Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Vereadores de Manaus criticam governo Wilson Lima por falhas na saúde e segurança pública

Críticas destacam suposto rombo de R$ 3 bilhões na área da saúde e aumento da violência no Amazonas.

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(Fotos: Alex Pazuello/Secom/Kelvin Dinelli/Divulgação/Assessoria)

Manaus (AM) – Os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) Coronel Rosses e Sargento Salazar, ambos do Partido Liberal (PL-AM), e Rodrigo Guedes (PP), usaram as redes sociais para criticar o governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os parlamentares questionaram a condução das áreas de saúde e segurança pública pelo governo estadual.

O vereador Coronel Rosses concentrou suas críticas na gestão da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Segundo ele, a situação da rede pública é “um verdadeiro escárnio, uma loucura e um absurdo”.

“São mais de R$ 3 bilhões de rombo na Secretaria de Saúde. E, para completar, o governo quer entregar nossas unidades para uma organização social, que vai administrar mais de R$ 1 bilhão de dinheiro público”, afirmou Rosses.

O parlamentar classificou o modelo de gestão proposto pelo governo como uma “privatização disfarçada” e citou exemplos de outros estados onde, segundo ele, o modelo de organizações sociais (OSs) resultou em casos de corrupção.

“Em São Paulo, a Polícia Federal descobriu esquemas milionários. Em Goiás, as fraudes com recursos do SUS foram inimagináveis. No Rio de Janeiro, R$ 7 bilhões foram movimentados em quatro anos e o governador acabou afastado por escândalo de corrupção”, disse.

Rosses questionou ainda a adoção desse modelo no Amazonas, que, segundo ele, já enfrenta sérios problemas de gestão e estrutura.

“Se deu errado em tantos lugares, por que aqui daria certo? Enquanto o governo assina contratos bilionários, médicos do Hospital João Lúcio fazem cirurgia cerebral com um único kit cirúrgico, revezando entre pacientes. Falta gás, seringa e, acima de tudo, falta vergonha na cara e compromisso com o cidadão”, criticou.

O vereador concluiu afirmando que a rede pública de saúde “não precisa de privatização, e sim de gestão séria, transparente e respeitosa com os servidores”. Segundo Rosses, Wilson Lima já demonstrou que não tem respeito e nem faz nada pelos servidores da saúde.

Já o vereador Sargento Salazar focou suas críticas na área da segurança pública, chamando o governador Wilson Lima de “atraso de vida” e “sem palavra”.

“Governador, tu não consegue resolver nem os problemas da saúde, nem da segurança no teu estado. Essa semana, uma criança morreu na Maternidade Dona Lindu porque a mãe esperou horas por atendimento”, disse.

O parlamentar também acusou o governo de negligenciar a tropa da Polícia Militar.

“Tu deve odiar a profissão de policial militar. Não paga data-base, promoção, auxílio, fardamento. Ainda tirou a lei de curso”, afirmou.

Durante o pronunciamento, Salazar mencionou o aumento da violência em municípios do interior, como Coari e Envira, e criticou a atuação da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

“Os municípios estão tomados por facções. Em Envira, tocaram fogo em casas e ônibus, e o efetivo é de apenas quatro policiais. O secretário vai, faz operação para a foto e vai embora. Continua tudo igual”, denunciou.

O vereador também cobrou investigações sobre contratos tecnológicos da pasta.

“Meu sonho é que a Polícia Federal investigue esses contratos de tecnologia, vocês iam pegar muito ‘mingau’. Já denunciei no Ministério Público e no Tribunal de Contas”, afirmou.

Salazar finalizou ironizando o governador, que, segundo ele, estaria usando eventos públicos para autopromoção política.

“Perto da eleição, fazem festa para entregar carteira de identidade e se promover politicamente. Eu teria vergonha na cara. E o atraso de vida ainda quer ser senador, uma imundície dessa”, destacou.

O vereador Rodrigo Guedes (PP) também se manifestou, reforçando as críticas à falta de valorização dos policiais e aos altos índices de violência no estado.

“Governador Wilson Lima, o Amazonas está entre os estados mais violentos do Brasil. E Manaus, infelizmente, está entre as capitais mais violentas do país e até do mundo”, destacou.

Guedes reconheceu avanços pontuais na redução da criminalidade, mas afirmou que o cenário geral continua preocupante.

“Tivemos reduções nos índices, mas ainda estamos entre os mais violentos. Isso se deve à desvalorização do profissional de segurança pública, que está na ponta, combatendo a criminalidade. Câmeras e tecnologias são importantes, mas quem faz segurança é o policial”, afirmou.

O parlamentar apresentou dados sobre atrasos e perdas salariais da categoria:

“Os policiais do Amazonas não tiveram as datas-base de 2021, 2022 e 2025 pagas. Há defasagem de 13,75%, e o auxílio-fardamento não é pago desde 2022. O auxílio-alimentação está congelado em R$ 500 desde 2018”, criticou.

Rodrigo Guedes também cobrou que o governo cumpra suas obrigações com a tropa, lembrando que o orçamento estadual permite a recomposição.

“O orçamento de 2026 será de R$ 37,6 bilhões, e o de 2025, quase R$ 32 bilhões”, disse.

Segundo ele, a falta de valorização compromete diretamente a segurança pública no estado.

“Enquanto o policial não for reconhecido e valorizado, Manaus e o Amazonas vão continuar entre os piores índices de segurança pública do país e do mundo”, concluiu.

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