Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Nenhuma empresa de pesquisa do Amazonas acertou o resultado do primeiro turno em Manaus

Embora tenha acertado o primeiro colocado, pesquisas alternaram entre a segunda e terceira posição e não precisaram os dois nomes que avançariam ao segundo turno.

(Foto: Reprodução Semcom/CMM/Celso Maia/Portal AM1

Manaus (AM) – Manaus ainda não decidiu quem vai assumir o comando da prefeitura pelos próximos anos, mas o resultado do primeiro turno das eleições municipais, que ocorreram no último domingo (6), levanta o debate sobre os resultados das pesquisas eleitorais como sede no Amazonas.

Nenhuma dessas empresas acertou o resultado da votação que levou David Almeida (Avante), com 32,16% dos votos válidos, e Alberto Neto, 24,94%, para o segundo turno, que será realizado em 27 de outubro, conforme calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além de David Almeida e Alberto Neto, participaram da corrida eleitoral: Amom Mandel (Cidadania), que ficou na terceira colocação, com 19,10% dos votos, Roberto Cidade (União Brasil), que na quarta colocação obteve 17,01%, e Marcelo Ramos (PT), com a porcentagem de 6,03% do total de votos validos.

Nas últimas colocações, apareciam Wilker Barreto (Mobiliza) e Gilberto Vasconcelos (PSTU), completando o pleito do primeiro turno das eleições municipais e que não chegaram a pontuar 1% na apuração das urnas.

Desde a pré-campanha, a maioria das sondagens em Manaus confirmava a liderança do atual prefeito e candidato à reeleição, David Almeida, e a segunda colocação de Amom Mandel. Entretanto, a partir de meados de agosto, o cenário mudou com a ultrapassagem de Roberto Cidade, que subiu da terceira para a segunda colocação. Alberto Neto, por sua vez, aparecia na quarta posição. Com isso, antes com Amom, os estudos passaram a indicar um segundo turno de David e Cidade.

Empresas nacionais

O representante do PL só chegou a ser cotado como segundo colocado em pesquisas de empresas nacionais, como a da Quaest, de Belo Horizonte (MG), que, encomendada pela Rede Amazônica, foi divulgada no sábado (5), um dia antes da eleição, e mostrava Almeida com 36% e Alberto com 21% dos votos válidos.

Conforme o levantamento, em seguida apareciam Cidade, com 20%, Mandel, com 16% e Ramos, com 7%. Barreto e Vasconcelos não chegaram a pontuar no estudo.

Recorte

Em entrevista ao Portal AM1, o cientista político Helso Ribeiro explicou que a pesquisa em si apresenta uma margem de erro, além de representar um recorte de um determinado período e que, dependendo das situações, o resultado pode mudar.

“Uma pesquisa, não importa de qual instituto, tem uma margem de acerto, normalmente 95%, não é 100% certa e, acima de tudo, a pesquisa é a foto de um momento, por vezes uma mudança de um dia muda alguns cenários. Eu tive acesso a umas 10, 11 pesquisas daqui do Amazonas e elas não estavam com esse resultado, de fato; mas todas elas foram feitas até quarta-feira da semana anterior ao domingo da eleição e, quando uma pesquisa é feita e divulgada na quarta, é porque ela foi medida segunda e terça”, disse.

O especialista também destacou o fato de as pesquisas serem supervalorizadas e fez uma espécie de defesa dos interesses das empresas locais que atuam na área.

“Eu acho que, às vezes, as pessoas ultravalorizam pesquisas, e se você for avaliar estatisticamente, é uma foto de um determinado momento, e depois daquele momento isso pode mudar. Não vejo, pelo menos de alguns institutos que eu conheço, má-fé nisso; vejo às vezes erro e vejo como a fotografia de uma determinada ocasião”.

Ribeiro ainda comentou que, em suas entrevistas à mídia local, orienta que eleitores não votem com base em pesquisas eleitorais; mas que o resultado demonstra que esses estudos exercem certa influência no resultado das urnas, como aconteceu em Manaus.

“Não significa que, por exemplo, o fato de Marcelo Ramos ter tido 6% em algumas pesquisas, que elas não influenciaram as pessoas a votarem nele. O fato de o Wilker Barreto estar lá embaixo, às vezes, as pessoas que queriam votar nele não votaram, votaram em outro. Então, as pesquisas sempre influenciam uma parcela que olha para as pesquisas como quem está olhando um oráculo, o que eu acho lastimável”, criticou.

O comentarista político considerou a alta abstenção por parte de eleitores no resultado do pleito. Helso Ribeiro, contudo, lembrou que nas últimas eleições municipais, de 2020, o processo eleitoral foi realizado em meio à crise de Covid-19.

“Mais uma vez, a gente observou uma abstenção alta, não tão alta como de quatro anos atrás. Mas vale lembrar que, há quatro anos, nós estávamos no olho do furacão da pandemia, mas se você comparar com a eleição de 2016, vai ver que subiu um pouquinho, o que significa que um a cada quatro eleitores, mais ou menos, não foram votar. A abstenção foi superior. Se você botar abstenções, nulos e brancos, é pior ainda; é superior ao segundo lugar. Primeiro lugar em termos de voto, David Almeida, segundo lugar, abstenção, nulos e branco”, argumentou o cientista.

Índice abstenção

Para o cientista político Guilherme Soares, o resultado pode ter a ver com escolhas de última hora dos eleitores, além da distorção dos índices de abstenção.

“Temo que, em muitos casos, os eleitores tomam decisões de última hora. Outro elemento que pode influenciar em um erro ou acerto de pesquisa é o índice de abstenção. As pesquisas geralmente assumem que todos os eleitores irão votar, o que pode distorcer os resultados. Quando empresas diferentes apresentam intenções de voto significativamente divergentes, mesmo com levantamentos feitos no mesmo período, é provável haver algum erro, como a escolha inadequada da amostra de eleitores, levando em conta fatores como renda, educação ou outros critérios”, avalia.

Soares acrescenta que alguns eleitores podem não se sentir confortáveis em declarar seu verdadeiro voto, especialmente em situações de polarização ou quando há estigma social em torno de determinada opção política.

O especialista, entretanto, destaca que esses erros não se restringem a Manaus e que, no primeiro turno, outros lugares tiveram resultado diferente dos estudos, assim como já aconteceu em outros períodos eleitorais no Brasil.

 

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