Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Bastidores de vaidade e desorganização: a política virou espetáculo no Bumbódromo

De um lado, o governador Wilson Lima (UB) tentando capitalizar investimentos federais aos quais nunca deu crédito. Do outro, o senador Eduardo Braga (MDB), que parecia mais interessado em garantir holofote.

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(Foto: ISAC SHARLON - PORTAL AM1)

Manaus (AM) – A primeira noite do Festival de Parintins escancarou o que muitos já sabem, mas poucos dizem: o palanque político montado em torno do Bumbódromo virou um desfile de egos, vaidades e desorganização. De um lado, o governador Wilson Lima (UB) tentando capitalizar investimentos federais aos quais nunca deu crédito. Do outro, o senador Eduardo Braga (MDB), que parecia mais interessado em garantir holofote do que em colaborar com qualquer esforço institucional.

A coletiva do Governo do Amazonas, marcada para as 22h, começou com mais de meia hora de atraso. Enquanto isso, Braga — acompanhado do ex-prefeito Bi Garcia — se retirava para a área reservada do camarote, prestes a participar de uma outra coletiva, esta supostamente do governo federal. No fim das contas, as duas viraram uma só, numa lambança que pegou até a imprensa de surpresa.

A cena bizarra teve de tudo. O presidente da SEC, Caio André, abandonado entre jornalistas, com cara de quem chegou sem ser avisado. Yara Lins, do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE), foi conduzida para a reunião interna com pompa e escolta, enquanto Anderson Sousa, presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), era barrado na porta como um penetra sem convite. Um espetáculo à parte, e não foi no palco do Bumbódromo.

Para piorar, nem Braga nem Bi deram as caras na coletiva. Só restou o prefeito Mateus Assayag para representar a ala braguista. Wilson Lima, por sua vez, fez o óbvio: repetiu dados que sua equipe já havia divulgado durante a semana, como se fosse revelação de bastidores.

Mas o ponto alto do constrangimento ficou por conta do ministro do Turismo, Celso Sabino, que confundiu Amazonas com Tocantins ao agradecer a bancada federal — e que demonstrou não saber nem qual era o título em disputa no festival. Faltou pouco para chamar Garantido e Caprichoso de “escolas de samba”.

O ministro ainda teve a audácia de celebrar a “união” com Wilson Lima, que vive em negação sobre o apoio federal à sua gestão. O governador bolsonarista ficou visivelmente desconfortável com a associação ao governo Lula — principalmente após já ter sido cobrado publicamente por esconder obras financiadas com dinheiro de Brasília.

Para completar a comédia institucional, a coletiva foi cuidadosamente roteirizada: só três veículos “escolhidos a dedo” puderam fazer perguntas — todas mornas, irrelevantes, e visivelmente ensaiadas. Enquanto o Caprichoso já rugia na arena, Wilson teve que encerrar às pressas e correr de volta ao camarote. O espetáculo, ao que parece, acontecia mesmo era fora da arena.

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