Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Relatos de mortes e demora no atendimento nas maternidades Ana Braga e Dona Lindu geram revolta em Manaus

As denúncias apontam situações graves envolvendo gestantes e recém-nascidos.

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(Foto: Divulgação/SES-AM)

Manaus (AM) – O Portal AM1 ouviu relatos de pacientes e familiares que denunciam casos de negligência e demora no atendimento nas maternidades Ana Braga e Instituto da Mulher Dona Lindu, em Manaus. As denúncias apontam situações graves envolvendo gestantes e recém-nascidos.

Uma das testemunhas, que preferiu não se identificar, contou que a filha dela, grávida, foi transferida do município de Careiro Castanho para a maternidade Ana Braga e não recebeu o atendimento adequado.

“Disseram que ela não era prioridade e que não estava em risco de vida, mesmo com o bebê morto há três semanas dentro dela. Ele já estava em decomposição”, relatou.

Segundo a mulher, a filha precisou passar por cirurgia para a retirada do feto e estava abalada emocionalmente.

“Eles deveriam ter sido mais humanos, ter dado mais atenção ao caso. Não é certo uma pessoa esperar tanto tempo para uma cirurgia que é rápida. Minha filha estava ficando verde, perdendo a cor, e mesmo assim diziam que não era prioridade. Eu achei isso muito errado”, lamentou.

A mesma testemunha afirmou ter presenciado outro caso de morte dentro da unidade.

“Ontem mesmo morreu uma jovem. Ela chegou andando, falando. De repente teve uma hemorragia, uma parada cardíaca. Primeiro morreu o bebê, depois ela. E abafaram o caso. A mãe chorou, gritou na porta, mas ninguém fez nada. Disseram que não sabiam de nada, mas todo mundo soube. Eu achei um descaso com o ser humano”, contou.

Ela ainda criticou a superlotação e a demora no atendimento.

“Eles dizem que está superlotado, que não tem como atender, mas também não transferem. Ficam esperando até o último momento, até onde a pessoa não aguenta mais. Isso é um absurdo.”

Outro relato é do agricultor José Henrique da Silva, que veio do interior com a esposa para ter o bebê em Manaus. Ele afirma que chegou à maternidade Ana Braga às 5h da manhã, mas só foi atendido às 20h.

“Corremos risco de perder a criança, que chegou a defecar dentro da mãe. E não foi só comigo, ouvi várias reclamações”, contou.

Apesar do parto ter ocorrido bem, a esposa de José segue internada com sua bebê que perdeu peso devido a falta de leite materno.

“A bebê está perdendo peso porque a mãe não tem leite. Tentamos conseguir leite materno na maternidade e não conseguimos. É uma dificuldade enorme”, relatou.

Outra mãe entrevistada afirmou que a filha está internada há três dias com início de eclampsia e ainda não teve o parto realizado.

“O certo seria fazer a cesariana, mas querem induzir o parto só na próxima terça-feira. A família está aflita”, lamentou.

A equipe do Portal AM1 também esteve na maternidade Dona Lindu na quarta-feira (05/11) e encontrou uma gestante de 34 semanas aguardando atendimento, mesmo sentindo fortes dores.

“O atendimento está péssimo. Já é a segunda vez que venho aqui e a sexta vez que sinto dor. Eles só me examinam e mandam voltar pra casa”, afirmou.

A acompanhante da grávida informou que ela é cardiopata e, mesmo com dor e sangramento, esperava na fila com senha.

“Ela corre risco, mas não é atendida de imediato. Está há horas esperando”, denunciou.

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