Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Eleições e distanciamento político: especialista esclarece causas e efeitos

Segundo o cientista político Breno Leite, a desconfiança nas instituições é um dos principais fatores.

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(Foto: rafapress/Depositphotos)

Manaus (AM) – Um dado expressivo do primeiro turno das eleições municipais de 2024 em Manaus mostrou que 19,37% do eleitorado, ou seja, mais de 280 mil pessoas, não compareceram às urnas. Apesar de Manaus registrar a menor abstenção entre as capitais do Norte, o número acende um alerta sobre o distanciamento da população em relação à política.

Para entender as causas desse afastamento e suas consequências para a democracia, o Portal AM1 conversou com o cientista político Breno Leite. Ele explica que o distanciamento deve ser relativizado e analisado com cuidado:

“A política exige uma espécie de disponibilidade de tempo que nem todo mundo tem. As pessoas trabalham, têm que cuidar dos filhos, da casa, da vida. Por isso, o cidadão delega a um grupo específico, os políticos, a missão de representá-los. Isso é um aspecto essencial da democracia representativa, uma espécie de delegação”, afirma.

(Foto: Arquivo pessoal)

Ele ainda destaca que a política é uma área especializada, que exige conhecimento técnico e informação que nem todos possuem:

“Existem as orientações constitucionais, as leis, o regimento interno dos parlamentos, o funcionamento dos colégios de líderes… Todo esse aspecto técnico afasta as pessoas do cotidiano político, que acaba sendo filtrado pelos meios de comunicação tradicionais, como rádio, TV, jornais”, destaca.

O cientista político também observa que as redes sociais vêm mudando esse cenário:

“Hoje, qualquer cidadão pode se informar e produzir conteúdo político pelas redes sociais, Facebook, Instagram, Twitter. Isso aproxima as pessoas do cotidiano da política, permitindo que apoiem, critiquem e se engajem. Pessoas comuns podem ganhar protagonismo e imersão no mundo político por esses canais”, comenta.

Sobre a desconfiança nas instituições, o especialista confirma que esse sentimento é antigo e compreensível:

“O cidadão comum tem receio das decisões do Estado porque elas impactam diretamente sua vida. Essa desconfiança se manifesta em protestos, greves e outras formas de contestação. No entanto, a história do Brasil mostra que essas tensões geram processos de negociação e avanços, como a Assembleia Nacional Constituinte e até a Operação Lava Jato, que mobilizou a população contra a corrupção”, cita.

Quando questionado sobre o impacto desse distanciamento nas eleições de 2026, Breno Leite mantém uma visão otimista:

“No Brasil, temos uma legislação que incentiva a participação eleitoral e uma cultura de engajamento. Basta olhar as zonas eleitorais para ver pessoas vestindo a camisa de seus candidatos, postando apoio nas redes sociais. A tese do distanciamento precisa ser vista pelo prisma da relação entre cidadão-eleitor e governantes”, ressalta.

Ele complementa: “O eleitor quer escolher candidatos que cumpram o que prometeram seja escola, creche, saúde ou segurança pública. Quando os políticos não cumprem, o eleitor pode punir, rejeitando-os publicamente. Mas o processo eleitoral em si é uma festa da democracia, um momento de participação, crítica e celebração do protagonismo popular”, finalizou.

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