Manaus, 7 de julho de 2026
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Cidades

Por que homens evitam consultas médicas? Especialista explica o motivo

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia apontou que quase metade dos homens acima de 40 anos não costuma realizar consultas de rotina e só buscam ajuda médica quando sentem algum sintoma.

(Fotos:Reprodução/freepik/Acervo pessoal)

Manaus (AM) – Em pleno século XXI, ainda existe uma relutância por parte dos homens em fazer exames de rotina, o que acaba aumentando o número de doenças diagnosticadas já em estado avançado, conforme o médico generalista e presidente da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Amazonas, Frederico Cavalcante, ao Portal AM1.

Um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apontou que quase metade dos homens acima de 40 anos (46%) não costuma realizar consultas de rotina e só buscam ajuda médica quando sentem algum sintoma.

Segundo Frederico Cavalcante, a princípio, a pouca procura por consultas médicas está relacionada com a cultura, pois muitas sociedades ensinam os homens a serem autossuficientes e a não demonstrarem “fraqueza”, o que pode incluir evitar a procura de ajuda médica.

 

Frederico Cavalcante — médico generalista (Foto: Acervo pessoal)

“É uma questão, a princípio, cultural, social, que remete à imagem do homem ter receio de que alguma doença ou condição de saúde possa afetar a sua capacidade, principalmente, laboral. E também, por muitas vezes, não querer ser visto na sociedade como alguém com problema, que dá trabalho. Mas, basicamente, é isso; o hábito de se dedicar muito ao tempo de trabalho e pouco à questão de saúde por medo dessas doenças trouxerem algum prejuízo na percepção de vida deles”, disse o médico à reportagem.

Além dessas questões, Frederico Cavalcante enfatiza que um dos pontos que faz com que os homens evitem buscar ajuda médica é que, historicamente, a maioria das ações de saúde eram direcionadas às mulheres e crianças, como o pré-natal, vacinação infantil, controle de câncer de colo uterino e de mama.

“A maioria das ações de políticas públicas em questão de saúde era para o público feminino e os homens ficavam, digamos, um pouco de lado nesses termos”.

Quais doenças são mais diagnosticadas entre os homens?

Conforme o especialista, doenças crônico-degenerativas são as que mais crescem entre o público masculino, como a hipertensão arterial; diabete mellitus (tipo 1 e tipo 2 – quando o corpo não produz insulina ou quando não usa a insulina adequadamente); condições associadas como obesidades; dislipidemias (colesterol alto); doenças relacionadas ao uso de cigarro e álcool e cânceres. Além destas, vale destacar que doenças de saúde mental também é uma crescente entre o público masculino.

“Os efeitos das dependências de uso de cigarro, como os cânceres, são mais comuns em homens. E nos últimos tempos, tem aumentado muito, e essa é grande diferenciação. Os diagnósticos de problemas de saúde mental em homens, como, por exemplo, os transtornos depressivos, porque [historicamente] isso se tratava de um tabu que não era muito aceito – quando a gente tem uma visão da sociedade baseada nas masculinidades hegemônicas – tem aumentado”, revela o médico generalista.

 A saúde do homem não se limita ao exame de próstata

Embora o exame de próstata seja importante para a detecção precoce do câncer de próstata, a saúde masculina envolve uma ampla gama de cuidados preventivos e tratamentos, como os já mencionados pelo médico generalista.

Ao Portal AM1, Cavalcante explica que o exame de próstata ainda hoje é visto com receio pelos homens, princialmente, porque é utilizado o método de toque retal como procedimento; porém, é essencial para diagnosticar a doença.

“As primeiras campanhas eram direcionadas praticamente à prevenção ao câncer de próstata por meio do exame de toque e do exame de PSA. Mas com o passar do tempo começou-se a observar que os problemas de próstatas, como até mesmo os cânceres, eles têm uma evolução muito diferente de um homem para o outro. Alguns homens podem ter cânceres mais evasivos; outros podem ter cânceres de próstata mais lentos, que não vai gerar a sua morte. Então, percebeu-se que, com o aumento do óbito do homem por infartos, derrames, causas externas como acidentes ou violência urbana, as necessidades das ações de atenção a saúde do homem fossem ampliadas não somente para o exame de próstata, mas também, para exames de hipertensão e diabete, rastreamento de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, prevenção contra as causa externas, como uso do cinto de segurança, consumo moderado de cigarro ou álcool, e também, à situação de saúde mental”, explica.

Segundo o especialista, “a saúde do homem nunca pode se limitar ao exame de próstata porque um homem, mesmo jovem, é um homem, e precisa solicitar exames segundo o seu período de vida”. Frederico recomenda o hábito do autocuidado e, para que haja incentivo, é necessário que exista uma sensibilização do público masculino de que o cuidado com a saúde não é unicamente fazer exames ou procurar doenças.

“Ele passa por uma necessidade de você ter melhores hábitos de vida, buscando o bem-estar físico, mental, social, laboral, bem-estar espiritual; lazer, trabalho digno; moradia digna; condições de transporte e infraestrutura que favoreçam essas atenções à saúde do homem. Então, não é uma questão somente da saúde, porque tudo isso impacta na saúde do homem”, conclui.

 

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