(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Manaus (AM) – A busca por uma nova economia baseada na floresta tem impulsionado o surgimento de startups voltadas à bioeconomia na Amazônia. A Amaz Aceleradora de Impacto, atua como uma das principais articuladoras desse movimento, apoiando negócios que combinam inovação, sustentabilidade e impacto social.
Em conversa no programa AM1 Entrevista, do Portal AM1, a gestora de operações da Amaz, Gabriela Souza, explicou que a bioeconomia na região enfrenta desafios que vão além da gestão e comercialização. Segundo a especialista, fatores como a logística fluvial, o alto custo de transporte e o acesso limitado a mercados tornam essencial o trabalho colaborativo entre empreendedores e investidores.
“Sozinho, um negócio não consegue enfrentar todos os desafios que envolvem atuar na Amazônia. A colaboração entre empreendedores, investidores e comunidades é essencial”, disse.
Os setores de alimentos e cosméticos naturais são apontados pela especialista como os que mais têm avançado no uso de insumos da sociobiodiversidade da Amazônia.
“Os setores de alimentos e cosméticos têm se destacado na bioeconomia amazônica. No caso dos alimentos, há grande potencial de inovação e diversificação de insumos regionais. Já os cosméticos vêm sendo impulsionados pela tendência da ‘beleza limpa’, com consumidores cada vez mais interessados na origem dos produtos. Esses dois segmentos têm papel importante em agregar valor aos insumos amazônicos e fortalecer negócios sustentáveis na região”, afirmou.

(Foto: Gabriel Alves/Portal AM1)
A gestora da Amaz também destaca o crescimento de iniciativas ligadas a bio insumos e biomassas, áreas ainda em fase de estruturação, mas com grande potencial para pesquisa e inovação.
Gabriela Souza destacou também sobre a atuação da empresa Amaz que com cinco anos de atuação, reúne 16 startups em seu portfólio, que vão desde negócios alimentícios e de cosméticos até iniciativas ligadas à restauração de áreas degradadas e à logística sustentável.
“A aceleradora é coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), organização que atua há duas décadas na promoção de modelos econômicos sustentáveis na região”, destacou.
Em relação à atuação da Amaz que chamou atenção internacional, pois a iniciativa foi finalista do prêmio Global Alliance for The Earth (GAEA), promovido pelo Fórum Econômico Mundial, sendo a única representante brasileira entre os 15 finalistas.
Para a gestora Gabriela Souza, o reconhecimento mostra que o trabalho desenvolvido na Amazônia tem relevância global.
“É sinal de que o que está sendo construído aqui tem potencial para inspirar outros territórios. o protagonismo precisa ser local, com soluções criadas por quem vive e conhece a realidade da nossa região”, afirmou.
Ao falar sobre o futuro, a gestora reforçou que o grande desafio é tornar a economia sustentável tão viável quanto os modelos tradicionais baseados no desmatamento.
“Queremos mostrar que é possível ter um modelo econômico que conserve a floresta e valorize os modos de vida locais, sem abdicar da sustentabilidade financeira”, concluiu.
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