(Foto: Ivan Câmara/Assessoria)
Manaus (AM) – O vereador João Paulo Janjão, ex-personal trainer do prefeito David Almeida, chocou pela falta de novidade em sua proposta apresentada nesta segunda-feira (13) na Câmara Municipal de Manaus. O projeto de lei pretende instituir um polo gastronômico na rua Ferreira Pena, no centro da cidade.
O próprio vereador admite que o local já funciona como polo gastronômico — ou seja: ele propõe algo que já existe.
Projeto “inovador” só no discurso
Durante sua exposição na Câmara, Janjão afirmou que o projeto é necessário para formalizar essa vocação gastronômica da rua.
Mas, ao declarar que “o polo gastronômico já existe”, ele descarta qualquer caráter de inovação em sua iniciativa — o que expõe a fragilidade legislativa do projeto.
Se o polo já está operando, a lei proposta não acrescenta nada concreto além de uma chancela política.
Não há indicação de investimentos novos, melhorias de infraestrutura, estímulos econômicos ou medidas para sanar problemas que um polo consolidado enfrenta — como trânsito, lixo, iluminação, segurança, logística de transporte, acessibilidade.
Inexperiência
O episódio escancara a limitada bagagem do vereador no trabalho legislativo. Todo vereador sério deve trazer à tona propostas que ampliem direitos, promovam melhorias estruturais e estimulem a vida urbana de forma criativa. Não simplesmente “registrar” algo que já ocorreu de fato.
Além disso, ele deixa claro que não fez o dever de casa: não apresentou estudos prévios, impacto orçamentário, parcerias público-privadas ou mecanismos de execução.
Sua proposta parece algo redigido às pressas — para ocupar espaço midiático, não para causar efeito real.
Quem ganha
Para a população, pouco. O discurso de “formalização” não resolve os gargalos que um polo gastronômico consolidado enfrenta: saneamento, coleta de resíduos, mobilidade, fiscalização sanitária, infraestrutura elétrica, escoamento de fluxo.
O centro de Manaus já carece de políticas urbanas consistentes — não de “leis chanceladas”.
Para o vereador Janjão, o ganho é óbvio: ele poderá aparecer em redes sociais e noticiários como quem “propôs algo novo para o centro”.
Mas, na realidade, sua iniciativa apela para o espetáculo e ignora o essencial: transformação concreta.
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