Apesar da disputa eleitoral em curso, o companheiro decidiu não escondê-la dos holofotes, gerando exposição e aguçando a curiosidade de muitos que queriam saber quem era a nova primeira-dama de Manaus, a arquiteta e urbanista Elisabeth Valeiko.
Sua entrada em cena foi considerada importante na eleição e, atualmente, o prefeito Arthur Neto avalia como sendo sua presença estratégica à frente da direção do Fundo Manaus Solidária, que, segundo ele, vem se tornando uma marca de “sensibilidade social” da sua administração.

Primeira-dama de Manaus responde a questionamentos polêmicos (Reprodução)
Elisabeth admitiu que sentiu um certo preconceito, logo que tomou conta do Fundo, mas diz estar segura de que todos já sabem que “não é a mulher do prefeito” em ação, mas a arquiteta e urbanista, cuja especialização estar em buscar soluções para as cidades.
Embora negue aos risos, ela é vista como alguém que exerce grande influência sobre Arthur Neto, no exercício diário da administração pública. “Vocês não conhecem quem é Arthur. É um líder nato. Nasceu para ser seguido por milhões de pessoas”, rebate a primeira-dama, e prossegue: “Ele pede minhas opiniões e muitas vezes as acata. Tenho orgulho de estar com ele em todas as horas e de segui-lo nessa espinhosa caminhada política”. Veja essa e outras revelações que a primeira-dama fez à Revista Cenarium, um produto do Portal Amazonas1:
CENARIUM – Sua inserção no cenário político do Amazonas ocorreu durante uma separação conjugal e em meio a uma importante disputa eleitoral. Nesse período, a senhora sentiu preconceito?
Elisabeth: O que percebi como preconceito, superei logo, amparada no Neto (prefeito Arthur Neto) e em meia dúzia de verdadeiros amigos e amigas. Sou de luta, sei lutar. Dei as mãos ao meu marido e falei: “estou contigo, vou contigo pra qualquer lugar”. E fomos. Nada, portanto, iria derrubar a gente. Não foi fácil, teve muita maldade, muita gente me atacando, injuriando e meu refúgio sempre esteve nos meus filhos, nos braços do Neto e na minha fé em Deus. Meu marido é uma rocha e não perde o sorriso e o raciocínio nunca. Conversamos com o apóstolo Renê Terra Nova, com o pastor Jônathas Câmara, com o querido Dom Sergio, figura terna e sofrida. Essa parte suja do mundo era nova para mim. Hoje, não dou a menor importância a essas figuras das trevas. Busco a luz, a paz.
CENARIUM – Como foi enfrentar uma campanha eleitoral em meio a vazamentos de informações sobre sua vida pessoal, nas redes sociais?
Elisabeth: Em primeiro lugar, jamais houve “vazamentos”; houve mentiras grosseiras. Tanta perversidade para, no fim de tudo, meu marido fazer o que ele sempre faz: deu um passeio eleitoral numa coligação poderosa que repetiu a derrota bíblica do Golias. Eu estava nos braços seguros de Davi. E meus pais, irmãos e filhos, que me conhecem mesmo, foram outra parte do porto seguro que Neto sempre representou. Aliás, meu prazer está na vida simples que levamos e no trabalho que faço, ao lado das pessoas mais necessitadas de Manaus.
CENARIUM – E como a senhora avalia, hoje, a imagem que passa para as pessoas?
Elisabeth: Um exemplo só: estávamos, Neto e eu, numa solenidade no Tribunal de Justiça do Amazonas. Sentou ao meu lado uma senhora, mãe de um dos homenageados. Eu ainda não sabia quem ela era, mas ela sabia quem eu era. Muito doce a senhora. Em dado momento, a bolsa dela caiu e eu a peguei. Tratei-a como se fosse minha mãe ou minha avó. Com respeito e carinho, como procuro tratar todas as pessoas, especialmente as mais velhas. Depois de um tempo ela me olhou e perguntou se podia me chamar filha e eu respondi: “claro que pode”. Aí ela pediu que eu não mudasse nunca e continuasse sendo a pessoa que sou. Isso foi tão espontâneo e bonito, que quase chorei. Aliás, quando se trata de luta, luto até o fim; quando se trata de emoção, sou muito chorona, como, por sinal, o Neto também é.
CENARIUM – Quando foi chamada para administrar o Fundo Manaus Solidária, a senhora chegou a titubear, a reavaliar o convite ou foi algo com que já se identificou e não viu nenhum problema em assumir esse órgão, mesmo não tendo muita experiência no cargo?
Elisabeth: Experiência em cargo público, claro que não tinha. Mas tenho como arquiteta e urbanista. Tenho como estudiosa das cidades. Minha pós-graduação foi em Gestão e Projetos. E meu projeto final de conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo foi sobre o bairro Grande Vitória, onde os problemas inúmeros convivem com pessoas acolhedoras e merecedoras de um lugar ao sol. Então o convite do Neto foi amadurecido por mim com todo cuidado. E aceitei, porque me sinto preparada para aplicar na prática o que aprendi na universidade. Teoricamente, sou uma especialista em cidades; agora, estou ficando especialista em Manaus. Eu realmente me identifico muito com esse trabalho, com a questão social, desde bem antes de ser primeira dama e de presidir o Fundo Manaus Solidária. Sempre participei de alguns trabalhos sociais. Como arquiteta participei de um projeto no GAAC, com outros colegas, em que projetamos alguns ambientes. Faremos o mesmo agora na Casa Mamãe Margarida- Paula, eis aí um furo, pois você é a primeira a saber disso – e depois em outras instituições acolhedoras. Também sou curiosa, gosto de conversar com as pessoas para saber sobre a vida, a história delas. Sempre procurei entender o que leva alguém a, por exemplo, viver em situação de rua. Sempre tentei me aproximar para ver como poderia ajudar. E é claro que estar na condição de presidente do Fundo Manaus Solidária me permite ter mais meios de assistir a quem precisa de uma forma mais ampla e efetiva.
CENARIUM – Como surgiu a ideia de se criar um Fundo Solidário para Manaus?
Elisabeth: Vi a necessidade durante a campanha. Visitamos praticamente todos os bairros e percebi que precisava fazer algo a mais. Lembro que estive na casa de uma mãe que ficava com todos os filhos dos vizinhos ali com ela. Eram oito ou nove crianças e ela partilhava o almoço generosamente, para que as mães pudessem trabalhar. E eu pensei: “meu Deus do Céu, como nós vamos ajudar aqui?” Vi que precisávamos criar meios para ajudar essas pessoas, porque comigo pessoa física, não iria dar! Era preciso uma estrutura de governo articulada com a Semmasdh, a Semtrad, a Fundação Dr. Thomas, a Semed, a Semsa, a Semjel, a Casa Civil, a Semef e com a parte mais consciente do empresariado.
CENARIUM – Como foi recebida a determinação do Ministério Público de Contas (MPC) que recomendou seu desligamento do cargo de gestora da Prefeitura de Manaus?
Elisabeth: O prefeito decidiu nomear-me com base em jurisprudências do Supremo Tribunal Federal. Tenho notório preparo para o cargo e, portanto, vejo afastada qualquer ideia de nepotismo. Mas respeito o ponto de vista do MP de Contas, embora democraticamente dele discorde. Quero esclarecer que atuo de verdade no Fundo. Evito até comparecer a eventos sociais. Prefiro trabalhar duro. Até gostaria que esse Ministério acompanhasse meu trabalho mais de perto. Seria um prazer. Sinto-me capaz e penso que tenho conseguido provar isso. O trabalho fala por si só e é isso que o Fundo Manaus Solidária tem mostrado, sem grandes propagandas ou alardes.
CENARIUM – Uma das justificativas apontadas pelo Ministério Público é que a primeira-dama não teria formação para a função de gestora de um Fundo Social…
Elisabeth: Quem teria então? Sou arquiteta e urbanista. Não tem como pensar em urbanismo sem pensar nas pessoas e na cidade. E nem pensar em pessoas a sério sem recorrer ao urbanismo. Você projeta para as pessoas e as pessoas precisam de um ambiente que foi pensado, planejado, organizado para que possam ter a melhor qualidade de vida possível. Tem um ex-secretário de Desenvolvimento Urbano de Medellín, na Colômbia, Alejandro Echeverri, que provocou mudanças radicais nessa cidade, como a redução da violência e a revalorização de áreas antes esquecidas. Esse sentimento foi contaminando a cidade, as pessoas e, para mim, é um exemplo de como o urbanismo pode, sim, contribuir muito para a vida social da cidade. E não falo apenas de obras, mas de tudo que envolve a vida das pessoas. Sempre procurei empregar essa sensibilidade nos meus projetos profissionais e agora procuro fazer o mesmo como gestora, como integrante da estrutura pública municipal.
CENARIUM – Os vereadores oposicionistas de Manaus lhe cobraram, no final do ano de 2017, a prestação de contas do valor de R$ 6 milhões, que, segundo a imprensa, foi destinado ao Fundo Solidário. Depois, a Prefeitura de Manaus informou que o montante não tinha sido gasto naquele ano e teria apenas sido programado no orçamento do ano seguinte. Como avaliou esse tipo de cobrança?
Elisabeth: A oposição queria marcar sua posição e isso eu compreendo bem. Mas você precisa ter conhecimento do que está falando. Primeiro, que nunca houve esses “milhões”; tratava-se de um orçamento. E nem tínhamos gasto nada àquela altura. Tecnicamente, nem poderíamos ter gasto nada. Até o final de 2017 nós vivemos de doações, fazendo campanhas e buscando ajuda de parceiros privados e da sociedade como um todo. Neste 2018, temos o orçamento aberto, mas continuaremos recorrendo às parcerias privadas.
CENARIUM – Alguma vez tentou algum diálogo ou aproximação com os vereadores oposicionistas para dar explicações do seu trabalho na Prefeitura de Manaus?
Elisabeth: Vou lhe contar algo que ocorreu conosco envolvendo esse assunto. Nós tivemos um evento na Fundação Doutor Thomas: “Filho Por Um Dia”. Então, chamamos nossos servidores, Secretários, Subsecretários e perguntamos quem gostaria de ser filho por um dia. Fizemos um histórico das “mãezinhas” e procuramos organizar as duplas. Dois dias antes, eu estava conversando com a vice-presidente do Fundo, Mônica Santaella, e alguém falou alguma coisa dos vereadores, não me recordo qual foi o assunto, mas me deu um estalo: vou convidá-los para o evento da Dr. Thomas! Convidei todos os vereadores, de oposição ou não, porque quando se trata de gente, não tem que ter oposição nem situação. Quem tem vontade de ajudar deve ser generoso sempre. Então, quando convidei os vereadores, muitos agradeceram, pois nunca tinham estado na FDT naquelas meigas circunstâncias… E, detalhe, alguns mandaram presentes e eu falei “não quero presente, quero a sua presença” e todos foram respeitosos. Somente dois da oposiçãonão foram e nem ligaram. Eu penso o seguinte: você não pode pensar nas pessoas como se fossem votos a favor ou contra, você tem simplesmente que pensar em gente. Precisa preocupar-se em como está a pessoa, de que maneira é possível contribuir com ela, ajuda-la. Todo mundo precisa preocupar-se com isso, sem essa se ser oposição, terráqueo ou marciano.
CENARIUM – Dentro dessa experiência, como avalia a oposição na Câmara Municipal de Manaus?
Elisabeth: A oposição dura e honesta é essencial ao regime democrático. O maior exemplo de oposicionista que conheço é meu próprio marido. Liderou as oposições brasileiras contra um semideus que Lula representava para o imaginário popular. Foi duro, cáustico até. Ninguém se esquece o episódio da rejeição da CPMF. E poucos sabem que ele orientou voto favorável a cerca de 70% das matérias enviadas por Lula ao Senado. Isso porque eram propostas boas para o país. Quando não era assim, o Amazonas se representava por um leão, respeitado até hoje em todo o país. Oposição, para mim, é isso. Mas falando do cenário municipal, declaro meu respeito aos que opõem ao nosso governo. E agradecimento e respeito aos que nos apoiam.
CENARIUM – Voltando ao orçamento do Fundo Manaus Solidária, como está o planejamento de recursos para a pasta, neste ano?
Elisabeth: Para este ano de 2018, vamos dispor de R$ 5,5 milhões. Desse orçamento, empregaremos R$ 4 milhões nos editais que credenciarão as entidades filantrópicas e que, portanto, as financiarão na parte que nos compete. Já estamos estabelecendo critérios para que essas instituições possam receber, de acordo com o número de crianças e das necessidades. Temos os nossos gastos próprios do Fundo, que estão todos muito claros no Portal da Transparência. Pode ir lá e ver em que foi gasto, o valor que foi orçado e em quanto está na nossa conta. Tudo muito claro.
CENARIUM – No meio político, a senhora é vista como uma mulher de “superpoderes” na Prefeitura de Manaus por exercer grande influência nas decisões do prefeito Arthur Neto. Isso é verdade?
Elisabeth: Eu queria ter superpoderes para mudar a vida das pessoas de verdade. O meu marido tem 40 anos de vida pública, é um homem superinteligente e não tem nada em que eu influencie nele, absolutamente nada. Diferente de outros governantes, ele ouve mais que fala. Como sua companheira, ele me ouve bastante. Como líder, ouve muito seus liderados. Mas sabe, como poucos, decidir solitariamente. Eu estar sempre com ele foi uma escolha nossa. Foi a resposta silenciosa e nobre a tantas difamações na campanha passada. Ele e eu nos damos muito bem. Somos parceiros e um defende o outro. É assim que funciona!
CENARIUM – Mas, hoje, quem manda na Prefeitura de Manaus?
Elisabeth: Isso já foi muito bem respondido na pergunta anterior, não acha? Nunca mandei em absolutamente nada. Ele, como meu companheiro, é que divide tudo comigo. E, como estamos sempre juntos, aprendi a compreendê-lo, a ler seus códigos, a aprender com ele. Sempre educado com todo mundo, mas firme em suas posições. Às vezes percebo que ele deseja que eu fale por ele. Leio nos seus olhos. Nos entendemos de ouvido. De uma vez por todas, um líder do porte e da experiência dele se marca pelo comando firme, pela paciência que me deixa perplexa, pela solidez dos seus argumentos. Ele me ajuda muito, quando falamos do Fundo. Me ouve, me compreende. E me impressiona como se lança à luta, muitas vezes contra tudo e todos, e acaba vitorioso. A confiança que ele tem nele mesmo é de impressionar. Uma vez perguntei como ele se autodefiniria. A resposta foi rápida: “um lutador”. Animal político. Me ajuda a controlar certos sentimentos meus. Me espanto com a capacidade que ele tem de falar com quem já o ofendeu sem esboçar nenhum sentimento negativo. Extremamente generoso com quem ele derrota. Ou seja, aprendo com ele diariamente e ele diz que aprende comigo também. Minha equação é simples: estou aqui para somar. Se sentisse que não estaria somando, preferiria não ficar aqui. Tenho cinco filhos, dois netos, pai e mãe vivos e cinco irmãos. E tenho o Neto. Então, tenho muita coisa para fazer, para me ocupar, porém, foi uma opção minha aceitar esse desafio, que me faz lutar dia e noite, sorrindo e chorando com as pessoas mais carentes de Manaus. Superpoderes eu queria ter mesmo era para ajudar mais ainda as pessoas. Para ajudar meu marido ainda mais do tenho tentado fazer.
CENARIUM – Quais são os principais conselhos que costuma dar para o prefeito, na avaliação de Secretários ou mesmo em discursos? Chega a opinar sobre essas questões?
Elisabeth: Sobre Secretários, opino quando ele me pergunta ou quando vejo algo que possa ter passado batido por ele. Como mulher, tenho sentimentos e ele sabe. Ele confia bastante na minha intuição feminina. Em discursos, opino pouco. Até porque ele só fala de improviso e nunca planeja o que vai dizer. Fico impressionada com isso. Ele ouve um discurso sobre tema que domina pouco e acaba falando melhor que o especialista. O senador Pedro Simon, que meu marido respeita e adora, diz que Neto é o último grande orador do Brasil. E ele fala o mesmo do amigo dele, de cujo convívio demonstra ter muita saudade. Mas quando ele vai a um programa de televisão tipo Roda Viva, aí eu dou dicas sim. Em certas reuniões, às vezes pressinto um pouco as coisas, acho que entro na alma das pessoas. E aí opino pra ele. Claro que posso errar ou acertar. Pressentimentos, enfim!
CENARIUM – E quando costuma acertar?
Elisabeth: Acho que na maioria das vezes. Também consigo captar muitas informações para o Neto. Ele pode estar atendendo um Secretário e ter outro na espera. Aí eu converso, filtro informações e passo tudo para ele. É uma maneira de otimizar o tempo dele também. Vejo isso como produtivo para a gestão. Como homem inteligente que é, se ele aceita é porque é bom, jamais ele vai deixar de tirar suas próprias conclusões. Ele é homem de muita intuição e muita capacidade de concluir acertadamente. Sabe muito bem o que quer e adora se fazer de bobo, quando aparece gente “esperta” na vida dele. Não é só isso, tem muito mais. Cada um tem um jeito de ser. E eu poderia estar cuidando dos meus filhos, dos meus netos, aparecendo só em alguns eventos, mas meu perfil é outro. É o de lutar ao lado do meu marido.
CENARIUM – Nas agendas oficiais do prefeito, sua presença é sempre constante. É algo que ele pede ou é algo decidido pelo casal?É sempre uma exceção quando decidimos que, “hoje, eu não posso ir com você”, porque já se tornou algo automático, natural.
Elisabeth: Nós sempre vemos primeiro a agenda dele, depois a minha agenda e isso já é automático. Eu acho que a gente se ajuda, se completa. Não tem coisa melhor do que você conhecer e compreender as realidades. Inclusive, hoje, eu vim para essa entrevista e ele foi visitar as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) fluviais e depois foi fiscalizar obras, mas eu já tinha falado pra ele: “olha, hoje eu tenho uma reunião”. Então, tudo a gente conversa.
CENARIUM – Sobre as perspectivas eleitorais, existe o interesse de se candidatar a algum cargo, nas próximas eleições?
Elisabeth: Não! Meu interesse é zero!
CENARIUM – Mas em algum momento, o prefeito Arthur Neto comentou com a senhora sobre a possibilidade de lhe apoiar em uma candidatura eleitoral?
Elisabeth: Ele gosta de me encher a paciência com isso. Pergunta para me chatear, porque já sabe a resposta. Essa é uma das características dele: chatear as pessoas queridas. Os filhos sofrem, os amigos mais chegados também. Comigo não é diferente. Adora me apresentar para as pessoas como candidata, porque sabe que isso me irrita. Mas, na verdade, eu tenho uma nova visão, hoje, que leva a um compromisso muito grande. Não é você, simplesmente, ganhar uma eleição, porque teve voto, pois quando alguém se candidata para isso ou para aquilo, está assumindo um compromisso que precisa ser honrado. Os políticos precisam levar isso a sério, para servir ao país e também para restabelecerem um prestígio que infelizmente jogaram fora. Mas eu não sou política.
CENARIUM – Quando surgiu a necessidade de lançar um credenciamento de entidades filantrópicas?
Elisabeth: Como eu falei no início, na época de campanha, quando a gente fazia caminhadas, encontrei essas mães de comunidades que ajudam e não recebem nada, não sabem nem o que fazer para receber uma ajuda. Meu maior interesse é contemplar justamente essas mães, essas pessoas que tanto fazem pelos seus semelhantes. Nós estamos ligando para elas, mostrando a possibilidade de trabalharem conosco, recebendo todo o apoio jurídico e contábil para a formatação legal de entidades, porque se amanhã eu não estiver mais aqui ou se o Fundo, por algum motivo, deixar de existir (não acredito nessa hipótese feia), elas vão estar aptas a participar de qualquer edital do estado ou de Manaus. Torço muito para que esta pasta, depois da gente, tenha brilhante continuidade. O que a gente quer é dar asas para elas voarem, porque muitas ainda não entendem essa parte burocrática.
CENARIUM – Quantas pessoas trabalham no Fundo Manaus Solidária e qual a proposta do credenciamento?
Elisabeth: No Fundo, são apenas 15 pessoas extremamente comprometidas com o sentimento que a gente tem aqui. A proposta é fazer inicialmente esse credenciamento para saber quem já está apto e quem não está, e nós vamos trabalhar para que todos venham a estar. Pode não estar apto este ano, mas no ano que vem ela vai estar, para assim abrirmos uma luz, pois já estão há anos sem receber nada. Daremos consultoria jurídica, contábil e vamos trabalhar na regularização de todos, porque não são exigências nossas, são exigências da legislação. Nosso desejo é ajudar todo mundo, dentro das normas existentes na legislação que regula o setor. Vamos entrar ajudando quem já está habilitado e vamos preparar os hoje inaptos para se credenciarem a receber recursos públicos. Existem entidades que funcionam há oito anos, mas que têm CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) há apenas oito meses, porque depois de todo esse tempo eles perceberam que precisam se legalizar para poder participar. A legislação exige que você tenha no mínimo um ano de funcionamento com CPNJ ativo para que você receba qualquer tipo de recurso do município, dois anos se for do Estado, três anos se for verba federal. Então a mulher que divide o seu almoço com as crianças da vizinhança precisa ser preparada por nós, porque, até o momento, ela não tem a necessária compreensão de nada disso.
CENARIUM – Dentro da gestão pública, a função de mulher do prefeito se mistura à de gestora pública? Como conciliar essa relação?
Elisabeth: É difícil, mas como já falei, tenho prioridades no momento. Tem dois anos e meio que minhas prioridades mudaram. Sempre fui muito unida com meus filhos, muito presente e hoje já não sou tanto como gostaria, com aquela presença diária, embora fale com eles todos os dias. E sobre ser esposa, infelizmente, a nossa vida é bem comprometida nesse aspecto de casal, de sair para jantar, às vezes a gente até está viajando, como foi na viagem para Bangkok, numa programação do Banco Mundial para a qual somente cidades bem ajustadas fiscalmente foram convidadas. Nós ficamos o tempo em um seminário que foi muito bom, uma experiência maravilhosa, ímpar, agora dizer que eu conheci Bangkok, que nós saímos para jantar à luz de velas é mentira, isso não aconteceu. São prioridades e no momento nossa prioridade é realmente trabalhar e é isso que temos feito. Nós vamos ter o nosso momento, o nosso descanso, as nossas férias. Daqui a dois anos, o prefeito não vai ser mais prefeito, vai ser um outro momento, e eu acho que a gente tem que saber valorizar bem o momento que estamos passando e esse momento é de trabalho.





