Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Gastos da Defesa Civil de Manaus superam R$ 51,6 milhões, mas apenas 1,21% foi com ações preventivas

As ocorrências incluem uma ampla variedade de situações, como deslizamentos de barranco, alagações, riscos de tombamento e diferentes tipos de deslizamentos.

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Os dados são públicos e de conhecimento da Prefeitura de Manaus que optou por destinar mais recursos para respostas a desastres do que para prevenção. (Divulgação/CCC)

Manaus, AM – Em meio a desastres ocasionados por desmoronamento de barrancos em Manaus, dos R$ 51,6 milhões gastos pela Prefeitura de Manaus via Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil apenas R$ 627,9 mil, ou seja, pouco mais de 1,21% foi destinado para ações preventivas a desastres na capital

Os números estão disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura de Manaus e deixam claro uma realidade: mais de 98% do valor gasto foram destinados para ações de resposta aos desastres, como desmoronamento de barrancos, em vez de investimentos em prevenção.

De acordo com dados divulgados pela própria prefeitura, em 2023, foram destinados R$ 38.635,49 da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, ligada à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social, para ações de prevenção e R$ 16.357.198,42 em “resposta a desastres”.

Em fevereiro de 2023, um barranco desmoronou no bairro Cidade de Deus, na zona Norte de Manaus, e pelo menos sete casas e uma igreja foram atingidas. O desastre ocorreu às 02h. No local, sete famílias foram atingidas e duas delas ficaram soterradas.

Um mês depois, em março, um barranco localizado na rua Juruana, no Conjunto Boas Novas, também na zona Norte, desabou e colocou em risco a vida de 15 famílias. Eles tiveram que deixar suas casas por conta do risco de soterramento.

O mês foi marcado por uma tragédia na Comunidade Pingo D’Água. Oito pessoas faleceram após um deslizamento de terra na comunidade, localizada no bairro Jorge Teixeira, na zona Leste. Cerca de 20 casas e mais de 100 pessoas foram atingidas. Na época, a prefeitura informou que a área não era monitorada para possíveis tragédias.

Mesmo com desastres de grandes proporções ocorridos em 2023, em 2024 a prefeitura, via Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, destinou R$ 589.269,76 para prevenção de desastres e mais que o dobro gasto no ano anterior com respostas aos desastres. Se em 2023, após as tragédias foram gastos R$ 16,3 milhões, em 2024 o gasto foi de R$ 34.657.239,93, segundo dados da Prefeitura de Manaus.

Em março de 2024, após uma forte chuva, um barranco desmoronou na Redenção, na zona Centro-Oeste, derrubando a parede e o telhado de uma casa, outro barranco desabou no beco Raquel, em Petrópolis.

Alerta

Em janeiro deste ano, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontou que Manaus foi a cidade brasileira que mais emitiu alertas de desastres naturais. A capital amazonense lidera o ranking nacional, com 50 alertas emitidos, seguida por Belo Horizonte e São Paulo, que tiveram 41 alertas.

O Cemaden informou, ainda, que Manaus ocupa a oitava posição no ranking de municípios com maior número de ocorrências de desastres naturais, com 19 incidentes registrados, a maioria de origem hidrológica, como enchentes e enxurradas, seguidos pelos deslizamentos em áreas urbanas vulneráveis.

Os dados são públicos e de conhecimento da Prefeitura de Manaus, que optou por destinar mais recursos para respostas a desastres do que para prevenção, conforme os dados disponíveis no Portal da Transparência.

Em material disponibilizado no site institucional, a Prefeitura de Manaus informou que “a Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil de Manaus realiza o monitoramento contínuo das áreas de risco na cidade. Entre junho de 2021 a janeiro de 2025, registrou um total de 6.554 atendimentos.”

As ocorrências incluem uma ampla variedade de situações, como deslizamentos de barranco, alagações, riscos de tombamento e diferentes tipos de deslizamentos.

Na tentativa de atuar, teoricamente preventivamente, a prefeitura elaborou, em 2024, um “Plano de Contingência” (Plancon) cujo objetivo é estabelecer ações a serem tomadas em quatro cenários: chuvas intensas, cheia, estiagem e incêndio, para adoção de medidas de prevenção ou mitigação de desastres na capital. As ações integram também o trabalho de contenção de encostas, as chamadas “erosões”.

No entanto, mesmo com dados recentes catalogados pelo Cemaden, a prefeitura optou por utilizar informações de 2010 a 2020 para embasar o planejamento das ações a partir de 2025.

Tragédia anunciada

No último domingo (19), uma família ficou soterrada após um deslizamento de terra no bairro Redenção, zona Centro-Oeste. Das quatro pessoas soterradas, duas foram resgatadas com vida e outras duas, pai e filha, foram encontrados abraçados, mas já sem vida.

No local, o subsecretário Municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Gladiston Silva, disse que o órgão realizou a apuração sobre o deslizamento, identificando três causas: a chuva intensa, com 63 milímetros de água na região; o ligamento clandestino de água; e pelo corte indevido do barranco para expansão dos terrenos. Não havia monitoramento da área.

“O barranco saturou, a chuva foi muito forte. Com o barranco saturado pela ligação clandestina, então logo, com a chuva, o barranco não suportou e veio abaixo. O terceiro fator que causou a perda da vida, daquelas duas pessoas, se refere aos cortes que foram feitos indevidamente naquele talude. Fizeram por duas vezes esse corte. O segundo corte ficou atrás da casa, um barranco com mais de 4 metros retos, atrás quando ocorreu deslizamento”, disse o subsecretário.

 

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