Comissão de Minas e Energia - Foto: (Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
Brasília (DF) – Em meio a crise de abastecimento elétrico que atinge o interior do Amazonas, a audiência pública realizada nesta quarta-feira (9) pela Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados poderia ser a oportunidade para que os parlamentares cobrassem respostas do governo federal, mas a bancada do estado não compareceu.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, compareceu à reunião para discutir sobre a medida provisória que trata do impacto das mudanças estruturais no setor elétrico, mas permaneceu por pouco tempo.
A audiência estava agendada para às 9h20 (horário de Brasília), e mesmo chegando pontualmente, o ministro respondeu poucas perguntas e deixou o plenário para outra agenda com o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, no Palácio do Planalto.
Entre os deputados federais que compõem a comissão, apenas Sidney Leite estava inscrito para fazer questionamentos, mas não teve oportunidade de falar antes da saída de Silveira. O deputado classificou o episódio como um desrespeito ao colegiado.
“Quando o ministro de estado como o ministro de Minas e Energia não respeita o parlamento não dá para que o governo queira buscar o entendimento com este parlamento,” disse Leite.
Apesar da justificativa formal da agenda como o presidente estrangeiro, a ausência dos amazonenses foi o que mais pesou: pediram audiências, criticaram nas redes sociais, mas não estavam presentes para cobrar medidas efetivas presencialmente.
Luz para poucos: programa federal sem execução
Em sua fala, o deputado questionou a execução do Luz para Todos no estado, onde segundo ele, mais de 1,5 milhão de pessoas vivem sem acesso à energia elétrica. O programa foi anunciado pelo próprio presidente Lula em Parintins, mas não houve de fato uma retomada.
“No meu estado não tem um bico de luz ligado pelo Luz para Todos nesse governo, essa é a realidade, (…) tem município pedindo emenda de deputado para compra placa solar para que escolas tenham direito a energia, escolas não tem acesso à energia elétrica mesmo com este programa. ” explicou o deputado.
O parlamentar questionou se o gargalo para a retomada do programa é da Amazonas energia, responsável pela distribuição no estado. A fala foi confirmada pelo Secretário Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Gentil Nogueira, que substituiu o ministro durante o encontro.
“Repassar recurso para o jeito que a Amazonas [energia] se encontra seria um risco muito grande inclusive para o gestor que estaria assinando essa distribuição de recursos,” pontuou o secretário.
Discurso nas redes, ausência no Plenário
Nas redes sociais, os deputados que compõe a CME criticam a crise energética crônica enfrentada pelo Amazonas e estados vizinhos, mas os deputados Fausto Junior (União Brasil) e Silas Câmara (Republicanos) não usaram sua voz para questionar sobre os próprios requerimentos durante a audiência.
Fausto Junior chegou a marcar presença, mas não participou do debate. Apesar de colecionar requerimentos e publicações sobre a Amazonas Energia “não conseguiu” transformar o discurso em pressão política.
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