Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Governo Wilson Lima exibe ‘selo de qualidade’ em meio a caos hospitalar

Certificação vira alvo de ironia diante de denúncias de erro médico e mortes por negligência divulgadas amplamente pela mídia nos últimos meses.

Secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, e o superintendente executivo da Agir Saúde, Lucas Paula (Foto: Evandro Seixas / SES-AM)

Secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, e o superintendente executivo da Agir Saúde, Lucas Paula (Foto: Evandro Seixas / SES-AM)

Manaus (AM) – O anúncio feito pelo Governo do Amazonas sobre a certificação internacional concedida ao Complexo Hospitalar da Zona Sul, por supostas melhorias na rede pública de saúde, provocou reações de desconfiança entre profissionais, pacientes e parlamentares da oposição. A divulgação oficial contrasta com a enxurrada de denúncias recentes que apontam falhas graves no sistema estadual, incluindo mortes de pacientes, erros médicos e contratos milionários sob suspeita.

A certificação, segundo o governo, foi concedida pela metodologia canadense Qmentum International, que avalia padrões de qualidade hospitalar. No entanto, enquanto o Executivo tenta projetar uma imagem de eficiência e modernização, a realidade vivida nas unidades de saúde do Estado segue marcada por superlotação, falta de insumos e relatos de negligência.

Nos últimos dias, reportagens de diversos veículos locais revelaram o outro lado da moeda. O Portal AM1 noticiou casos de pacientes que sofreram perfurações intestinais após cirurgias, além de denúncias de supostos erros médicos em mutirões promovidos pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Em outro episódio, a pré-candidata ao Governo do Amazonas pelo PL, Maria do Carmo Seffair, em vídeo amplamente repercutido nas redes sociais, escancarou o caos vivido por pacientes e servidores nas unidades públicas.

Veja o vídeo:

Enquanto isso, o Portal AM1 divulgou em primeira mão que o governo anunciou a destinação de R$ 61,2 milhões a uma clínica pediátrica privada, ampliando críticas sobre a terceirização e privatização crescente da saúde pública amazonense. Parlamentares de oposição, como o deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza), classificaram a política de gestão de Wilson Lima como “repetição dos erros que custaram vidas”, e voltaram a cobrar uma CPI para apurar suspeitas de corrupção em contratos da área.

À reportagem, Wiker denunciou entrega de hospitais do Amazonas à Organização Social envolvida em escândalos no Sul e Sudeste do País. “Eu acho um equívoco. Um contrato que beira dois bilhões de reais, com todo o histórico dessa OS deixado em outros estados. Morte de criança, operação de Polícia Federal. É isso que nós queremos para a saúde do Amazonas? É esse o case de sucesso? É temerário”, afirmou o deputado.

Além disso, o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), recentemente contratado para gerir prontos-socorros da capital, foi alvo de denúncias de negligência médica em outros estados, aumentando a desconfiança sobre os critérios adotados nas parcerias firmadas pelo governo amazonense.

Mesmo com o selo internacional, as queixas da população continuam ecoando nas redes sociais e nas portas dos hospitais. Para muitos, o “reconhecimento externo” não reflete a realidade vivida nas filas de espera, nas macas improvisadas e nas emergências sem estrutura.

O Instituto da Mulher Dona Lindu, em Manaus, enfrenta denúncias de demora, descaso e negligência no atendimento a gestantes desde que passou a ser administrado pela OSS Agir. O atleta Danilo Campos relatou com exclusividade ao Portal AM1 que sua esposa deu à luz sem médico e encontrou um carrapato no leito do hospital.

Outros pacientes denunciaram longas esperas, cancelamento de cirurgias e impedimento de acompanhantes. Famílias relatam dor, humilhação e falta de respostas da ouvidoria. O governo permanece em silêncio sobre as falhas na gestão da unidade.

Enquanto o governo Wilson Lima tenta consolidar um discurso de eficiência e credibilidade internacional, o cotidiano da saúde pública no Amazonas continua a expor uma ferida aberta — onde o marketing institucional parece avançar mais rápido que as melhorias reais na vida dos cidadãos.

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