(Foto: Reprodução/Freepik)
Sinais de que o BC está cumprindo a sua missão apareceram em várias das rubricas das contas nacionais. Na margem – ou seja, na comparação do segundo trimestre com o primeiro -, o crescimento de 0,5% do consumo das famílias foi metade do registrado na medição anterior (1%). A formação bruta de capital fixo, sinônimo de investimentos, caiu 2,2% no mesmo período, interrompendo seis trimestres consecutivos de crescimento.
Setores mais dependentes de crédito – maiores “vítimas” dos juros altos -, construção e indústria de transformação recuaram, respectivamente, 0,2% e 0,5%, também na margem. Além do aperto monetário, o resultado do PIB refletiu a dissipação de efeitos da safra recorde de grãos, que, no início do ano, encobriu o impacto da Selic mais alta em atividades sensíveis ao ciclo monetário.
Ainda assim, no agregado, o PIB do segundo trimestre, embalado, sobretudo, por serviços, subiu um pouco mais do que o mercado previa: 0,4% contra 0,3% das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast. Há análises de que os juros continuarão tirando o ritmo da atividade econômica.
Projeções
Só que, por outro lado, o efeito da política monetária deve ser amortecido por impulsos fiscais à frente – entre eles, os pagamentos de precatórios. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho aquecido segue sustentando a demanda. Já os prejuízos das tarifas americanas contra produtos brasileiros devem ser compensados pelo socorro do governo a exportadores.
Para o economista André Perfeito, os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram resiliência da atividade, limitando a perspectiva de corte de juros. “Muito provavelmente o Copom [Comitê de Política Monetária] irá esperar sinais mais claros de desaceleração ou acomodação da atividade antes de iniciar qualquer ciclo de corte de juros.”
Economista-chefe da Lev Asset Management (LAM), Jason Vieira avaliou que, apesar de a política monetária mostrar eficácia, indicada pelos números divulgados pelo IBGE, o BC não deve encontrar margem para começar a cortar juros neste ano. As incertezas fiscais, frisou, ainda “inflam” as expectativas de inflação. “Os sinais apontam a eficácia da política monetária, mas é preciso ancorar as expectativas de inflação, que estão em parte infladas pela questão fiscal”, avaliou o economista, que prevê início do afrouxamento monetário apenas no primeiro trimestre do próximo ano.
Segundo Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, a divulgação do PIB confirmou o quadro de acomodação dos setores dependentes de crédito, enquanto as atividades mais sensíveis à renda exibem resiliência. “Setores como veículos, materiais de construção, eletrodomésticos, produtos eletrônicos vêm perdendo tração em meio ambiente de juros restritivos e de alto grau de endividamento das famílias”, comentou. Por outro lado, ponderou Margato, o mercado de trabalho continua aquecido, com a taxa de desemprego renovando mínimas históricas e uma alta consistente da renda.
(*) Por Eduardo Laguna, Francisco Carlos de Assis, Daniel Tozzi e Gustavo Nicoletta (Estadão Conteúdo)
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