(Foto: Mauro Neto/ Secom)
Manaus (AM) – O Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, localizado na Avenida Mário Ypiranga, zona Centro-Sul de Manaus, voltou a ser alvo de denúncias por parte de familiares de pacientes. O local tem sido cenário de reclamações sobre superlotação, falta de leitos, demora no atendimento e condições insalubres.
O Portal AM1 esteve na unidade na quarta-feira (05) e conversou com pessoas que aguardavam informações sobre parentes internados. Entre os relatos, o que mais chamou atenção foi o da família de uma idosa de 86 anos, que teria passado horas sem alimentação e sem o devido acompanhamento médico.
O pintor Márcio Almeida contou que a avó deu entrada no hospital no último domingo (02), mas foi mandada de volta para casa e só conseguiu ser internada após retornar no dia seguinte. Desde então, segundo ele, o atendimento tem sido marcado por negligência e falta de respeito à dignidade da paciente.
“A situação da minha avó é revoltante. Ela veio pra cá desde domingo, mandaram de volta, e na segunda-feira voltou às 11h. Desde essa hora, não comeu, não jantou, ficou esperando em uma cadeira. Disseram que ela tava no leito, mas o ‘leito’ era uma cadeira de roda. Só depois que minha tia foi na assistência social é que conseguiram o leito de verdade pra ela. Uma mulher de 86 anos, sem comer, sem assistência… É desumano”, desabafou.
De acordo com Márcio, além da demora, os familiares enfrentam dificuldades para obter informações sobre o estado de saúde da idosa. Ele afirma que o hospital restringe a entrada dos parentes e critica a forma como os acompanhantes são tratados.
“A gente tenta saber como ela tá e ninguém dá informação. Eles não deixam a gente entrar. Esse hospital aqui é nota zero. As cadeiras estão quebradas, as máquinas paradas, e os funcionários tratam a gente mal. Quem paga o salário deles somos nós, trabalhadores. É revoltante”, disse.
O pintor também direcionou críticas ao governo estadual, afirmando que a situação do 28 de Agosto reflete o abandono da saúde pública no Amazonas.
“Esse governo Wilson Lima é nota zero. Será que ele deixaria a mãe dele aqui dentro, do jeito que deixaram a nossa avó? Um hospital público não pode tratar as pessoas assim. Muita gente morreu por causa dessa má gestão. O governador e o secretário de Saúde precisavam vir aqui ver como tá a realidade”, afirmou.
Para Márcio, a sensação de abandono é comum entre os usuários do sistema público, que dizem não ter para onde recorrer.
“Se a gente não conhece alguém lá dentro, o atendimento demora mais. Tem gente que fica jogada nos corredores. É triste dizer isso, mas é a realidade”, acrescentou Márcio.
A autônoma Charlene, reforçou as queixas sobre a precariedade e apontou a sobrecarga dos profissionais de saúde como consequência direta da má gestão e da falta de estrutura.
“O problema começa no Estado. A demanda é muito alta, e os funcionários ficam sobrecarregados. São seres humanos, acabam cansados, desmotivados, e o atendimento cai. A falta de pagamento, a falta de equipamentos e de pessoal só pioram. Infelizmente, quem sofre é a população, que precisa do SUS e acaba sendo mal atendida”, avaliou.
Para Charlene, a crise na saúde pública do Amazonas é resultado de uma gestão que não prioriza o bem-estar da população. Ela critica a falta de investimentos e a propaganda enganosa sobre o chamado “padrão Delphina”.
“A gestão até parecia que ia melhorar, mas, como todo governo, acabou deixando a desejar. Não tem nada de ‘padrão Delphina’ aqui. O que a gente vê é descaso, filas enormes, gente sofrendo nos corredores e falta de profissionais. É lamentável”, declarou.
O Portal AM1 solicitou um posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) sobre as denúncias de falta de estrutura e má gestão no Hospital 28 de Agosto e aguarda retorno.
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