(Foto: Herick Pereira/Aleam)
Manaus (AM) – O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM), deputado Roberto Cidade (União Brasil), apresentou projeto de lei para conceder o título de “Cidadão do Amazonas” ao delegado Jorge Raimundo Arcanjo Salgueiro dos Santos, afastado do cargo após ser alvo da Operação Indignos, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia em janeiro deste ano.
Em março, o Ministério Público da Bahia (MPBA) informou que a Vara dos Feitos Relativos a Delitos de Organização Criminosa de Salvador acatou a denúncia envolvendo Jorge Arcanjo, o colocando na lista dos réus.
Jorge Arcanjo, que era titular da 74ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Borba, a 210 quilômetros de Manaus, é acusado de ligação com uma organização criminosa investigada por crimes de extorsão mediante sequestro, homicídio, tráfico de drogas e lavagem de capitais.
A ação policial teve desdobramentos simultâneos em quatro estados: Amazonas, São Paulo, Ceará e Paraná.
Apesar da gravidade das acusações, o projeto de lei apresentado por Roberto Cidade descreve o delegado como exemplo de “conduta ilibada” e “compromisso com a segurança pública”.
“A presente proposição tem como finalidade homenagear o delegado de Polícia Civil Jorge Raimundo Arcanjo Salgueiro dos Santos, pelos relevantes serviços prestados ao Estado do Amazonas e ao município de Borba, onde exerce suas funções desde janeiro de 2024. Sua trajetória profissional, marcada pela disciplina, coragem e dedicação ao serviço público, evidencia a nobreza de sua atuação e o compromisso com a segurança da população amazonense”, justificou Roberto Cidade na proposta.
O PL foi apresentado na terça-feira (9) e precisa constar em pauta por três sessões ordinárias.
A homenagem soa ainda mais política do que técnica: Borba é justamente o município em que o delegado atuava e onde o vice-prefeito, Toinho Cidade, é tio do presidente da ALEAM.
Operação
O delegado foi afastado do cargo em janeiro deste ano após ser alvo da Operação Indignos, da Polícia Civil da Bahia.
A operação visou combater uma organização criminosa envolvida com os crimes de extorsão mediante sequestro, morte, tráfico de entorpecentes e lavagem de capitais.
Em março, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MPBA informou que a denúncia envolvendo Jorge Arcanjo foi aceita pela Justiça baiana.
A PC-AM informou, na época, que o delegado Jorge Arcanjo foi aprovado no último concurso da PC-AM, em 2022, e que a ordem de afastamento está relacionada com suspeita de prática criminosa cometida antes da nomeação ao cargo, em 2023, no estado da Bahia.
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