(Foto: Maxwell Oliveira e Luiz Albuquerque (drone) Implurb)
Manaus (AM) – Em meio à crise relacionada aos preços elevados da rede hoteleira de Belém, criticada por representantes de diversos países que participarão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a possibilidade de Manaus atuar como sub-sede do evento vem ganhando destaque. A COP30 será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, na capital paraense, mas a proposta de descentralizar parte das atividades tem sido vista com bons olhos por representantes políticos e empresariais do Amazonas.
A sugestão não parte apenas de usuários nas redes sociais, mas também tem eco entre autoridades locais. Em entrevista à TV Norte, o vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza (Avante), afirmou que o estado tem condições de contribuir com a realização da conferência.
“O Estado do Amazonas, as suas representações, eu acho que, inclusive, a própria estrutura organizacional, a sociedade civil organizada, todo o eixo econômico comercial, os operadores logísticos daqui, a gente tinha capacidade, sim, de ajudar Belém nessa representatividade do Brasil”, comentou o vice-governador.
Apoio Político e Empresarial
O debate também chegou à Câmara Municipal de Manaus (CMM). O vereador Saimon Bessa (União Brasil) defendeu que a capital amazonense seja considerada como sub-sede da COP30, reforçando a importância estratégica da cidade para o contexto amazônico e para a logística de um evento desse porte.
A rede hoteleira do Amazonas também vê a proposta com otimismo. Em entrevista ao Portal AM1, o presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares do Amazonas, Gerson Almeida, avaliou que, apesar de Manaus não estar pronta para sediar o evento principal, poderia desempenhar um papel importante como sub-sede.
“Nesse quesito, na nossa avaliação, Manaus não estaria preparada para um evento dessa envergadura. Além da necessidade de capacitação profissional, há também a necessidade de melhorias na infraestrutura. Porém, como subsede, a cidade teria condições de promover o evento, devido ao menor fluxo de demanda”, afirmou Almeida.
Apesar disso, o presidente do sindicato apontou falta de iniciativa por parte das autoridades para tratar o assunto com seriedade. Segundo ele, embora existam diálogos informais com representantes do setor público e empresarial, não há demonstração concreta de interesse ou planejamento.
“Informalmente, temos conversado tanto com o poder público quanto com o setor empresarial do segmento, mas não se percebe entusiasmo em relação ao assunto em questão, nem algum esforço para que Manaus sirva como subsede da COP30. Essa é a nossa avaliação”, explicou.
Estrutura e Desafios Locais
Questionado sobre a capacidade da capital amazonense de receber delegações internacionais, Almeida apontou três áreas críticas: qualificação da mão de obra, infraestrutura e segurança pública. Esses fatores, segundo ele, precisam ser enfrentados para que Manaus atue como sub-sede de maneira eficiente.
“Os desafios são inúmeros. Alguns já estão elencados, como a qualificação da mão de obra, a infraestrutura, a segurança pública e outros aspectos adicionais que envolvem um evento dessa grandeza. Em termos de acomodações na rede hoteleira e na diversidade de restaurantes, sim, Manaus possui estrutura para atender à demanda, especialmente como subsede do evento em questão”, pontuou.
Ainda conforme o presidente do sindicato, a falta de atenção do poder público à cidade tem sido um dos principais obstáculos à recepção de eventos de grande porte. O Centro Histórico de Manaus, por exemplo, é constantemente citado como área crítica, tanto pela população quanto pela imprensa local.
“Considerando que o nosso maior problema é o descaso do poder público com a cidade de Manaus e sua infraestrutura, principalmente no centro da cidade e na segurança. Dos poucos hotéis que funcionam com condições de receber turistas, muitos acabam sendo descartados: primeiro, pela insegurança; segundo, pela falta de organização no centro. Apesar de existirem inúmeros atrativos turísticos, eles ficam impossibilitados de receber visitas justamente pela insegurança”, relatou Almeida.
Contexto Internacional
As críticas em torno da rede hoteleira de Belém ganharam projeção internacional após o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, afirmar que delegações de países em desenvolvimento estão pressionando o Brasil a transferir a sede da conferência por causa dos altos preços cobrados pelos hotéis. A fala ocorreu durante evento promovido pela Associação de Correspondentes Estrangeiros (AIE), em parceria com o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), no dia 31 de julho.
“Há uma sensação de revolta, sobretudo por parte dos países em desenvolvimento, que estão dizendo que não poderão vir à COP por causa dos preços extorsivos que estão sendo cobrados”, afirmou Corrêa do Lago.
Conforme o embaixador, os valores das diárias em Belém chegaram a ser multiplicados por 15 em alguns casos. A prática, considerada abusiva por representantes estrangeiros, gerou desconforto diplomático e levou alguns países a solicitarem formalmente a transferência da sede do evento.
Entre as reações mais notórias, o presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, anunciou no dia 5 de agosto que não participará da conferência em Belém devido aos custos elevados da viagem.
Apesar da pressão, Corrêa do Lago reafirmou o compromisso do governo brasileiro com a escolha de Belém como sede da COP30. Segundo ele, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi estratégica por levar o maior evento climático do mundo ao coração da Amazônia.
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