(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
O Amazonas ocupa o primeiro lugar no ranking nacional de aumento nas tentativas de feminicídio. O estado registrou um salto de 65,1% nos casos entre 2023 e 2024, conforme aponta a 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O número de feminicídios consumados também cresceu. Em 2023, foram 23 mulheres assassinadas por razões de gênero no Amazonas. Em 2024, o número subiu para 29. Isso representa um aumento de 24,9%, mesmo com a queda geral nos homicídios de mulheres no estado.
Enquanto os feminicídios aumentaram, os homicídios de mulheres, sem a motivação de gênero, caíram 26% no mesmo período. Essa discrepância reforça a necessidade de diferenciar corretamente os tipos de crime e evidencia avanços no reconhecimento do feminicídio como categoria legal.
O anuário também revela que o Amazonas teve o maior aumento proporcional de tentativas de homicídio, incluindo tentativas de feminicídio, com vítimas mulheres em todo o país, alcançando 65,1%. Em 2023, foram 105 registros. Em 2024, esse número saltou para 175 casos. O crescimento chamou atenção por estar bem acima da média nacional.
Conforme os pesquisadores, há um descompasso histórico nos registros. Muitos estados ainda classificam mortes violentas de mulheres como homicídios comuns, mesmo quando se enquadram como feminicídio. Em 2024, a média nacional foi de 40,3% de reconhecimento dos homicídios de mulheres como feminicídio.
Um exemplo citado no anuário é o Ceará. Lá, apenas 13,2% dos homicídios femininos foram registrados como feminicídio — uma queda de 16,6% em relação a 2023. O estado segue como um dos que menos reconhecem o feminicídio como motivação legal nas mortes de mulheres.
No Amazonas, apesar de ter registrado a média nacional de taxa de feminicídio (1,4 por 100 mil mulheres), a proporção ainda é considerada baixa quando comparada aos homicídios totais de mulheres. Mesmo com o crescimento de 68,7% no índice de reconhecimento entre 2023 e 2024, o estado passou cinco anos entre os que menos classificaram mortes de mulheres como feminicídio desde que a lei foi implementada, em 2015.
Os dados analisam o período até 2024, mas os casos continuam em 2025. Na semana passada, um militar das Forças Armadas, de 23 anos, foi preso por tentativa de feminicídio contra sua companheira, de 21. O crime ocorreu no bairro Dabaru, em São Gabriel da Cachoeira, no interior do estado.
O suspeito permanece preso em um quartel militar, à disposição da Justiça. Ele aguarda audiência de custódia e responderá por tentativa de feminicídio.
Outro caso aconteceu em julho, também no interior do Amazonas. Em São Paulo de Olivença, um homem de 43 anos foi preso em flagrante após tentar matar sua companheira, de 39 anos, e a filha dela, de 14.
Segundo o delegado Igor Nunes, da 52ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), o homem chegou à residência embriagado. Ao perceber que não havia refeição pronta, reagiu com agressividade e partiu para cima das vítimas com uma faca, tentando matá-las.
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