Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Enquanto o povo afunda na lama da BR-319, deputados do AM fingem não ver

Dos oito deputados federais, apenas dois se manifestaram nas redes sociais. Eles dizem cobrar soluções, mas não apresentam provas e nem aparecem no local do problema.

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Rachão sendo colocado no aterro do rio Curuçá e alternativa pelo Ramal do São José- Foto: (Reprodução Amigos e defensores da BR-319/ Samuel Bernardo)

Brasília (DF) –  Com mais de quarenta horas de espera na BR-319, após o rompimento do aterro improvisado na ponte do rio Curuçá, caminhoneiros ainda aguardam a liberação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para continuar a viagem.

Enquanto isso, os deputados federais que afirmam defender a região não visitaram o local e, muito menos, apresentaram soluções para o isolamento do povo.

Nessa segunda-feira (2) o deputado Fausto Junior (União Brasil) foi questionado pela reportagem sobre sua atuação, mas não houve resposta. Cinco horas após o envio das perguntas, o parlamentar publicou em seu perfil no X que “cobrou providências urgentes ao Ministério dos Transportes e DNIT” pedindo a liberação da via, mas nenhum documento foi apresentado para comprovar o pedido do parlamentar.

Até o momento, nada foi resolvido e os caminhoneiros continuam na rodovia, sem as necessidades básicas atendidas.

No local, o aterro provisório foi levado pela cheia do rio e, segundo o DNIT, um novo carregamento com rachão está sendo colocado no trecho para que carros de passeio possam atravessar.

“O tráfego de caminhões e carretas permanece interditado. Uma equipe do DNIT segue de prontidão no local para atender a eventuais emergências”, informou o órgão em nota.

Nas redes sociais, outro parlamentar, que também “defende a BR-319”, Capitão Alberto Neto (PL) publicou uma montagem da fala da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante uma audiência pública onde ela afirma que a rodovia seria usada para passeio, com um vídeo publicado pelo Metrópoles que mostra a real situação dos ilhados.

Segundo a assessoria, Neto cobrou o Ministério dos Transportes, cujo o prazo de resposta é de aproximadamente 30 dias.

“O atual rompimento da barragem emergencial ilustra perfeitamente o ciclo vicioso de abandono: estruturas improvisadas falham, populações ficam isoladas, soluções paliativas são implementadas até falharem novamente. Segundo a PRF, a estrutura cedeu e bloqueou completamente a passagem de veículos e pedestres,” diz o documento.

Requerimento de informação deputado Capitão Alberto Neto

Os deputados federais estão atuando de “home-office” por causa dos Brics, ou seja, participam das sessões de forma virtual e podem marcar presença pelo aplicativo da Câmara dos Deputados, o Infoleg.  Devido à presença no estado, os parlamentares poderiam ir até o local para entender a real situação que o povo enfrenta, mas nenhum deles visitou a região na última semana.

Abandono dos ilhados na BR

Paralela à omissão dos deputados, está o sofrimento dos que precisam da rodovia para sobreviver. O médico veterinário Samuel Bernardo estava na BR-319 desde domingo, e presenciou o caos gerado pelo rompimento e o abandono sofrido pelas famílias ilhadas na rodovia.

Bernardo tentava voltar para Manaus, mas sem nenhuma solução, deixou o congestionamento para retornar a uma fazenda próxima a rodovia e tentar novamente na madrugada de segunda-feira (2).

O grupo que estava com o médico acordou às 4h da manhã para seguir viagem, deixaram os carros no congestionamento e foram a pé até o local da queda para entender o que estava impedindo a passagem.

Segundo o relato, os trabalhadores foram surpreendidos, pois não tinha máquina trabalhando e a falha da estrutura continuava ali. De acordo com o médico, mais de 10 caçambas de rachão foram derramadas no local para tentar aterrar, mas a força da correnteza estava levando o material.

“Eu vi muito pai de família deitado no chão da BR”

Durante o trajeto até a balsa, o médico veterinário confidenciou à reportagem que muitos pais de família estavam deitados no chão da rodovia e cargas vivas com mais de dois dias presas no congestionamento: “é um verdadeiro descaso com a população”.

“Eu vi muito pai de família deitado no chão e os filhos dormindo dentro do carro. Nós, como cidadãos, nos sentimos desvalorizados, é um descaso total.  Os governantes deveriam ter uma atenção maior para esta situação, porque todos estão sofrendo. O pessoal que necessita dessa BR está tendo o direito de ir e vir vedado,” cobrou o trabalhador.

DNIT promete reforço, mas não há previsão de liberação total

Nesta terça-feira, o Dnit informou à reportagem que o trajeto continua parado no trecho do rio Autaz Mirim no quilômetro 24 da rodovia, após o rompimento do cabo da balsa na travessia.  Um dos caminhões que aguardava para ser levado “forçou a subida na balsa” e causou a nova paralisação.

“Na travessia da ponte do Curuçá, está em andamento uma operação de reforço com rachão nos acessos. Essa intervenção está sendo realizada de forma programada ao longo da semana, contemplando ambos os acessos à ponte. As ações são fundamentais para o restabelecimento total do tráfego, inclusive para veículos pesados. O DNIT solicita a compreensão dos usuários e reforça a importância de seguir as orientações repassadas pelas equipes no local, visando garantir a segurança e a fluidez do tráfego,” disse o DNIT em nota.

 Nas redes socias, populares comentam a falta de ação dos políticos do Amazonas sobre a situação.

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