Manaus, 10 de julho de 2026
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Cidades

No Amazonas, até os bebês sofrem com a incompetência da máquina pública

Família denuncia queimaduras em maternidade estadual; governo promete “apuração”, mas segue sem resposta.

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(Foto: Arthur Castro/Secom)

Manaus (AM) – Uma mãe denunciou nesta quarta-feira (22/10) ao Portal AM1 que seu bebê, atualmente com 1 mês de vida, sofreu queimaduras graves enquanto estava internado na Maternidade Balbina Mestrinho, em Manaus. O bebê nasceu prematuro, com 34 semanas, e apresentava dificuldades respiratórias. A mãe afirma que, durante o período em que o bebê esteve sob cuidados médicos, foi impedida de ter contato físico com ele e que as queimaduras só foram descobertas dias depois.

“Numa sexta-feira, meu bebê foi internado por conta de uma tosse, com suspeita de gripe. Como ele tinha problemas respiratórios, o levaram para a sala de reanimação. Nessa sala, não era permitido acompanhante. Eu ia todos os dias, das 11h às 12h, pegar o boletim médico. Nessas visitas, não deixavam eu pegar o meu filho e ele sempre estava enrolado em panos, escondendo as queimaduras. Diziam que ele precisava estar isolado. Eu, sem saber o que realmente estava acontecendo, confiava nos médicos, achando que estariam cuidando do Ravi com amor, como dizem fazer. Mas não foi o que aconteceu”, relatou a mãe, abalada.

Segundo ela, somente após insistência, foi autorizada a ver o bebê mais de perto. Ao se aproximar, percebeu que ele apresentava lesões graves na pele.

“Quando finalmente deixaram eu ver meu filho, notei imediatamente as queimaduras. Fui buscar explicações e, como sempre, jogavam a culpa de um para o outro. Até que um médico falou que houve um vazamento de um remédio, que acabou queimando a pele dele. Estamos até hoje esperando um posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), mas até agora nada. Estamos lutando contra o sistema. É inaceitável: uma criança prematura lutando para viver e a própria maternidade colocando sua vida em risco”, desabafou.

Atualmente, o bebê já se recuperou da gripe inicial, mas permanece internado em tratamento devido às lesões provocadas pelas queimaduras, especialmente em um dos pés. A mãe revelou ainda que, na terça-feira (21/10), o bebê precisou receber uma transfusão de sangue e está sob suspeita de infecção.

Outros casos e investigações

Este não é um caso isolado. Recentemente, mães e funcionários do Instituto da Mulher Dona Lindu também denunciaram erros durante partos, falhas médicas e episódios de violência obstétrica.

Além disso, no último dia 16 de outubro, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) deflagrou a Operação Metástase, que investiga esquemas de corrupção em diversas unidades de saúde do estado. Entre as instituições investigadas estão a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), a Maternidade Balbina Mestrinho e a Maternidade Dona Nazira Daou.

As investigações apontam indícios de crimes como corrupção ativa e passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. Os crimes estariam relacionados ao uso indevido de recursos públicos destinados à saúde.

O Portal AM1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), que informou, por meio de nota, ter acionado a maternidade para prestar esclarecimentos. O caso foi registrado e está sendo acompanhado pela Ouvidoria. Segundo a secretaria, será aberta uma sindicância para verificar as condutas e apurar possíveis responsabilidades. Caso sejam identificadas falhas, as medidas administrativas cabíveis serão adotadas.

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