Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Obra federal de R$ 76 milhões vira vitrine política para prefeitura de Coari

Com previsão de entrega incerta, aeroporto de Coari vira peça de propaganda, enquanto moradores cobram UTI.

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Aeroporto de Coari - Foto:(Reprodução/@Coarioficial)

Brasília (DF) – Em obras desde 2020, o Aeroporto de Coari, Danilson Aires, virou palco de autopromoção política para a prefeitura do município.  Nesta semana, a gestão do prefeito Adail Pinheiro  divulgou um vídeo nas redes sociais promovendo o andamento das obras, mas “esqueceu” de mencionar um detalhe fundamental: quem está pagando a conta. 

Com R$ 76 milhões investidos pelo governo federal, a reforma do aeroporto de Coari inclui a reconstrução da pista de pousos e decolagens, a construção de um novo terminal de passageiros e a requalificação do taxiway, rota utilizada para a movimentação das aeronaves no pátio. Todo o recurso é da União, sem qualquer investimento da prefeitura. 

Deste montante, R$ 60 milhões já haviam sido anunciados em 2020 pela então Secretaria Nacional de Aviação, vinculada ao Ministério de Infraestrutura, com previsão de entrega inicial para 2023. Mas o cronograma sofreu alterações ao longo dos anos.

Nesta semana, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que as  obras do terminal de passageiros estão em fase final. 

Mudança no prazo de entrega do aeroporto? 

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), responsável por acompanhar e fiscalizar a execução da obra afirmou que a previsão de entrega é dezembro de 2025. O prazo é diferente do apresentado no vídeo oficial da Prefeitura, onde o vice-presidente da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara), Coronel Aviador Antônio Neves Trigueiro, cita que a entrega pode acontecer apenas em 2026. 

“Nossa estimativa é entregar a obra completa, pátio pista, TPS e taxiway em meados de 2026, se tudo der certo,” pontuou Trigueiro.

A ANAC ainda reforçou que a obra faz parte do Novo Programa de Aceleração e Crescimento (PAC) do governo federal e que a última previsão forma de entrega da obra continua sendo dezembro de 2025.

“O aeroporto está passando por uma reforma geral desde junho de 2023, com previsão de término em dezembro de 2025, conforme consta no Plano de Ações Corretivas (PAC) apresentado pelo operador à Anac no contexto do processo de inspeção de vigilância continuada instaurado pela Agência em março de 2023,” informou a Agência.

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No eixo de Transporte Eficiente e Sustentável, os dados apresentados pela Casa Civil mostram que a obra está “em execução”.

Cidade dos royalties, população sem UTI 

Enquanto a prefeitura tenta surfar na propaganda de uma obra federal, a população enfrenta problemas crônicos na saúde pública. Nos comentários do vídeo publicado pela gestão de Adail Pinheiro, moradores cobram a construção de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), reforçando uma das principais carências do município. 

Com mais de 70 mil moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de Coari ser um dos municípios mais ricos do Amazonas, com arrecadação dos royalties vindos do petróleo e gás a gestão municipal não apresentou nenhuma solicitação formal para a construção de uma UTI. 

 Segundo o cronograma da Casa Civil, os municípios poderiam inscrever suas propostas até o dia 31 de março deste ano, mas na divulgação da Casa Civil não é especificado o pedido de UTI.

 Entre janeiro e abril de 2025, o município arrecadou mais de R$ 31,3 milhões. 

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Arrecadação em royalties de Coari – Foto: (Reprodução/Portal da Transparência)

A falta de UTI não é um pedido recente. Durante a pandemia de Covid-19 em 2021, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) entrou com uma Ação Civil Pública cobrando a instalação de leitos de terapia intensiva no Hospital Regional Dr. Odair Carlos Geraldo, o maior da cidade.

 O juiz da 1° Vara da Comarca de Coari, reconheceu que o município “não possui instalada em seu sistema único de saúde local qualquer unidade de terapia intensiva”, determinando a habilitação emergencial de pelo menos cinco leitos.

Mas, mesmo com a decisão, o município segue sem uma UTI fixa, dependendo de UTI aérea para transferência de pacientes graves a capital do estado.

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