Manaus, 7 de julho de 2026
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Economia

Brasil tem o maior número de endividados em 12 anos; mulheres lideram ranking

As mulheres são maioria entre os brasileiros endividados

(Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil)

As brasileiras são as mais endividadas, segundo uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, no mês passado, 80% das consumidoras tinham contas a vencer. Em janeiro, eram 72%.

O endividamento tem o rosto da massoteraputa Aline Gomes, chefe de família, mãe de uma menina de 6 anos: “Eu acabei deixando algumas contas para não deixar faltar o alimento em casa para minha filha, para minha família.”

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E também tem a cara da dona de casa Fernanda Leite Pires, casada, três filhos: “Para não passar necessidade, a gente se endivida. Para poder fazer, ter as coisas em casa. Você vai pagar uma dívida, aí quando você termina de pagar essa dívida, você tem que pagar outra.”

O percentual de brasileiros com dívidas em atraso é o maior em 12 anos, e a situação é mais grave para as mulheres.

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De acordo com a economista da CNC, Izis Ferreira: “A inadimplência também é maior entre o público feminino. Nós temos, por exemplo, 31% de mulheres hoje com algum tipo de dívida ou conta atrasada, enquanto entre o público masculino essa proporção ela se aproxima de 28%. Isso mostra que para elas está mais difícil de fechar todas as contas no mês, de conseguir pagar todas as contas e dívidas dentro de um mês”, afirma.

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As contas saem dos eixos quando há um desequilíbrio entre o que entra e o que sai no orçamento de casa. No caso das mulheres, a pressão vem dos dois lados. A pandemia aprofundou as desigualdades, colocou muitas na informalidade e fez a renda cair. Ao mesmo tempo, a inflação alta é ainda mais cruel com quem ganha menos. O resultado disso é um endividamento crescente, que não é bom para ninguém.

A economista do Insper Juliana Inhasz explica que dívidas que se arrastam ou sequer são pagas travam a economia.

“O que faz muitas vezes uma economia como a nossa conseguir crescer e sair de situações como essa atual é o consumo, é a demanda. Então uma situação em que a gente tem um superendividamento, ou muita gente inadimplente, é uma situação em que esse consumidor perde uma parte da possibilidade de consumo, ele eventualmente pode estar de alguma forma prejudicando produtores e outras pessoas dentro do mercado que cederam aquele crédito e que não vão receber, e que, portanto, também não vão consumir”, explica.

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Aline está sem crédito na praça, mas trabalhando para resolver o problema: “Eu tive que usar um cartão de crédito e liguei hoje mesmo para tentar negociar. Para a gente, o nosso nome é tudo, né? O nome tem que estar limpo para gente conseguir os nossos objetivos”, diz.