(Foto: Divulgação/Instituto Municipal de Mobilidade Urbana)
Manaus (AM) – A capital amazonense alcançou 2,3 milhões de habitantes, segundo as Estimativas da População 2025 divulgadas nesta quinta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse número, a cidade se mantém como a sétima capital mais populosa do país. Apesar do crescimento, Manaus ainda dispõe de apenas um modal de transporte público coletivo.
Em entrevista ao Portal AM1, o professor Geraldo Alves, geógrafo e doutor em Engenharia de Transportes, avaliou os principais desafios da mobilidade urbana em Manaus. Ele apontou a falta de um sistema de média ou alta capacidade, como metrô ou Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), como um dos maiores entraves.
Embora novos veículos tenham chegado e obras de viadutos e complexos viários estejam em andamento, a capital amazonense permanece dependente do transporte coletivo convencional. Para o professor, o VLT poderia atender de forma adequada à demanda da cidade, mas os investimentos deveriam ter sido realizados em períodos anteriores.
“Manaus sofre muito porque não fez, lá no passado, os investimentos que teriam sido necessários para implantar um sistema de média capacidade. Hoje, a gente tem a mobilidade urbana apoiada no transporte individual, com o crescimento, inclusive, do uso das motocicletas, com os desatinos que a gente sabe que esse modo, às vezes, é capaz de provocar, e no automóvel e no ônibus, que vêm perdendo passageiros”, afirmou ao Portal AM1.
Política Nacional de Mobilidade Urbana
O especialista também destacou a importância de aplicar a Política Nacional de Mobilidade Urbana. A legislação determina que os municípios elaborem Planos de Mobilidade Urbana, com o objetivo de organizar o transporte de pessoas e cargas. Entre as diretrizes, estão a priorização do transporte coletivo, o incentivo à mobilidade não motorizada e a integração entre diferentes modais, promovendo desenvolvimento urbano sustentável.
“As calçadas nunca receberam investimentos em Manaus. Quem usa bicicleta, usa corajosamente. E é bom lembrar: Manaus é sede das principais fábricas de bicicleta da América Latina, mas não há política pública que estimule o uso desse modal. Não é por conta do clima, porque Parintins, conhecida como a cidade das bicicletas, tem o mesmo calor”, observou.
Crescimento populacional e desafios futuros
Conforme o IBGE, Manaus ultrapassa em população capitais como Curitiba (1,8 milhão), Recife (1,6 milhão), Goiânia (1,5 milhão) e Belém (1,4 milhão). Nacionalmente, fica atrás apenas de São Paulo (11,9 milhões), Rio de Janeiro (6,7 milhões), Brasília (2,99 milhões), Fortaleza (2,6 milhões), Salvador (2,6 milhões) e Belo Horizonte (2,4 milhões).
Na entrevista, o professor reforçou que persiste a percepção de que a mobilidade urbana pode ser resolvida com a construção de viadutos e o asfaltamento de vias. Ele defendeu que o transporte coletivo deveria ocupar posição central nas políticas públicas.
“É lamentável que a gente continue pensando que mobilidade urbana em Manaus é feita com construção de viadutos e asfaltamento. O transporte público coletivo, que deveria ser prioridade, não vem recebendo o esforço necessário. Quem sabe um dia tenhamos os investimentos para implantar um bom sistema de média capacidade. Mas, mesmo assim, teremos outro grande desafio: convencer a população que migrou para o transporte individual a voltar a usar o transporte coletivo”, concluiu.
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