Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Empresas ‘BC Sobrinho’ e ‘E B Rangel Turismo’ abocanham mais de R$ 8,4 milhões em contratos para realizar Jogos Escolares no AM

Enquanto o AM amarga o último lugar no Enem e o TCE-AM investiga os contratos da pasta, a gestão Wilson Lima mantém gastos milionários com eventos, materiais promocionais e transporte ligados a empresas de aliados e prestadores habituais do governo.

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(Foto: Divulgação/ Seduc-AM)

Manaus (AM) – Mesmo diante da pior crise educacional da década, com o Amazonas ocupando o último lugar no Enem 2025, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (SEDUC-AM) manteve uma agenda de gastos milionários em eventos esportivos e materiais personalizados.

Entre 2024 e 2025, a pasta destinou mais de R$ 8,4 milhões a duas empresas: BC Sobrinho Produções e Eventos Ltda e E. B. Rangel Turismo Ltda, que é uma microempresa que funciona em uma sala no bairro Vila da Prata, em Manaus.

Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência do Amazonas para consulta pública.

Os contratos, firmados sob o argumento de “operacionalização de eventos desportivos”, incluem desde confecção de materiais gráficos e personalizados até prestação de serviços de transporte e mão de obra para os Jogos Escolares do Amazonas (JEA’s), Jogos da Juventude, Jogos da Escola Estadual Augusto Carneiro (JEAC’s) e Paralimpíadas Escolares.

Dos R$ 8,4 milhões, R$ 6,9 milhões foram destinados via Seduc à BC Sobrinho para prestação de serviços de profissionais/mão-de-obra e transporte para a operacionalização de eventos desportivos, sendo eles: Seletivas para o JEAs, Jogos da Juventude, Jogos da Escola Estadual Augusto Carneiro e a Paralimpíadas Escolares e serviços de profissionais/mão de obra e confecção de material gráfico e fornecimento de materiais diversos para a operacionalização de eventos desportivos, sendo eles: Seletivas para o JEA´s, o JEA’s (12 a 17 anos), Jogos da Juventude (15 a 17 anos), Jogos da Escola Estadual Augusto Carneiro – JEAC’s (deficientes auditivos) e a Paralimpíadas Escolares.

Já os R$ 1,5 milhão destinados à EB Rangel Turismo foram para prestação de serviços confecção de material gráfico e fornecimento de materiais personalizados para a operacionalização de eventos desportivos, sendo eles: Seletivas para o JEAs, o JEA’s, Jogos da Juventude, Jogos da Escola Estadual Augusto Carneiro e a Paralimpíadas Escolares.

Empresas e seus proprietários

A empresa BC Sobrinho Produções e Eventos Ltda, responsável por parte da confecção dos materiais promocionais e pela logística de eventos da Seduc, pertence ao empresário Breno César Sobrinho de Almeida, figura conhecida no meio de eventos e publicidade em Manaus, que já celebrou outros contratos com o governo estadual e com prefeituras do interior.

Já a E. B. Rangel Turismo Ltda, que recebeu recursos da Seduc para transporte e apoio técnico-operacional, é de propriedade de Edneide Barbosa Rangel e Eliedson Barbosa Rangel, empresários do ramo de turismo e logística que, segundo registros públicos, também mantêm contratos com outros órgãos da administração estadual.

Juntas, as duas empresas receberam mais de R$ 8,4 milhões da Seduc nos últimos dois anos apenas para operacionalização direta ou indireta de jogos escolares — recursos destinados a atividades de caráter promocional em vez de investimentos estruturais na rede de ensino.

A sequência de contratos demonstra uma política permanente de priorização de contratos de visibilidade, voltados a ações esportivas e promocionais, em detrimento de políticas pedagógicas consistentes.

Os termos de contrato preveem, de forma quase idêntica, a “prestação de serviços de confecção de material gráfico e fornecimento de materiais personalizados para a operacionalização de eventos desportivos” e o “fornecimento de profissionais/mão de obra e transporte”. A justificativa repete-se ano após ano, com pequenas alterações de forma — mas sempre com grandes cifras.

Enquanto a Seduc desembolsa milhões em camisetas, faixas e mochilas personalizadas para os JEA’s, escolas estaduais enfrentam falta de professores, estrutura precária e baixa execução orçamentária em infraestrutura básica.

Em 2025, após o Amazonas amargar o último lugar no Enem, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) determinou uma inspeção extraordinária nos 100 maiores contratos da Seduc, justamente para investigar o destino de verbas milionárias que não resultaram em melhoria da aprendizagem.

Mesmo assim, o governo Wilson Lima mantém contratos milionários com empresas privadas de turismo e publicidade, reforçando o abismo entre o discurso de incentivo ao esporte e a realidade de um sistema educacional em colapso.

Confira os documentos:

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