Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Alianças e ambições no novo tabuleiro da política nacional

Movimentações partidárias, alianças estratégicas e articulações nos bastidores de Brasília redesenham o cenário político nacional e impactam diretamente as disputas no Amazonas.

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CONEXÃO BRASÍLIA
Por Clébio Cavagnolle

 

MDB + Republicanos

O possível casamento entre os partidos Republicanos e Movimento Democrático Brasileiro, o MDB, deve se consolidar nas próximas semanas. O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, tem mantido conversas com o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi, para desenhar uma possível federação entre as siglas. O que falta para consolidar a troca de alianças é resolver disputas internas entre líderes regionais de cada partido. As cúpulas das siglas têm pressa para acalmar as divergências, de olho na chance de criar a terceira maior bancada da Câmara, ficando atrás somente do PL e da federação União Progressista, composta por União Brasil e Progressistas. O senador Eduardo Braga deve sair fortalecido na busca pela reeleição, avaliam integrantes do MDB, já que ficaria com o comando da federação no Amazonas, o que na prática, significa mais dinheiro e estrutura de campanha. Na Câmara dos Deputados, Silas Câmara, líder da bancada evangélica e do Republicanos no Amazonas, ganha estofo com a possibilidade de candidaturas mais fortes a partir da junção dos partidos.

ESQUADRÃO DIREITA

A eventual federação entre Republicanos e MDB, além de uma provável aliança entre PSD e PL, podem jogar por terra as possibilidades de outros nomes que não o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para a disputa ao Palácio do Planalto./ Embora afirme repetidamente que vai concorrer à reeleição, Tarcísio se animou com as pesquisas recentes, em que aparece tecnicamente empatado com o presidente Lula. O governador tem ainda a preferência dos caciques do Centrão e dos partidos alinhados com a direita, e pode até atrair siglas como União Brasil e PP, que buscam convergir em torno de um único candidato para evitar um racha de votos. O que falta para Tarcísio ser consagrado a presidenciável? A benção de Bolsonaro, que já entendeu não ter condição de reverter sua inelegibilidade, mas não larga o osso. Aliados acreditam que o ex-presidente está em processo de convencimento para anunciar o apoio ao afilhado político.

Com este provável cenário, o Xadrez muda por completo no Amazonas e deve colocar no mesmo balaio os senadores Eduardo Braga, que quer a reeleição pelo MDB. Omar Aziz, que busca voltar ao governo estadual com a benção de Gilberto Kassab, cacique do PSD. Capitão Alberto Neto, que deve tentar o Senado pelo PL, e o atual governador Wilson Lima, que precisaria concluir o mandato pelo União Brasil para viabilizar a operação de guerra pensada pelas lideranças dos partidos envolvidos. Integrantes da sigla disseram à coluna que o governador pode até ser agraciado com o comando de alguma instituição ou até um eventual ministério em uma eventual gestão Tarcísio.

CPMI INSS

O senador Omar Aziz chegou a ser cogitado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para presidir a CPMI do INSS. A eventual instalação da comissão mista só depende da leitura do relatório por Alcolumbre, e deve ser feita semana que vem, antes do feriado. Protocolado pela senadora Damares Alves, do Republicanos, e pela deputada Coronel Fernanda, do PL, o pedido de abertura da CPMI já ultrapassou a quantidade suficiente de assinaturas e teve apoio até de parlamentares da base do Governo, como o senador petista Fabiano Contarato. Aliados de Omar, no entanto, consideram que o comando da comissão pode ser prejudicial às intenções do senador de disputar o Governo do Amazonas. Há quem relembre o desgate causado pela CPI da COVID, presidida por Omar, e que acabou recebendo duras críticas pela falta de isenção e de resultados palpáveis. No Planalto, o nome do senador foi bem visto, já que na iminência da instalação do colegiado, o Governo prefere ter um aliado na posição de maior destaque da comissão. A decisão final, se Omar assume ou não a CPMI, deve sair até terça-feira. A Comissão pretende apurar os desvios realizados no INSS por entidades e associações sindicais entre 2019 e 2024.

ZONA FRANCA

A decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça que isenta do pagamento de PIS e Cofins as operações de vendas de mercadorias e prestações de serviços realizadas por pessoas físicas e jurídicas na Zona Franca de Manaus foi uma verdadeira operação de guerra. De um lado, dentro do STJ, o ministro Mauro Campbell atuou para o convencimento da importância do tema junto aos colegas de toga. De outro, o senador Eduardo Braga deu uma mãozinha com dados importantes sobre os setores e um poder de persuasão fora do comum, segundo integrantes do Tribunal. O resultado: todas as instâncias da justiça no Brasil terão que seguir esse entendimento em casos semelhantes.

CORRUPÇÃO ELEITORAL

Fontes da Polícia Federal revelaram ao Conexão Brasília que Operação Caixa Alta, iniciada para combater corrupção eleitoral por parte de agentes públicos do município de Jutaí, no Amazonas, deve render prisões nos próximos dias.

Já foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Jutaí e Manaus. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Eleitoral. Investigadores dizem que é só o começo. Os mandados têm o objetivo de coletar provas de supostos desvios nas eleições municipais de 2024. Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção eleitoral, caixa dois, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

 

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