Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Negligência na segurança pode ter sido a causa da agressão entre entregador e condômino

Com exclusividade ao Portal AM1, o entregador envolvido no episódio, Vinícius Cruz, disse que lamenta pelo ocorrido, e pede que as leis sejam cumpridas.

Entregador

(Foto Fernando Frazão/Agência Brasil)

Manaus (AM) – Casos de agressões envolvendo entregadores de delivery e moradores em condomínios explodem em Manaus e parecem estar fora de controle. No último domingo (14), uma confusão entre um morador do condomínio Piazza di Fiori, situado na zona Centro-Sul da cidade, levantou questionamentos quanto à segurança dos residenciais.

Imagens de um vídeo que circula em grupos de mensagens instantâneas mostram o homem descontrolado, partindo com um facão contra os motociclistas. Ao mesmo tempo em que os trabalhadores revidam. O drama culminou com uma série de golpes de capacete, que deixou o morador ferido. Ele precisou passar por cirurgia no Hospital João Lúcio.

De acordo com informações preliminares, a briga teria sido motivada após o morador se sentir incomodado com o excesso de velocidade do entregador nas dependências do condomínio. Porém, outros contam que o fato de Vinícius ter se recusado a deixar a encomenda na porta do morador. Vale destacar que, por lei, o motoboy não é obrigado a fazer a entrega na porta do cliente, e isso teria sido o motivo da confusão.

Com exclusividade ao Portal AM1, Vinícius Cruz, entregador envolvido no episódio, disse que lamenta pelo ocorrido e que ele só quer que as leis sejam cumpridas e a sua categoria tenha o respeito da sociedade e nos condomínios.

“Muitas vezes, as pessoas acabam vendo com maus olhos o fato de a gente não querer entrar ou subir, mas é apenas uma questão de segurança. A gente deixou isso bem claro ontem, infelizmente, da pior forma, a nossa segurança foi comprometida pelo fato de ter portaria eletrônica no condomínio e não ter sequer um agente de portaria para ajudar a intervir. Os agentes apareceram logo depois que aconteceu tudo e ainda tentaram nos culpar, falando que nós tínhamos invadido o condomínio. Eu tenho todas as liberações no sistema de portaria”, explicou.

O entregador disse, ainda, que acredita que a lei tem que ser cumprida, que as medidas cabíveis sejam tomadas.

“Não é o primeiro episódio que acontece; infelizmente, eu espero que seja o último. Essa é uma situação muito chata, e eu nunca tinha passado por isso antes. Não imaginava que iria tomar toda essa proporção. Temos que ter ciência de que está nas mãos das autoridades e que a justiça seja feita”, frisou.

Por Lei 

A Lei n.º 555, de 27 de dezembro de 2023, que dispõe sobre o serviço de entrega em domicílio (delivery) no âmbito do município de Manaus, no artigo 2º, determina que:

“É proibido ao consumidor exigir que o trabalhador de aplicativo adentre nos espaços de uso comum de condomínios verticais e horizontais, devendo a encomenda ser entregue na portaria, resguardadas as regras internas de segurança do condomínio.”

A norma é de autoria do vereador Rodrigo Guedes (Progressistas), que ao Portal AM1, falou nesta segunda-feira (15) sobre mais este caso de agressão envolvendo entregadores e moradores, mesmo com a publicação da lei, que tem o objetivo de atenuar casos de violência.

“Eu não sei exatamente o que aconteceu nesse caso específico; porque gerou aquela confusão ali, e o morador estava com um terçado ameaçando eles. Mas existe uma lei municipal, projeto de lei de minha autoria, que não proíbe o entregador de entrar ou de subir, mas ela desobriga, na verdade, e esse é o grande ponto. Ele não é mais obrigado a subir ou entrar no condomínio, com exceção de pessoas com deficiências se forem consumidores, além de gestantes, mães com criança de colo e idosos. Essa lei municipal, a 555, já existe. Não sei se o caso foi em relação ao cumprimento da lei, mas ela existe e está sendo cumprida no geral. Às vezes, dá problema, sim, mas ela tem sido executada”, explanou o parlamentar.

‘Tragédia’

Na avaliação do representante da categoria, Kelvin Souza, esse não será o primeiro e nem o último caso de agressão, mesmo Manaus e os profissionais estando resguardados na lei municipal que determina que os pedidos sejam entregues até a portaria, com exceções nos casos de pessoas com deficiência, idosos e gestantes.

“O que hoje está acontecendo é que os condomínios e seus representantes estão fazendo vista grossa, e não informando seus condôminos. Mas também existem condomínios que já estão se adequando à lei. Imagine se o pedido fosse conforme a lei, jamais teria esse encontro entre morador e entregador. Repudiamos qualquer tipo de agressão. Imagine se fosse o entregador puxando uma arma branca ao morador, qual seria a repercussão? Queremos que as autoridades tomem a frente disso e façam valer a lei municipal que está sendo burlada. Vão esperar acontecer uma tragédia? Alguém morrer para agir? O entregador cumpre deveres, mas queremos que respeitem os nossos direitos também”, pontuou.

 

O Portal AM1 tentou entrar em contato com a Associação dos Síndicos e Condomínios de Manaus (Ascom) para saber quais providências estão sendo tomadas em relação a esse caso, mas não obteve sucesso até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para novas declarações.

 

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