhia divulgava seu balanço com lucro líquido de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre do ano.
Como mostrou reportagem do Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) publicada mais cedo, o governo federal aposta nas reservas de petróleo e gás descobertas na Guiana para firmar parcerias com a Petrobras. O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, comentou à reportagem as apostas do Executivo nessa direção.
O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, não integrou a comitiva, contrariando o que disse na quinta em transmissão ao vivo nas redes sociais o próprio Bolsonaro. Apesar de a Petrobras justificar que a ausência já havia sido informada, o fato pegou de surpresa até mesmo ministros de Estado que também foram à Guiana.
“Comitiva se altera a todo momento. O Ministério da Ciência e Tecnologia não estava previsto inicialmente e ontem decidiu-se incluir o ministro Alvim na comitiva”, justificou à reportagem um líder da Esplanada, para quem a ausência de Coelho não tem qualquer relação com os ataques do presidente à Petrobras.





