(Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
Manaus (AM) – A disputa pela presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS trouxe uma reviravolta inesperada no Senado, nesta terça-feira. Cotado como favorito até a última semana, o senador Omar Aziz (PSD-AM) acabou derrotado e não assumirá a função, que ficou com o senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Em entrevista ao Portal AM1, o cientista político Helso Ribeiro, avalia que a derrota de Aziz surpreendeu até mesmo aliados próximos.
“Omar Aziz era o candidato do Alcolumbre, do PSD, com apoio de parte do governo. Até a semana passada, era impensável que não fosse escolhido. Mas, de última hora, a oposição conseguiu articular a entrada de dois nomes: Carlos Viana, de Minas Gerais, e Alfredo Gaspar, do União Brasil. Eu acredito que o Carlos Viana nunca contou com apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro”, avaliou.
Segundo Ribeiro, a diferença mínima de votos foi decisiva.
“Carlos Viana venceu por apenas três votos. Se dois senadores tivessem migrado para o lado do Omar Aziz, ele seria o relator. Pode ter havido um certo relaxamento da campanha dele por acreditar que a vitória estava garantida”, observou.
A vitória de Viana e a escolha de Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) para a relatoria reforçam a influência do chamado centrão na condução da CPMI.
“Tanto Carlos Viana quanto Alfredo Gaspar carregam a marca do centrão. Por isso, acredito que os debates na CPMI serão acirrados e que o governo, mais uma vez, enfrentará dificuldades, já que prevalecerá a lógica de quem oferece mais. É importante lembrar que, entre os senadores titulares indicados pelo governo, há muitos com alinhamento à oposição. Isso mostra que a comissão tende a ser marcada pelo toma-lá-dá-cá e pelo domínio do centrão nas discussões do Congresso Nacional”, destaca.
Segundo o professor Helso Ribeiro, a derrota também representa a perda de um espaço estratégico de projeção política para Omar Aziz.
“Ao não ser escolhido, o senador Omar Aziz perde um importante holofote nacional que poderia impulsionar uma futura candidatura. No entanto, isso não significa necessariamente uma derrota definitiva. Muitos políticos acabam se destacando em nível nacional e, ao mesmo tempo, deixam de fortalecer sua base local. É preciso ver agora como ele vai equilibrar essa visibilidade e aguardar os próximos acontecimentos”, finaliza.
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