(Foto: Dhyeizo Lemos/ Semcom)
Manaus (AM) – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), comentou sobre o encerramento das parcerias institucionais entre a prefeitura e o governo. Segundo ele, apesar da relação pessoal cordial com o governador Wilson Lima (União Brasil), o apoio técnico e financeiro do Estado à capital foi suspenso. De acordo com informações de bastidores, o rompimento vem se arrastando desde as eleições de 2022.
“Na parte pessoal, eu encontro com o governador e a gente sempre tem uma relação cordial, só que, institucional, não aconteceu. Todo mundo sabe, fizemos uma parceria. O governo desfez as parcerias que a gente tinha com a Prefeitura: viaduto, Passe Livre Estudantil. Então, a institucional não existe mais. A gente faz parceria porque tem compromisso com Manaus. O compromisso com Manaus acabou, mas, na questão pessoal, nada que venha a colocar nenhum empecilho a um cumprimento educadamente”, disse o prefeito.
Entre os projetos impactados estão o Passe Livre Estudantil, uma das principais promessas de Wilson Lima durante o anúncio da parceria com a prefeitura, além das obras de infraestrutura, como o viaduto da Avenida das Torres, o complexo viário da Bola do Produtor e o Parque Amazonino Mendes.
Apoio eleitoral e início das parcerias
Em 2022, durante o período eleitoral, David Almeida declarou apoio à reeleição de Wilson Lima e destacou a parceria entre as duas gestões como um marco histórico para Manaus. Na época, o prefeito afirmou que a aliança representava “o fim de uma era de caciques” e a abertura de uma nova fase política no Amazonas.
O governador, por sua vez, agradeceu o apoio e citou o Passe Livre Estudantil como um dos principais projetos conjuntos entre Estado e Prefeitura. Naquele momento, as duas esferas de governo anunciaram obras e programas em cooperação, o que consolidou uma imagem de unidade política.
Reeleição e início do distanciamento
Após a reeleição de Wilson Lima, a relação entre os dois gestores começou a se distanciar. Segundo David Almeida, o repasse de recursos estaduais para obras municipais foi reduzido gradualmente até ser interrompido.
Em agosto de 2024, o prefeito declarou publicamente à imprensa local que a parceria havia sido encerrada e que a Prefeitura teve de utilizar recursos próprios para concluir obras iniciadas em cooperação com o Estado.
“Ele simplesmente, após a eleição, parou a parceria com Manaus e a Prefeitura continua trabalhando sem ajuda do Governo”, afirmou David Almeida em entrevista a um veículo de comunicação local.
Entre as obras mencionadas por David Almeida estão:
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Viaduto da Avenida das Torres com a Avenida Barão do Rio Branco, inaugurado em novembro de 2023;
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Complexo viário da Bola do Produtor, com a liberação de novas alças em 2024;
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Parque Gigantes da Floresta, inaugurado em julho de 2025.
O prefeito também afirmou na entrevista que, no caso do Parque Amazonino Mendes, o Estado havia se comprometido com 90% do investimento, mas somente 10% foram repassados.
“Se eu fosse esperar o dinheiro do Estado, Manaus estaria inviabilizada. É obrigação repassar, e acredito que após o período eleitoral isso deve acontecer”, disse.
Naquele momento, David Almeida sugeriu que a falta de apoio do Governo poderia estar relacionada a problemas financeiros. O prefeito chegou a mencionar os atrasos no pagamento de benefícios salariais de diversas categorias.
“Talvez seja falta de caixa mesmo. O Governo está devendo três parcelas da data-base dos policiais, três dos professores e três da saúde. Está com dificuldade, deve ser isso”, afirmou David Almeida na época.
Segundo o prefeito, a ausência de repasses estaduais levou a Prefeitura a buscar emendas parlamentares para manter obras e programas em andamento. David Almeida citou o apoio dos senadores Omar Aziz (PSD), Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB), além dos deputados federais Saullo Vianna (União Brasil), Sidney Leite (PSD), Átila Lins (PP) e Pauderney Avelino (União Brasil).
Crise do transporte e rompimento definitivo
O episódio mais recente de tensão ocorreu em 11 de setembro de 2025, quando uma greve dos rodoviários paralisou parte do sistema de transporte coletivo de Manaus. A paralisação foi motivada por falta de pagamento de direitos trabalhistas, e o prefeito atribuiu a crise à interrupção do convênio do Passe Livre Estudantil, firmado originalmente em 2022 entre Estado e Prefeitura.
David Almeida declarou que a suspensão do repasse estadual inviabilizou o pagamento integral do subsídio que garantia a gratuidade a alunos das redes municipal e estadual.
Em contrapartida, o governador Wilson Lima contestou a versão do prefeito e afirmou ter mantido o repasse, mas que a Prefeitura e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Amazonas (Sinetram) se recusaram a negociar o valor.
“O dinheiro está depositado e poderia ter sido usado para evitar a greve”, declarou Wilson Lima à imprensa.
Relação atual e perspectiva institucional
Apesar do fim das parcerias administrativas, David Almeida afirma manter uma relação pessoal de respeito com o governador, mas confirma que não há diálogo institucional em andamento entre as duas gestões.
O prefeito reiterou que Manaus continua executando obras e programas com recursos próprios e com apoio de emendas parlamentares federais, enquanto o Governo do Estado alega restrições financeiras e mantém a posição de que não houve interrupção unilateral de convênios.
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