Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Enquanto Wilson Lima exalta polícia nas ruas, dados revelam mortes

Relatório expõe fragilidade da gestão na segurança e mostra que ações policiais seguem matando jovens negros no Amazonas.

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(Foto: Diego Peres e Mauro Neto/Secom)

Manaus (AM) – Os números da letalidade policial no Amazonas expõem a fragilidade da gestão de segurança do governador Wilson Lima, que tem intensificado operações sob o discurso de “trazer mais segurança à população”. Segundo o relatório “Pele Alvo: Crônicas de Dor e Luta”, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança, o estado registrou 43 mortes por intervenção policial em 2024 e uma em cada sete delas ocorreu no município de Coari.

Embora o levantamento aponte uma queda de 27,1% na letalidade policial em relação ao ano anterior, o estudo mostra que os episódios de violência seguem concentrados no interior e têm jovens negros como principais vítimas.

Entre os municípios mais afetados estão:

  • Coari: 6 mortes — 14% do total estadual, embora represente menos de 2% da população;
  • Benjamin Constant: 3 dos 4 homicídios registrados no ano foram cometidos por agentes de segurança;
  • Manaus: 23 mortes — 53,5% do total estadual, com 90,7% dos casos envolvendo policiais militares.

O perfil das vítimas reforça o retrato da desigualdade:

  • 67,4% tinham entre 18 e 29 anos;
  • 100% eram homens;
  • 90% eram negras (pretas ou pardas), embora representem 73,7% da população do estado.

Enquanto o governo Wilson Lima exalta operações e ações policiais como símbolo de eficiência e combate à criminalidade, os dados mostram que essas mesmas ações têm resultado em mortes de jovens pobres e negros, especialmente fora da capital.

A contradição entre o discurso oficial e a realidade dos números evidencia uma política de segurança marcada pela repressão e pela ausência de resultados duradouros, em que a presença ostensiva da polícia nas ruas não tem se traduzido em proteção, mas em letalidade e dor.

Para a Rede de Observatórios da Segurança, o desafio do Amazonas é repensar o modelo atual: “Reduzir o crime não pode significar aumentar o número de mortos. A segurança deve proteger vidas, não tirá-las.”

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