(Foto: Celso Maia/Portal AM1/Divulgação)
Manaus (AM) — O candidato à reeleição pelo Partido Progressistas, Rodrigo Guedes (PP), convidado da edição dessa sexta-feira (6) do Programa Cenário Político, apresentado pelo editor-chefe do Portal AM1, Isac Sharlon, não poupou palavras para criticar a base política do prefeito na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Durante a entrevista, Guedes abordou diversos temas relacionados à política local, incluindo a atuação dele no parlamento municipal e opinou sobre os colegas vereadores e aliados políticos, sem fazer uso de meias-palavras. Vale ressaltar que Rodrigo Guedes é um dos vereadores mais atuantes na oposição ao Executivo municipal na atual legislatura da CMM.
Segundo Guedes, todos os vereadores que compõem a situação são “puxa-saco”, ou seja, agem de forma bajuladora ou subserviente em relação à pessoa de maior poder, influência ou autoridade.
“Todos, sem exceção, são puxa-sacos do prefeito. E eu convido qualquer um deles para ficar aqui do meu lado, para um debate comigo. Tem 20 na base Eu convido qualquer um, pode ser aqui no AM1; eles estão ali para puxar o saco do prefeito. Eles sabem disso. E a maior prova é, na hora da votação, o presidente fala, ‘em votação’, o que eles fazem? Eles olham para o líder, ficam esperando manifestação”, critica.
Podem voltar ao mesmo lugar
É sabido que a base do prefeito na Câmara de Vereadores era bem fortalecida no início da gestão, mas, aproximadamente dois anos depois, os vereadores começaram a se debandar para a oposição. No entanto, para Guedes, eles podem retornar ao mesmo lugar, dependendo do candidato que ganhar a eleição municipal.
“Eles podem retornar, eles podem ser da base de outro prefeito. Na verdade, eles saíram da base porque houve um racha político, não foi porque, de repente, eles começaram a ver a luz. […] Os que hoje estão se dizendo ser contra o prefeito, denunciando coisas do prefeito, nos primeiros dois anos e meio eles votavam contra a transparência, contra a investigação, contra a convocação”.
Pediu ajuda a Wilson para ser aceito no PP
No período da janela partidária, em abril deste ano, que permite aos políticos com mandato eletivo trocarem de partido sem perderem seus cargos por infidelidade partidária, Rodrigo Guedes quase fica de fora das eleições de 2024, já que foi “convidado” a deixar o Podemos e buscar uma nova casa partidária, mas nenhum partido o aceitava, revelou ao AM1.
Nos últimos momentos, como relatou ao Cenário Político, Guedes pediu ajuda ao governador do estado, que também é presidente do União Brasil no Amazonas, Wilson Lima e a Roberto Cidade, o presidente municipal, para ser aceito em algum partido aliado e daí recebeu a indicação para migrar para o PP. A sigla tem como presidente municipal o Coronel Menezes, que é candidato a vice-prefeito, além de outros nomes com grandes chances de ser eleitos para a próxima legislatura, conforme aponta Guedes, que ainda destaca o presidente estadual Rodrigo Sá, bem como o ex-apresentador de TV, Clayton Pascarelli.
“Eu corri um sério risco de ficar sem partido, ali, nos últimos minutos da fase final da filiação, nas últimas horas, literalmente, quatro, cinco horas, eu tive que apelar para me abrigarem. Foi quando eu apelei ao Roberto Cidade e ao governador, porque eu não conseguia por conta própria. Isso é para você ver que você não vai fazer política solta, contra tudo e contra todos. […] Se você não tiver uma aliança, você sequer é candidato”, confidenciou.
‘Não vou ser da base’
Por se considerar um vereador independente, Rodrigo Guedes sempre diz que não se sente confortável estando em base aliada de prefeitos. Sendo assim, ele foi questionado se, dentro da possibilidade de Roberto Cidade ganhar as eleições, se seria da situação, Guedes foi enfático e negou.
“Não vou ser base. […] Eu quero uma relação com ele, se ele for prefeito, e estou trabalhando para que ele seja, uma relação sadia, sem submissão. Que a gente possa conversar sobre a cidade, apresentar alternativas, que haja uma compreensão de que o Parlamento não seja um anexo da Prefeitura de Manaus, de que o Parlamento não possa ser submisso à prefeitura, tem que ser uma relação de igual para igual”, reafirma.
Guedes ainda afirma que não almeja cargos comissionados na prefeitura, nem para ele, nem para membros da família ou conhecidos. O político frisou também que, se Roberto Cidade quiser um funcionário, em si não achará.
Não devem ser reeleitos
De acordo com a análise do político, Professor Samuel (PSD), David Reis (Avante) e Sassá da Construção Civil (PT) não contribuem para o Parlamento municipal.
Os nomes, segundo Guedes, possuem um histórico comprometedor. Para ele, David Reis, por exemplo, que é filho do secretário de limpeza pública municipal, Sabá Reis (Avante), falta muito às sessões plenárias, o que acaba comprometendo a sua competência para estar numa função pública.
“O David Reis, ele não vai trabalhar [na CMM]. Ele vai ali, bate o ponto, no final… Se a imprensa tivesse acesso às câmeras da Câmara, você veria que ele quase não fica lá. Ele bate o ponto e sai. O assessor leva o tablet pra ele, que é de reconhecimento facial, nunca fala, nunca se pronuncia, usa todas as verbas possíveis à disposição. Ele também é responsável por inúmeros escândalos da gestão dele na Câmara, nunca votou nada contra o que o prefeito queira. Então, ali ele não serve como vereador para Manaus”, frisa.
Após uma frase negativa declarada por Professor Samuel, de que “merenda não é almoço”, o vereador acredita que ele não mereça ser reeleito.
“A gente podia ouvir de qualquer um, mas de um professor não compreender que merenda é muitas vezes, sim, a única refeição do dia. E isso não é papo furado, não é mitologia, isso é real. Aí ele fala que é normal ter uma bolacha e um suco, um café, etc., que merenda é merenda e almoço é almoço… então acho que ele perdeu ali qualquer condição moral de continuar no Parlamento”, pontuou.
E por fim, Guedes deixou clara a opinião dele sobre os senadores do Amazonas, que segundo ele, são da “base canina” do presidente da República. Dessa forma, para o vereador, embora Braga e Omar estejam bem próximos do presidente Lula, falta mais empenho deles para defender o Amazonas. Sobre Plínio Valério, Guedes se limitou a dizer que ele focou mais na CPI das ONGs e deixou o mandato em segundo plano.
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